força oculta

uma viagem ao infinito

Adriana Socoloski

Ao papel atribuo a confiança e a caneta o dom de registrar... Escrever é necessário assim como respirar.

O narcisismo contemporâneo

Para conseguir atender as demandas da atual sociedade, muitas lágrimas vêm rolando. A estética contemporânea esta ultrapassando os limites da saúde. Nesta busca incansável pela perfeição, submetem-se a todo e qualquer tipo de “tratamento” e dietas, muitas vezes sem ao mesmo conhecer sua procedência, riscos e eficácia, no entanto em seu marketing prometem transforar Fionas em Barbies.


Drummond e narciso, poesia e mito, tão distantes e ao mesmo tempo excessivamente próximos, ambos tão antigos, no entanto tão vivos na contemporaneidade. A geração do selfie, do hoje, do agora, do egocentrismo, da vaidade, do poder, do status, do dinheiro. Em meio a tantos assombros, o ser humano se vê perdido, quanto a suas atitudes e visão de mundo. As marcas são quem regem as vidas, a aprovação de terceiros, tornou-se lei absoluta, os padrões foram distorcidos, o corpo virou algo de adoração e amuleto em busca da perfeição.

Dentro de uma sociedade tão complexa e tão doente os valores são relativos e a perfeição é absoluta, principalmente no quesito corpos esculturais e status cativantes. Na busca pelo corpo ideal, perdeu-se a noção do perigo, dentro de todo esse complexo narcisista, a paixão por si cega e destrói. A cada dia que passa a procura por procedimentos estéticos vem crescendo, de tal modo que torna-se assustador, são artifícios dos diversos níveis. A luta pelo corpo ideal faz com os indivíduos sacrifiquem suas vontades perante um lindo prato, passem horas e horas dentro de uma academia, utilizem medicamentos, cremes, massagens e por fim, a cirurgia plástica.

O mito de narciso leva a refletir sobre até que ponto a paixão pelo próprio eu torna-se valida e pertinente, já a poesia Eu, Etiqueta, extremamente rica de conceitos modernos, evidência o eu que não sou eu, sou um rótulo ambulante, rótulo este que receberá o valor que caberia a seu usuário. O mito em questão, enfatiza as principais características da geração contemporânea, dentre estas, a incapacidade de amar o próximo, mantendo-se focado na adoração de si próprio, a necessidade do reconhecimento pelo olhar do outro, o sentimento de superioridade e de perfeição, a supervalorização do sucesso, a super exploração de corpos, preocupações com a beleza física e a insensibilidade com os problemas e dificuldades enfrentadas pelos semelhantes. Uma forte evidencia deste contexto observou-se na poesia Eu, Etiqueta de Carlos Drummond de Andrade. Atualmente deparamo-nos com uma geração de indivíduos insatisfeitos com seus corpos. Tornando este problema ainda maior, julgam-se como seres excluídos da sociedade, pelo fato de estarem fora dos ditos “padrões”. Nesta busca incansável pela perfeição, submetem-se a todo e qualquer tipo de “tratamentos” e dietas, muitas vezes sem ao mesmo conhecer sua procedência, riscos e eficácia. O que causa um maior impacto é estas buscarem a inclusão social, não é a perfeição de seu corpo que eleva seu ego, mas sim a aprovação da “massa”. O sofrimento é inevitável em um mundo em que busca-se acima de tudo a aceitação, cultuando e adorando a beleza estética de forma gritante.

A sociedade contemporânea vê o corpo de uma forma diferenciada, antes era algo que deveria ser escondido, hoje por sua vez, ganhou um novo espaço, é valorizado, revelado e exibido. Para se ter uma boa “presença” torna-se fundamental, seguir os novos “moldes” , manter-se jovem, com aparência escultural. Neste mesmo contexto, envelhecer torna-se algo horrível, devastador, em que as pessoas lutam incansavelmente contra. O prazer de uma boa velhice é inexistente, esquece-se da incrível vitória, que é atravessar a vida e poder envelhecer de forma ativa, poder sentir orgulho de tudo que o fez em todos os momentos em que olhar para trás.

Para conseguir atender as demandas da atual sociedade, muitas lágrimas veem rolando. A estética contemporânea esta ultrapassando os limites da saúde. A procura pelo contentamento subjetivo, esta diretamente relacionada ao querer ser amado, aceito e valorizado, para atingir tais objetivos, faz-se uso da beleza de forma incondicional. A mídia esta fortemente aliada ao consumismo, de certo modo, ela é quem prepara os moldes para a sociedade adentrar. Vale ressaltar que esta busca demasiada pela beleza pode importunar o aparecimento de doenças físicas e psíquicas.

No mito de narciso, encontra-se a fiel relevância da adoração contemporânea. Narciso adorou-se e apaixonou-se por si próprio, este sendo o motivo de sua perdição, e o que vem acontecendo atualmente não difere-se muito. Neste vasto mundo com muita facilidade encontram-se pessoas, que assim com Narciso, idolatram a imagem que o espelho reflete, para atingir a perfeição, cegam-se e atiram para todos os lados. Partindo deste desespero é comum encontramos casos mais intensos que finalizam-se do mesmo em que o mito encerou-se, com a morte. Pode-se considerar a sociedade atual , como narcisista e possuidora dos argumentos presentes na poesia Eu, Etiqueta. Ambas as narrativas levam-nos a compreender um eu doente, que necessita de aprovações absurdas para elevar o seu ego. bluerosesapp_201712144946122.jpg


Adriana Socoloski

Ao papel atribuo a confiança e a caneta o dom de registrar... Escrever é necessário assim como respirar. .
Saiba como escrever na obvious.
version 4/s/literatura// //Adriana Socoloski