fragmentos

Da crítica literária à Literatura crítica

Artur Custodio

Professor de literatura e português. Especialista em Cultura e Literatura.

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    Aula de alta potência: O deslocamento do parâmetro intelectual na educação

    A quem excluímos quando optamos por uma aula mediana, que contempla apenas alunos de carga cultural deficitária, e a quem excluímos quando optamos por uma aula de alta potência, que provoque e desafie alunos de boa carga cultural? Esse artigo tenta mostrar que a aula de alta potência sempre vai ser o modelo mais produtivo de construção de conhecimento para todos.

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    Dez dicas para uma aula honesta de literatura

    Uma proposta didática para uma aula honesta de literatura.

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    O surrealismo, o sincretismo e o real-maravilhoso no Reino deste mundo, de Alejo Carpentier

    Numa cultura naturalmente surrealista, nasce o real-maravilhoso de Alejo Carpentier. De uma mistura mística de religiões, história e imaginação, surge "O Reino deste Mundo", contando de uma maneira peculiar a independência do Haiti.

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    Contraponto (1928), o romance-sinfonia, de Aldous Huxley

    Um romance de ideias, uma sonata literária. Huxley inova o padrão estético da literatura em "O contraponto", uma revolução no pensamento literário do século XX.

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    Negrinha, de Monteiro Lobato: a materialidade da opressão

    Racismo ou denúncia de uma sociedade racista? Negrinha, o polêmico e (quase) censurado conto de Monteiro Lobato.

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    A Torre de Babel: o poder da linguagem

    O episódio da Torre de Babel, relatado na Bíblia, mostra que tão ou mais forte que o dilúvio e tão poderoso, ao ponto de aterrorizar o próprio Deus, é o domínio do homem sobre a sua linguagem.

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    Os Indiferentes, de Alberto Moravia: As máscaras hipócritas de uma cena familiar

    Num jogo em que todos conhecem as máscaras de todos, a hipocrisia é a representação mais clara da indiferença humana. Em "Os Indiferentes", de Alberto Morávia, essa incapacidade de reação de uma família de classe média é evidenciada num romance de máscaras ao estilo Commedia dell Arte, em que as personagens encenam suas falsidades de uma maneira tão caricata, que não conseguem esconder a falência das instituições que compõem a sociedade.

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    O Estrangeiro, de Albert Camus: O romance do absurdo

    Um mundo indiferente, uma vida existencialista e um assassinato banal. Esses são os ingredientes para um romance aparentemente simples, mas que desenvolve uma complexa teoria do absurdo. Albert Camus, em "O Estrangeiro", constrói em sua personagem principal, Sr. Meursault, uma figura absurdista, que mostra a crise do homem do seu tempo: um homem sem projeto pré-dado, sem destino e, principalmente, sem sentido algum na sua existência.

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    A Imortalidade da Alma: as diferenças, na estética verbal, entre corpo, alma e espírito diante da morte

    A construção da ideia de corpo, alma e espírito perpassa os tempos como um dos grandes temas da humanidade. Dentro desse recorte surgem doutrinas, crenças e religiões. Porém, na estética verbal, esses três conceitos podem ser muito bem definidos. Esse artigo tenta explicá-los, além de buscar o devido entendimento do porquê a alma de alguém permanece tão viva na memória do outro, mesmo após a morte.

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    A Falácia do Amor Próprio: o subterfúgio egoísta do instinto de conservação

    Instinto de conservação ou amor próprio? Quando você internaliza aforismos como "ame a si mesmo acima de tudo" ou "o amor mais importante é o amor próprio", está confundindo amor com instinto de conservação. Esse artigo procura provar que só é possível existir amor na presença do outro, fora isso é apenas um ato de resistência.

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    O Meu Eu-Herói: O problema dos perfis em redes sociais, na atividade estética

    Para Bakhtin, "O artista que luta por uma imagem determinada e estável de um herói luta, em larga medida, consigo mesmo”. Muitas vezes, nossa imagem, nas redes sociais, toma proporções de uma criação artística. Ao ponto de confundir nossa própria realidade com essa criação, transformando-nos numa espécie de eu-herói. Essa ideia pode nos gerar uma perda de identidade e grandes frustrações.

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    As três engrenagens: o sistema de trocas da sociedade

    Engrenagens são um sistema cooperativo de rodas dentadas, que possuem sua força individual, mas que, em conjunto, produzem um efeito maior, fonte do funcionamento do mecanismo. A sociedade é basicamente mantida por três engrenagens: a linguagem, a economia e os relacionamentos. No entanto, elas precisam de uma constante manutenção e reavaliação. Para isso, é importante entender como funciona esse sistema de trocas, para potencializar a máquina social.

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    Goethe! (2010): O Desaparecimento do autor diante do surgimento do herói

    O signo é uma coisa que representa outra coisa. A Arte, constantemente, produz uma enxurrada de signos. Tudo nela é representação. Em Goethe!, de Philipp STÖLZL, parte da vida de Johann Wolfgang Von Goethe, mais precisamente no período em que escreve “Os Sofrimentos do Jovem Werther” (1774) é contada de uma maneira repleta de nuances significativas. Goethe seria o signo que representa Werther, no filme, porém, Werther também é uma representação de um emaranhado de objetos da vida de Goethe, o autor. Sem considerar ainda que o Goethe-Werther do filme é uma criação do diretor Philipp Stölzl. Isso gera uma combinação praticamente infinita de representações, mostrando que, de fato, o mundo é semântico e que o objeto representado também é um signo representativo. Dessa forma, o filme presta uma ideia de resistência do nome do autor, mesmo no desaparecimento de sua individualidade frente à sua personagem.

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    Pero Vaz de Caminha e As Meninas da Gare

    Os nativos, desde o primeiro dia de estada dos portugueses nessa terra, foram o objeto de maior interesse de Pero Vaz de Caminha. As diferenças, a ingenuidade, tudo isso o atraiu. No entanto, as moças despertaram no escrivão um interesse especial. Caminha, ao ver as nativas nuas, tinha não só um olhar antropológico, mas também sexualizado delas. Isso deixa marcas na construção da identidade nacional. O Brasil é constantemente apontado como um dos países com maior turismo sexual, um lugar onde as nativas ainda sofrem com um desproporcional abuso do homem branco. Colhemos hoje o fruto maduro de uma lenta, complexa e dolorida gestação de nossa história de país colonizado.

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    Sociedade dos Poetas Mortos: o Enigma Velado

    Aristóteles diz que "as metáforas são enigmas velados" e a percepção delas depende muito da carga cultural e do conhecimento linguístico do interlocutor. Em "Sociedade dos Poetas Mortos", de Peter Weir, há, pelo menos duas leituras possíveis da obra: a primeira, mais conhecida, de uma crítica ao sistema de ensino ortodoxo e um elogio aos métodos vanguardistas didáticos. A segunda, mais velada, uma ode ao movimento Romântico, seus poetas e suas personagens. Ao perceber isso, o enredo toma proporções simbólicas muito maiores do que a aparente, mostrando o quão rico e sutil é a composição de um clássico.