filhos do monólito

A fluida geração que transcende à solidez (ou deveria)

Alexei Amorim

É tudo uma ficção. Pelo menos por aqui... Seja bem-vindo ao "Filhos do Monólito"!

Vim, vi, vicei (?)

Como a indústria farmacêutica enriquece através da manipulação da economia e da sociedade, e como as pessoas se tornaram dependentes de drogas lícitas.


A famosa frase atribuída a Júlio César, “vim, vi, venci”, proferida em um contexto no qual o próprio reafirmava seu poder ao Senado romano após vencer grande batalha, marca a glória de um povo sobre outro. Hoje, apesar de o emissor ser outro, a mensagem também ratifica a glória das grandes indústrias farmacêuticas sobre o povo/ consumidor que, literalmente, viciou.

O que se deve saber é o seguinte: as pessoas consomem remédios demais e isso deve parar.

remedio 7.jpg Ratos farmacêuticos dominam o mundo É evidente que a modernidade trouxe à sociedade uma série de doenças, nãos só do corpo como também da mente. O crescimento econômico e social indicou o desenvolvimento das pesquisas científicas e da própria ciência, o que tornou a humanidade mais apta a se defender das contingências à saúde. Diante disso, a necessidade de proteger o próprio corpo e a mente é hoje uma espécie de mercado que comercializa saúde e bem-estar; não à toa, a indústria farmacêutica ou “Big Pharma”, que desenvolve e comercializa remédios é o segundo maior comércio do mundo, só ficando atrás do petróleo.

Em virtude disso, forma-se hoje um ciclo de dependentes químicos de substâncias lícitas; existem “viciados” em antidepressivos, inibidores de apetite, ansiolíticos, analgésicos, suplementos vitamínicos... Forma-se uma gama de pessoas que, tentando evitar problemas cotidianos, consumem deseperadamente substâncias que entorpecem seus sentidos e as deixam, de certa forma, “dopadas” demais para perceber o mundo ao seu redor. Essa fuga à realidade é patrocinada pela rica indústria farmacêutica, que é aproveita esse período de caos da pós-modernidade para “sedar o mundo” e ganhar bilhões.

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Há muito tempo que se vem criando uma “cultura do remédio” constituída por bilhares de indivíduos. Só nos EUA cerca de 20% da população é usuário constante de drogas lícitas. Desde muito tempo atrás, nos primórdios dessa cultura, é comum que se eduque as crianças para acreditarem que a solução para todos os problemas é usar medicamentos. Polivitamínicos, biotônico, pomadas... para todo tipo de mal existe uma solução, e a solução é o remédio.

Todavia, é fato que existem remédios que são de fato a cura ou a tentativa dela, como vacinas. Todo organismo é capaz de se regenerar sozinho; o remédio é um ator que impulsiona e redireciona essa ação tornando-a mais eficaz; outro problema do remédio é também a sua facilidade – é muito mais fácil tomar um compromido do que esperar a dor de cabeça passar.

Vê-se a crescente presença do interesse econômico das farmacêuticas, em face de que o investimento em pesquisa e desenvolvimento está mais presente em grandes economias, nas quais existe maior poder de compra, e nas doenças congênitas e crônicas, pois o paciente deverá tomar aquele remédio pelo resto da vida. Em grandes países com pouco poder de compra, como os africanos, é comum que a indústria farmacêutica não invista nessa área devido à deficiência do mercado aos tipos mais comuns de doença.

É incontestável que as farmacêuticas, como sendo indústrias capitalistas, não têm como objetivo buscar o melhor tratamento e aquele que mais atenda às maiorias, mas sim, contudo, o investimento em medicamentos que dão alto retorno financeiro, para as pessoas com grande poder de compra poderem adquiri-los constantemente.

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De um ponto de vista mais anárquico, vê-se que as grandes indústrias podem até produzir medicamentos que tenham como efeito colateral a doença tratada por outro medicamento do mesmo selo. Em vista disso, fica claro que o atual “mercado da saúde” é um ciclo constante de capital na medida emque se torna preciso consumir cada vez mais medicamentos.

Assim como drogas ilícitas (cocaína, heroína...) existem vários fármacos causadores de dependência – como opióides psicotrópicos - que são comercializados indiscriminadamente e que são utilizados de forma abusiva pelos pacientes. Inibidores de apetite, antidepressivos, remédios contra a dor... São inúmeros os tipos que deixam o usuário realmente dependente do uso daquela droga. Contudo, o melhor parâmetro para distinguir os remédios “bons” dos “maus” é a aprovação do órgão regularizador. Aqui no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é quem está incumbida de avaliar a utilização de medicamentos.

Para compreender esse viés/ espectro social, é necessário analisar de forma macrológica todo esse contexto do vício: primeiro, as indústrias farmacêuticas têm muito poder econômico, logo, tendem ao monopólio e ao cartel, eliminando a concorrência e constituindo macro-indústrias que dominam o mercado; segundo, o alto investimento em propaganda e apresentação dos medicamentos insere a droga no cotidiano da pessoa. Esses itens aliados constituem a esfera que é a “Big Pharma”; esse termo demonstra o alto poder econômico das farmacêuticas, que vai desde o monopólio de setor, da produção e do uso. remedio 6.jpg

Essa "cultura do remédio" é um dos piores males do século XXI, e o principal meio de integração à essa cultura se dá pela propaganda. Não à toa, cerca de 30% do rendimento das farmacêuticas é convertido em propaganda, representação e patrocínio. Tudo, por fim, está resumido a saber integrar o produto ao meio em que ele circulará.

remedio 6.jpg Dr. House, da série, é um marco da propaganda da aceitação do remédio como necessidade vital.


Alexei Amorim

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