filosofia tecnologia arte e pensamento

Pensando a existência para buscar a essência. O caminho é a beleza...

Bruno Lima

Doutor em Educação. Apaixonado desde sempre por ler e escrever. Morador e amante de Florianópolis e pai da Anna (humana) e do Amendoim (canino)

A importância e possibilidades da avaliação da aprendizagem


avaliacao-aprendizagem.jpg

A avaliação da aprendizagem é parte fundamental do processo formativo, pois é o que dá ao professor o retorno do seu trabalho, que demonstra ou efetiva o cumprimento, ou não, de seus objetivos. Por isso, deve ser fator preponderante e fundamental de qualquer planejamento, idealização e execução de curso, disciplina ou processo educativo. Nesse sentido, esse texto terá 3 partes, que tratarão do tema de forma sucinta: primeiramente, alguns conceitos básicos sobre avaliação; depois, as fases do processo avaliativo; e, finalizando, os tipos de avaliação.

Partindo do ponto fundamental de que a avaliação da aprendizagem precisa, antes de tudo, ser tratada e considerada como uma autoavaliação do sistema educativo, os autores traçam uma linha cronológica em busca dos principais conceitos em relação às funções, fases, critérios e dimensões da teoria da avaliação.

As visões mais tradicionais da avaliação e de suas funções, as quais a meu ver podem ser chamadas também de antigas, pensavam-na como a função - exclusivamente do professor - de determinar um modelo, uma verdade, sobre o que era desejado. A partir desse modelo, o professor fazia as comparações das produções escolares a ele. Apesar de já prever algo como um planejamento a partir do contexto ou da instituição, esse não era o foco. Isso, para Perrenoud, faz com que a avaliação seja parte da origem da desigualdade, pois essa forma de atuar acaba comparando os estudantes, tão diversos e diferentes, a partir de um modelo igual e pré-fixado.

Atualmente, como sabemos, a avaliação é quase consensualmente pensada como uma atividade bastante subjetiva, que envolve uma diversidade de critérios e uma complexidade que só cresce. O grande desafio é pensar e praticar diferentes formas e metodologias de avaliar de acordo com essa nova realidade. Para isso definiremos primeiramente, como um conceito básico, os critérios possíveis para uma avaliação bem feita.

São eles: Objetos, ou seja, o que será utilizado e tratado; Objetivos, ou a meta a se atingir; Referências, isto é, os autores e ideias que serão mais discutidos e estudados; a Regularidade da avaliação, ou o período e a quantidade de peças avaliativas que constarão do processo; o Momento, ou seja, onde e quando essas peças serão aplicadas; os Protagonistas, quer dizer, quem as realizará e que tipo de participação terá no processo; a Explicitação, a função de dizer e esclarecer o que será feito; e a Comunicação, isto é, o retorno e o feedback para os interessados sobre as atividades feitas. A ideia é verificar a evolução em 3 fatores: o cognitivo, de conhecimento; o socioafetivo, ou seja, de relacionamento interpessoal e de comunicação; e o de habilidade motora.

Dentro dessa discussão, é importante também separar o que são critérios e o que são normas: os critérios esclarecem “o que” será feito, o processo efetivo de ações avaliativas. Já as normas vão dizer “como”, as regras do jogo, como se dará o processo. Ambos podem ser combinados entre professor e alunos.

Outros conceitos básicos importantes tratam de segmentar as avaliações em dois tipos em relação a sua duração: a pontual, ou seja, em que as ações avaliativas ocorrem em momentos separados entre si, indicados no cronograma e tratam de unidades ou temas específicos do programa da disciplina; ou a permanente, em que a avaliação é feita de forma contínua, regular, e toda participação e atuação dentro do curso faz parte da avaliação e consta do processo final.

Outro conceito básico para a teoria da avaliação: suas funções primordiais. Segundo ela, essas funções podem ser separadas entre: a) certificação, isto é, que o processo de avaliação ajude o estudante a chegar a um nível que foi determinado; b) seleção, ou seja, identificar as diferentes evoluções entre a turma, quem está seguindo, quem está com dificuldades, e, a partir disso, fazer as mediações necessárias; c) orientação, quer dizer, a comunicação dos resultados das peças avaliativas e dos diagnósticos percebidos; e d) motivação, isto é, atuar individualmente na busca da garantia do empenho, oferecendo o direcionamento necessário para a permanência e o êxito de cada estudante. Tendo tratado de alguns conceitos básicos, acredito que podemos passar para a segunda parte desse texto, que são as fases da avaliação. É importante dizer que todos esses critérios, funções e fases são aqui apresentados de uma forma bem ampla, de forma que servem apenas como um alicerce de ideias a partir do qual os professores podem adequar e contextualizar para suas realidades.

