Diarlene Duarte

...Não desista de sonhar...

Pensamentos de Luc Ferry em sua obra Aprender a Viver: Filosofia para novos tempos

Lutamos contra a ilusão e construímos um novo humanismo que se baseia no amor.



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O livro de Luc Ferry Aprendendo a viver: Filosofia para novos tempos, foi escrito a partir de um desafio proposto por conhecidos durante uma viagem. Mas antes disso acontecer, ele já se preocupava com a necessidade de livros nas bibliotecas que apresentassem questões filosóficas com linguagem acessível a pessoas leigas em filosofia e por consequência das circunstâncias, refloresceu em sua mente essa questão que antes já lhe intrigava a pensar numa possível solução. Foi uma oportunidade de desenvolver o que pensara antes, ao qual mergulhou nesse propósito que tão bem o fez, construindo uma obra secular que explica sobre a filosofia desde o pensamento grego ao contemporâneo, numa abordagem clara não comprometendo a essência das obras filosóficas mantendo um diálogo com os leitores no decorrer dos capítulos.

Em sua obra Ferry lança uma proposta de um novo humanismo que o autor, desde então, passa a ser um dos pensadores que dedicou com seu trabalho, em fazer as pessoas olharem para a filosofia de modo não vulgar, mantendo-se fiel ao pensamento filosófico, porém aperfeiçoando-os ao público.Despertando por meio disso, mais ainda a curiosidade e o interesse à filosofia, mostrando assim que ela nos auxilia na compreensão do mundo e do bem viver. O livro tem no total seis capítulos, porém aqui serão comentados apenas sobre os quatro primeiros.

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No primeiro capítulo “O que é a filosofia?” o autor sucinta essa emblemática pergunta filosófica, onde discorre que normalmente o pensamento mais comum que nos esbarramos diariamente está engajado a respostas engendradas a conceitos prévios e imediatos, caindo em um olhar desinteressante para com o que seja a filosofia e confusos conceitos sobre a essência do pensamento filosófico. Desse modo, acarreta numa desvalorização que a tão complexa questão traz em si que ao longo de muitos anos muitos filósofos se empenharam e ainda buscam por compreensão interrogando-se por tal prerrogativa que traz em seu cerne várias explicações.

Neste capítulo é tecido um viés de pensamento muito pertinente para as pessoas que ainda não entraram em contato com as obras filosóficas, mas também para aqueles que já são leitores ativos desse campo do conhecimento, e assim como o próprio autor pretende, não é somente uma obra que visa por um ponto final com o término da leitura do livro, mas que estima instigar novas experiências filosóficas ao leitor. Ele se concentra em alinhar questões recorrentes a finitude da vida humana e de salvação perante um receio primordial da humanidade: a morte. Nesse contexto, é discutido uma relação bastante problematizada: religião e filosofia. Ferry traz questionamentos acerca disso pois para ele isso compromete a sua liberdade, porém ele mais a frente destaca a importância da religião. O mesmo indica que diferente do que se pensam sobre a filosofia ser a arte do perguntar, ele destaca ser a arte das respostas. Desse modo, ele atenta para o hábito do leitor desempenhar, em manter o olhar com aptidão para o que os outros disseram e observar se é verossímil ou não, contudo para isso ocorrer é fundamental beber de fontes originais sem o comodismo de permanecerem somente em fontes de referencias a elas.

Por meio disso, ele não permanece numa visão teórica da filosofia repousando em abstrações, mas que no decorrer do livro se observará três dimensões da filosofia: teoria, moral ou ética (usadas como sinônimos perfeitos), salvação e sabedoria, permitindo que o leitor tenha uma visão prática do assunto tratado. Desse modo, é visto que, desde a antiguidade a religião tomou um papel com demasiada importância na vida das pessoas e diferentemente disso, os estóicos levaram as pessoas a discutirem sobre a figura divina da época.

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O próximo capítulo é “Um exemplo de filosofia antiga: O amor da Sabedoria segundo os Estóicos”. Aqui o autor discorre acerca da filosofia antiga e a tradição estóica, e sobre a escola estóica temos a razão como um meio de alcançar a sabedoria e esta última é o meio de alcançarmos a salvação. É discutido a respeito de três grandes dimensões da filosofia: Teoria, ética e sabedoria. O autor esclarece que apesar de ser adepto das correntes filosóficas reconhece a contribuição do cristianismo para a humanidade, pois a partir do cristianismo que se foram dadas novas respostas para questões que até então não eram encontradas.

O próximo capítulo que segue a sequencia é “A vitória do Cristianismo sobre a Filosofia Grega”. Como o próprio título sugere, nessa parte o autor se dedica a explicar que durante muito tempo o Cristianismo se sobrepôs à Filosofia. Como ponto de partida ele esclarece o porquê do livro ter um capítulo só dedicado ao Cristianismo já que à primeira vista, desde o início do livro, parece um tanto contraditório. Aqui também são citados alguns trechos do novo testamento. Assim, no quarto capítulo “O humanismo ou o surgimento da Filosofia Moderna”, inicialmente o autor faz uma breve recapitulação do que se foi discutido ao longo dos primeiros capítulos. O autor afirma então que para o surgimento da Filosofia moderna foi necessário que bem antes a cosmologia desmoronasse e a religião fosse melhor avaliada. Nesse capítulo são citados alguns filósofos, inclusive Immanuel Kant. A Filosofia Moderna, é um período de desconstrução de antigos paradigmas e Ferry faz então aqui a sua proposta de um novo humanismo, que é exatamente o que o livro vem propor. Diante de muitos tempos pelos quais a filosofia privilegiou a razão, agora temos uma geração diferente que vem desconstruindo isso. Lutamos contra a ilusão e construímos um novo humanismo que se baseia no amor.


Diarlene Duarte

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