fluxos e refluxos

Nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio. Heráclito, filósofo grego.

Cledilene Batista

Gosto de Politica, Filosofar, literatura, artes e musica. Mas também diversifico com outros interesses como cozinhar, fazer crochê, conversar com crianças e pessoas idosas...Com as crianças porque são lindas e inocentes e nos trazem doces lembranças, com os idosos porque nos trazem conhecimento, sabedoria, experiencia e também costumam ter um excelente humor.

Como somos hipócritas

Quem nunca ouviu noticias sobre menores em conflito com a lei que já roubaram, assaltaram e até mataram pessoas friamente? Essas más notícias geram uma grande comoção popular e o que vem imediatamente na cabeça das pessoas é "Esses meninos precisam ser punidos, eles fazem isso porque estão certos da impunidade".
Os meninos infratores, são de fato os unicos responsáveis pelos seus atos? Serão recuperados nas prisões brasileiras? servirão de exemplo para que outros meninos não se enveredem pelo caminho do crime?


11074922_934096506622099_1896878695_n.jpg Em pauta há muito tempo no Brasil, a Redução da maioridade penal volta à mesa de discusões e debates. Grupos fervorosos bradam que bandido tem que estar na cadeia, que as crianças e adolescentes em conflito com a lei não são simplesmente crianças e adolescentes, mas sim criminosos e devem ser tratados como tal, condenados e punidos. Por outro lado há um significativo grupo de pessoas que não aprova este pensamento por entender que esta redução não resulta necessariamente em redução de atos infracionais, da violencia e da criminalidade de um modo geral, e nem que ela acarretará uma recuperação do infrator. Pois bem, longe de almejar dar uma opinião fria e objetiva do contra ou a favor, entendo que se faz necessário fazer algumas ponderações sobre o tema, a saber:

  1. qual é o problema que temos no Brasi
  2. quem são os envolvidos e qual a responsabilidade de cada um deles
  3. o que deve ser feito.

Criminalidade, violencia, homicidios, trafico de drogas e roubos tem se tornado cada vez mais constante nas grandes cidades brasilerias e até em cidades de médio e pequeno porte. Cada vez mais meninos e meninas são envolvidos no mundo do crime e tem praticado atos infracionais tais como, assassinatos, roubos, trafico e consumo de drogas, causando insegurança e medo na população. As pessoas não sabem o que fazer nem o que pensar. Só sabem que algo precisa ser feito para barrar este avanço da criminalidade.

Neste cenário atuam a Família, que , muitas vezes, não possue as condições minimas de sobrevivencia, como moradia, emprego decente, saude, comida, educação (cultura, esporte, lazer). Não tem planejamento familiar e a velha historia do “onde come um come dois” continua. Os direitos mínimos prescritos na Constituição não são efetivamente assegurados à população; O Estado, que é quem deveria, de fato, assegurar que esses direitos minimos fossem uma realidade para as famílias brasileiras, não o faz, pelo contrário, se omite, faz vistas grossas, e ignora o problema; A sociedade civil, que não se envolve com o problema porque entende que não é com ela, a não ser que sofra alguma agressão na sua familia ai sim é hora de ir pra rua e pedir a redução da maioridade penal. E por fim, o próprio adolescente, que comete os atos infracionais referidos inicialmente neste texto, e que de certo modo também é responsavel pelos seus atos e poderia evitar se encaminhar para o mundo da criminalidade, mas na verdade ele não tem perspectiva de futuro, não acredita que a Educação pode lhe assegurar um futuro mais promissor do que sem ela. Não tem planos, não tem objetivos, não tem uma família que lhe der suporte e o auxilie na sua formação moral, intelectual e social e consequentemente o caminho mais curto, fácil e disponível para ele é as ruas, as companhias inadequadas. Se torna presa fácil de traficantes e pessoas mal intencionadas para os introduzir para o mundo do crime.

Assim, temos um panorama da real situação do Brasil e de quem participa dela: A família, a sociedade, o Estado e o próprio adolescente. Cada um desses agentes poderia fazer alguma coisa para, se não resolver, mas pelo menos amenizar o problema. À família caberia assumir a sua função de educar, orientar e contribuir positivamente para a formaçãos dos filhos, ser responsáveis por ele, não permitindo que fiquem na rua tarde da noite, acompanhá-los na escola. Ao Estado, caberia oferecer Saúde, Educação, emprego, salário digno e condizente com as necessidades da familia, ocupação para o jovem adolescente, oportunidades de estudo e trabalho decente. A sociedade civil também pode, e muito, dar a sua contribuição, pressionar as autoridades competentes para fazer cumprir à lei já que o Estatuto da Criança e do adolescente prever medidas socio educativas para o adolescente quando o mesmo pratica atos infracionais, prever abrigo para recuperar os meninos, mas quais as condições desses abrigos? Que recursos são destinados a eles? A sociedade deve acompanhar o seu funcionamento e exigir do governo que fiscalize, matenha e que tenha bons resultados. Por fim, o adolescente, Ahhh! O adolescente. Bom ele deveria ser mais responsável e escolher o caminho do bem.(mais quem o educou? quem o orientou? quais são as suas referencias de homem e mulher de bem?)

No final o que nos resta é esperar que cada um assuma a sua responsabilidade: O Estado, A Família, A sociedade, e o próprio adolescente. Exigir do Estado,inclusive dos nossos parlamentares, que eles sejam menos preguiçosos, mais proativos e sensatos e menos corruptos; esperar da Sociedade maior participação politica, envolvimento com as questões sociais; da familia contarmos com um comprometimento maior com a formação dos próprios filhos.

Nesta pespectiva, de fato é muito complicado, dificil, muito duro mesmo fazer com que cada um ASSUMA a sua responsabilidade. O crime do adolescente tem cumplices, mas como dizia minha mãe e a sua "a corda arrebenta no lado mais fraco" É mais fácil punir o adolescente pelos seus atos, colocá-los na cadeia aos dezesseis anos, depois aos catorze... e por ai vai... do que Enquadrar o Estado, A família e uma Sociedade omissa. Como somos hipócritas!!

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Cledilene Batista

Gosto de Politica, Filosofar, literatura, artes e musica. Mas também diversifico com outros interesses como cozinhar, fazer crochê, conversar com crianças e pessoas idosas...Com as crianças porque são lindas e inocentes e nos trazem doces lembranças, com os idosos porque nos trazem conhecimento, sabedoria, experiencia e também costumam ter um excelente humor. .
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