fugere urbem

Entre a entrelinhas das coisas simples

Thaís Rigueira

Formada em Letras, aprecia literatura, música, fotografia, pintura, liberdade e coisas simples. Acredita que a simplicidade deveria ser virtude fundamental do ser humano

As flores de plástico não morrem?

O tempo vai passar, vai correr, vai estar presente em tudo que fizeres. Mas a pergunta que não quer calar: Que tipo de flor você desejaria ter sido?


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É bem verdade que possivelmente grande parte do público feminino já se derreteu ao ganhar um buquê de flores. Mas a questão não é quem gosta ou não de flores, de rosas, de buquês e afins, a questão é o valor de uma pessoa enquanto flor, numa perspectiva metafórica... As flores são bens não duráveis que nunca enfeitarão por muito tempo um ambiente. As flores servirão apenas por uma semana e logo ficarão feias e murchas e sem nenhuma necessidade de adorno.

Então, eis que uma vez escutei: As flores de plástico são muito mais úteis e nunca morrem!

Deveras! Flores de plástico serão sempre lindas, e se você cuidar direitinho, não deixando acumular poeira, longe do calor e da umidade, sim... essas flores continuarão lindas e impecáveis por anos a fio. Essas flores vão estar na sala, na varanda, na sala de jantar. Vão estar onde você preferir que elas estejam. E vão esperar que você faça a limpeza daquela poeirinha que acumulou. Sempre estarão esperando a sua vontade.

A verdade é que flores reais são como pessoas. Flores de plástico, infelizmente, também são.

Podemos separá-las em dois grupos: as verdadeiras e as artificiais. Conhecemos uma infinidade de biótipos e personalidades. Alguns, verdadeiros, outros, artificiais.

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Há pessoas que enquanto flores reais tem seu prazo de validade e deixam que o tempo permaneça e flua em seu cotidiano. Não se importam se um dia “murchar”, o que vai valer é o curto (e valioso) espaço de sua permanência. Mas também há pessoas que enquanto flores artificiais tem uma preocupação absurda com o tempo, com os anos, com a aparência. Não murcham, não sentem, são frias, frígidas, indiferentes e desprovidas de feições sinceras.

O que cabe aqui não é o valor sentimental dos dois distintos grupos florais, mas o valor do tempo.

As flores reais são peculiares: quando começamos a nos acostumar com a presença delas, elas se vão, dando lugar a lembrança nostálgica da semana que em que estiveram na nossa companhia. Dão lugar a outras, de fato, mas que jamais serão as mesmas, nem elas, nem as situações. As flores de plástico são feitas em moldes que servem para fazer um milhão de flores iguais. Criam-se tipos de flores que nem existem, moldam-se a nossos gostos, empoeiram-se, amarelam-se e por fim, são esquecidas.

E aí pensamos como o tempo pode deteriorar tudo, não importa se aparentemente ou sentimentalmente. O tempo deteriora até o que parece infindável. O tempo apenas difere pra cada um, pra cada ser, pra cada flor, sejam as reais, sejam as artificiais.

Mas o que vai importar é: que tipo de flor você foi?

Porque as flores reais tem curto prazo de vida. Isso é fato.

Mas acredite... as flores de plásticos também morrem.


Thaís Rigueira

Formada em Letras, aprecia literatura, música, fotografia, pintura, liberdade e coisas simples. Acredita que a simplicidade deveria ser virtude fundamental do ser humano.
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