fragmentos públicos

Frases soltas que todos ouvem, mas não percebem.

Danilo Brandão

Estudante de jornalismo. Já foi pseudônimo, hoje prefere mostrar-se ao mundo. Literatura e cinema. Na dúvida: escreva.

Nós: fabricadores de violência

Somos os maiores fabricantes de violência. Quase tudo que fazemos ou dizemos pode ser gerar algum mal para alguém. Há pessoas que são privilegiadas. Outras nem tanto. Essa é a fábrica de violência.


Violência.jpg Vivemos na violência, de todos os tipos.

Vivemos a violência. Somos a violência. Somos violentos por natureza. Nos organizamos dessa forma. Só os mais fortes sobrevivem, ou aqueles socialmente privilegiados. Talvez seja desnecessário explicitar aqui quais são os grupos que tem o monopólio da virtude em nossa sociedade. Com certeza não é.

A luta é necessária. Essa luta não é da esquerda, como muitos dizem. Não é da direita. Essa luta é nossa. A sua ideologia política não tem importância aqui. Lutamos por um mundo mais humano. E a economia pouco importa aqui. Um mundo onde a violência seja subjugada. Seja maltratada. Um mundo onde os agressores ativos, aqueles que obtém prazer em praticar tais atos, sejam jogados no ostracismo. Assim como fazem com as vítimas de hoje.

Heteronormatividade. Ódio contra os negros. Machismo. Ditadura da beleza. Todos esses paradigmas devem ser ultrapassados. Empatia. Essa é a palavra necessária para recrutar pessoas que lutem nessa guerra. Temos que mudar o foco das nossas vidas. Temos que mudar a narrativa para a terceira pessoa e nos colocarmos no lugar das pessoas que sofrem com essa organização, as pessoas que não se encaixam nesse padrão invisível, nessa barreira de ascensão social. A normatização da violência é nosso maior perigo. Pois violência não são apenas agressões físicas ou verbais. Trata-se de algo muito maior. Ao ser subjugada, uma mulher é marcada para sempre. Ao sofrer algum tipo de assédio, um homossexual vê a sua visão de mundo transformar-se. Ao sentir-se inferior pela cor de sua pele, o negro vê escorrer, junto com sua lágrima, anos de escravidão e sofrimento. A violência não é normal, é apenas o produto de uma sociedade cheia de padrões e paradigmas. Aos nascermos o nosso comportamento já está pré definido. Mas há pessoas que desafiam isso. Elas são incríveis e merecem muito mais do que o nosso respeito.

É a hora de sermos a mulher transsexual que é exposta a diversas violências ao sair na rua. Essa mulher que procura o seu padrão. Que vive ao seu modo. E, por buscar a sua verdade, corre o risco de ser espancada na rua. É a hora de sermos o menino negro que, por ter nascido longe do progresso, lá mesmo, na periferia, corre o risco de tomar um tiro ao sair de casa. Ele é obrigado a ouvir diversas tipos de piadas sobre como é engraçado ser pobre e negro. É a hora de sermos a menina que não se encaixa nos padrões de beleza dos comerciais de cerveja. Essa menina que quer ter o seu corpo. Quer ter o seu cabelo. O ter o seu modo de se vestir. Essa menina que não quer saber o que os homens vão achar dela. Ela quer ser ela. É a hora de sermos a mulher negra que é obrigada a ouvir todos os tipos de gracejos sobre o seu cabelo e largar um sorriso de canto de boca, sofrendo por dentro. É sim a hora de sermos o homossexual que é impedido de ser livre na rua, por medo de apanhar. É a hora de sermos o morador de rua que é invisível para todos. É hora de sermos o índio que não tem sua cultura respeitada.

É necessário mudar a posição da câmera. Todos nós somos privilegiados de alguma maneira. O homem negro. A mulher branca. O homossexual rico. Não é porque sofremos preconceito por alguma coisa que ficamos mais humanos, que temos mais empatia. Por isso não é fácil abrirmos mão de nossos privilégios. Mas é necessário. Por um mundo mais humano. Pelo fim da fábrica de violência!


Danilo Brandão

Estudante de jornalismo. Já foi pseudônimo, hoje prefere mostrar-se ao mundo. Literatura e cinema. Na dúvida: escreva. .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// @obvious, @obvioushp //Danilo Brandão