Para falar das fases, podemos dividi-las em oito principais.

A primeira seria a definição de objetivos: o que o tema da disciplina, ou da unidade curricular, traz de fundamental e de atualidade. O que sobre ele precisa ser de conhecimento de todos? O que é o mais importante? São perguntas necessárias para a definição de objetivos claros e sucintos. A segunda fase seria atribuir ao aluno o que ele deve fazer, isto é, que tipo de peças avaliativas serão propostas à turma para discussão.

A terceira fase seria definir os critérios, ou seja, tudo aquilo que definimos como critérios básicos de avaliação, como tratado acima; em quarto lugar, viria a definição de padrões de desempenho: o que será considerado bom? O que será considerado ótimo? E regular, ruim? Com essas quatro primeiras fases realizadas, estaria pronto o momento em que o professor trabalha sozinho, a partir de suas convicções e modelos.

A partir da quinta fase, a turma, os alunos, são os protagonistas. A quinta seria o recolhimento de informações iniciais, ou seja, o conhecimento prévio sobre a turma, a realidade dos estudantes, os perfis e contextos em que vivem; já na sexta fase viria a comparação dessas informações iniciais com os padrões desenhados, de forma a encontrar e ajustar inconsistências. A sétima fase seria a aplicação efetiva das ações avaliativas e a comunicação dos resultados; e a oitava o recebimento de feedback e o monitoramento individual.

Como dito, vemos que a definição dos critérios, funções e as fases da avaliação foi aqui tratado de forma bem aberta, como pilares fundamentais de uma definição bem livre do processo avaliativo. Por isso, é possível, a partir disso, como momento final deste texto, indicar os tipos de avaliação mais conhecidos e utilizados na nossa realidade educacional.

A partir dos estudos e leituras feitas nessa disciplina, elenquei 5 principais tipos de avaliação para apresentar aqui: a somativa, a diagnóstica, a mediadora, a autêntica e a formativa.

A avaliação somativa é, digamos ,a mais simples e mais comum. Trata-se da resposta à simples pergunta “o que o aluno aprendeu?”, e a partir das respostas e da definição dos padrões de desempenho, atribuir a cada estudante uma nota ou conceito na escala. Quanto maior, mais perto o aluno está da direção desejada. Ela pode ser feita de várias formas, mas a mais comum é a prova.

O tipo diagnóstico busca investigar a qualidade, e não a quantificação, do desempenho de cada aluno. Para isso, o foco é na visão prévia de cada estudante. O que havia antes? De onde esse aluno partiu? A partir dessas respostas, o professor avalia a evolução e pode sempre estar pronto e reconduzir ou reorientar o processo.

Já a avaliação mediadora vai ter o foco na interação constante entre quem ensina e quem aprende. Isso é feito a partir de comunicação contínua e efetiva, buscando o acompanhamento individual de cada aluno e a investigação sobre a sua evolução e seus caminhos.

A avaliação autêntica vai enfatizar as questões práticas, o “aprender fazendo”. Este tipo de avaliação busca ensinar o estudar o conteúdo aos estudantes a partir da realização de tarefas significativas do dia a dia, ou seja, da adequação ao seu contexto e da relação direta com seu cotidiano. Com isso, ele demonstrará sua capacidade e vai agir pela motivação e pela significação. É um tipo de avaliação muito utilizado na Educação Profissional.

Por último, a avaliação formativa. Trata-se da avaliação com ação constante, avaliando todo o percurso do estudante na disciplina ou no curso, focando na evolução de cada estudante. O professor, neste sentido, prevê tarefas, apresenta as peças avaliativas antes e as discute, busca o consenso, para que os alunos estejam, no momento de realizá-las, preparados e motivados. O objetivo principal é desencadear comportamentos; e, com isso, interpretá-los, comunicá-los e motivar sua continuidade ou ruptura. A comunicação e o acompanhamento são os centros dessa avaliação, incentivando o diálogo também o reajuste constante do planejamento e das ações.

Em suma, essa é a configuração ampla a partir da qual o professor estará bem informado e preparado para planejar sua avaliação e fazer com que ela cumpra o seu papel fundamental no processo formativo.


Bruno Lima

Doutor em Educação. Apaixonado desde sempre por ler e escrever. Morador e amante de Florianópolis e pai da Anna (humana) e do Amendoim (canino).
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/// @obvious, @obvioushp //Bruno Lima