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Pensando a existência para buscar a essência. O caminho é a beleza...

Bruno Lima

Doutor em Educação. Apaixonado desde sempre por ler e escrever. Morador e amante de Florianópolis e pai da Anna (humana) e do Amendoim (canino)

A bolha político-social do futebol: Robinho no Santos

Robinho tem sim o direito de jogar bola (enquanto não é condenado definitivamente), mas não pode, em uma sociedade civilizada, ser apresentado como grande ídolo, com pompas e festas, em um dos maiores clubes do Brasil e do mundo. É um desrespeito às mulheres torcedoras do clube. É um desrespeito a todas as campanhas que o clube fez sobre os direitos das mulheres e contra a chamada "cultura do estupro".


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Hoje, ao invés de escrever sobre educação e/ou temas sociais, esse colunista (santista) vem falar sobre o Santos e o caso Robinho.

Para quem não está por dentro, o jogador foi condenado em primeira instância pela justiça italiana por violência sexual contra uma mulher albanesa, fato ocorrido numa boate em Milão, em 2013. O crime foi investigado pela justiça italiana durante 4 anos, e em 2017, o veredito: Robinho e mais 5 amigos foram condenados a 9 anos de prisão.

A justiça italiana funciona de forma parecida com a brasileira: há 4 graus de recurso. Robinho recorreu e o processo foi encaminhado para o segundo grau, onde ainda tramita. Durante esse período ganhou o direito de liberdade, mas foi aconselhado a não voltar a Itália, pois a decisão pode sair a qualquer momento e ele poderia ser preso.

Segundo o relatório da investigação, "a jovem foi humilhada repetidas vezes pelos envolvidos, além de ressaltar o “desprezo absoluto” de Robinho e Ricardo Falco (outro envolvido) pela mulher". E completa: ".... a mulher foi exposta a humilhações repetidas, bem como atos de violência sexual pesados.” A magistrada afirma que os “termos chulos e desdenhosos” são “sinais inequívocos de falta de escrúpulos e quase consciência de uma futura impunidade”. Ela ainda aponta o fato de o acusado debochar do acontecido por inúmeras vezes, “destacando assim um absoluto desrespeito pela condição da vítima”.

É uma condenação 'apenas' em primeira instância? Sim, claro. Robinho é culpado? Não sei, não sou juiz nem participei das investigações. Robinho pode ser absolvido? Sim, pode. Robinho tem o direito de trabalhar na profissão que escolheu - jogador? Claro que tem.

Mas não consigo, na condição de santista e de homem, deixar de me sentir incomodado.

Robinho tem sim o direito de jogar bola (enquanto não é condenado definitivamente), mas não pode, em uma sociedade civilizada, ser apresentado como grande ídolo, com pompas e festas, em um dos maiores clubes do Brasil e do mundo. É um desrespeito às mulheres torcedoras do clube. É um desrespeito a todas as campanhas que o clube fez sobre os direitos das mulheres e contra a chamada "cultura do estupro". É desrespeitoso oferecer essa posição a um homem condenado, ainda que provisoriamente, por violência sexual. É um desrespeito nem citar sua condenação no anúncio do jogador. É omitir quem o 'ídolo' realmente é, o que ele representa, os seus comportamentos de desrespeito à lei e à moral na sua vida "normal", cotidiana. Ídolo é exemplo. Um cara que ainda responde por esse tipo de ação NÃO PODE ser exemplo.

Não falar sobre isso é não oferecer à torcida as informações sobre um cara pelo qual ela irá torcer e reverenciar. É, em poucas palavras, um ultraje, um total desrespeito.

O papel de um clube como o Santos e de uma diretoria decente seria esperar. Aguardar o fim do processo, esperar sua possível absolvição, para evitar colocar em sua história a mancha de ter um predador sexual jogando com seu manto, no gramado histórico da Vila Belmiro.

Robinho ainda não está condenado definitivamente. Tem direito a jogar, mas no momento que foi acusado e condenado provisoriamente por um dos piores crimes que um ser humano pode cometer, não tem mais direito de ser idolatrado. Tem que responder.

Repito, Robinho não está condenado definitivamente. Mas o Santos, esse sim, está. Uma mancha definitiva na história do clube. Eu nunca havia sentido vergonha do meu time. Derrotas acontecem, goleadas, eliminações...faz parte. Mas hoje, sinto. Muita. E estou certo que grande parte da torcida desse imenso clube, especialmente a representativa parcela feminina, se sente da mesma forma.

Ass: um santista.


Bruno Lima

Doutor em Educação. Apaixonado desde sempre por ler e escrever. Morador e amante de Florianópolis e pai da Anna (humana) e do Amendoim (canino).
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