fritei mas não consegui dar um nome

Eu prefiro ser uma floresta do que uma estrada.

Mayara Franco

Fã de redes sociais ao vivo e em cores, daquelas que vamos pro bar e só saímos por último. Engenheira com um pé na comunicação, capricorniana, nacionalista e que acredita no futuro da humanidade. Por favor, agora um cappuccino!

A visão “Divergente” em “O Doador de Memórias”

Sobre a capacidade de enxergar além daquilo que nos é mostrado.


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Ao varrer o menu do Telecine Play, tive o prazer de não somente passar o olho, mas clicar e assistir ao filme “ O Doador de Memórias” ou “The Giver”, título original devido à sua origem estadunidense e baseada no livro de Lois Lowry “The Giver” de 1993. Com uma duração de aproximadamente 1h e 37min e dirigido por Phillip Noyce, o filme envolto por drama e ficção científica traz, nas entrelinhas, uma comunidade que lembra o sistema de facções da série “Divergente”.

Nessa comunidade, regida pela anciã-chefe Elder, interpretada por Maryl Streep, os jovens vivem em famílias montadas, não necessariamente com seus pais biológicos e quando atingem a idade da graduação, recebem dos anciãos uma atribuição de acordo com a sua personalidade, uma profissão a ser desempenhada, lembrando as facções da futurista Chicago.

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Aqui, dentre as possíveis profissões, tem-se a de trabalhar no centro cuidando de bebês, pilotar drones e receber as memórias passadas. Entretanto, para essa última, o indivíduo deveria se encaixar em todas as profissões, desta forma, como um “ser a parte, ou um divergente” receberia a função de ser o guardião de memórias, atribuição dada ao jovem Jonas (Brenton Thwaites).

Jonas mora em uma comunidade onde as emoções foram banidas, as pessoas tomam injeções matinais para raciocinarem conforme as leis, apresentam comportamentos metódicos, automáticos e sem qualquer base emocional. A população vive num verdadeiro cercado em preto e branco – visivelmente notado pelo espectador – onde não se conhece além dos limites estabelecidos pela anciã-chefe.

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Após designada sua profissão de guardião de memórias, Jonas começa então seu treinamento com o então ancião doador das memórias (vivido pelo ator Jeff Bridges). Ao conhecer sobre as emoções, aprender sobre a real natureza do ser humano, em suas duas versões (boa e má), Jonas se alegre e sofre com as memórias que lhes são concedidas. Mas, por outro lado, começa a questionar o sistema adotado na comunidade, onde a população é manipulada e apresenta um comportamento genuinamente unilateral por não possuir lembranças e memórias passadas. Além disso, ao passo que o personagem vai tendo contato com as memórias, o cenário do filme, na visão do mesmo, deixa de ser monocromática e ganha vida através das cores.

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Tendo como gatilho a possível morte de seu “irmãozinho” (Gabe), Jonas começa a sua aventura na busca pelo resgate das emoções para a comunidade e em abrir os olhos daquelas pessoas. Para ele, resgatar o verdadeiro ser humano, com todas as suas virtudes e seus defeitos, trará uma sociedade não mais engessada e melhor, bem como, evitará a morte de Gabe.

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Assim, como na série “Divergent”, onde Tris Prior (Shailene Woodley) começa a questionar e coloca em risco o sistema de facções, que tem sob comando Jeanine Matthews (interpretada por Kate Winslet), em “The Giver”, Jonas questiona, supera suas dificuldadade e coloca em risco as leis do funcionamento da comunidade em que vive em busca de um ambiente menos controlador, mais livre e justo.

Apesar das origens e das diferentes histórias de vida dos personagens, ambos são vistos como verdadeiros perigos para o sistema e ambos souberam enxergar além dos limites estabelecidos.

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A visão “Divergente”, nada mais nada menos, é a capacidade de enxergar além daquilo que nos é mostrado, procurando melhorar o meio que vivemos, não aceitar tudo que ouvimos como uma verdade universal, vencer nossos medos, ultrapassar nossos limites (sejam eles físicos ou psicológicos, como em ambos os casos), saber quem somos e superar nossas dificuldades. A capacidade de transcender é inerente ao ser humano, o lance é controlar o medo e se preencher de coragem.

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Mayara Franco

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