Mary Olliveira

Mineira, publicitária, maníaca por cafés quentes, cores azedas, romances açucarados, verões salgado e pessoas... pessoas de todos os gostos!

O batismo de Katrina

A natureza humana exige definição. E não bastasse termos o hábito de dar nomes as coisas, existem por aí aqueles que, como eu, cismam em se perguntar o porquê de certos nomes. Devastadores, inconstantes e temperamentais os furacões como o Katrina, não foram batizados com nome de mulher por uma simples questão de semelhança.


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Definir, especificar, nomear... Necessidades humanas que de tão básicas, poderiam muito bem ser consideradas fisiológicas – não fosse, é claro, uma simples questão de semântica. E, não bastasse termos o hábito de dar nomes as coisas, existem por aí aqueles que, como eu, cismam em se perguntar o porquê de certos nomes.

Não, não estou falando sobre perguntas como: Por que o limão se chama limão e não verde, já que as laranjas chamam-se laranjas, em alusão a sua cor - ou teria sido a cor batizada de alaranjado em alusão á fruta? Enfim, refiro-me aqui à coisas como o furacão Katrina, tempestade tropical com ventos de cerca de 280 quilômetros por hora que atingiu o litoral sul dos EUA, devastando a região metropolitana de Nova Orleans, no final de 2005.

O Katrina foi a décima primeira tempestade, de 2005, a ganhar nome, sendo o quarto furacão nomeado deste ano. Mas porque Katrina? Diriam as más línguas, que furacões têm nomes femininos por serem devastadores, inconstantes e temperamentais. Mas apesar de certas mulheres não deixarem pedra sobre pedra por onde passam, bem como nem toda mulher tem a magnitude de um furacão, hoje em dia, nem todo furacão tem nome de mulher.

Não que fossem considerados dádivas dos céus, mas nos primeiros registros de que se tem notícia, os furacões eram batizados com o nome do santo patrono do dia em que ocorriam. Alguns anos mais tarde, esses desastres naturais passaram a ser identificados com as coordenadas geográficas – latitude e longitude - de onde ocorriam, o que tornou a referência confusa para os “pobres mortais comuns”.

Assim, em meados do ano de 1951, os furacões começaram a ganhar nome de gente, os meteorologistas usavam designações femininas, como forma de homenagear suas esposas e/ou mães. Em 1953, o hábito virou norma e daí em diante todos os furacões passaram a ter nome de gente. Por volta da década de 70 – em razão da luta por igualdade de gêneros, creio eu – começam a ser sugeridos nomes masculinos. Nesta mesma década a WMO - Organização Meteorológica Mundial - criou cinco comitês que monitoram os mares, cada comitê criou regras para por assim dizer “batizar” os furacões.

Em geral esses comitês possuem listas de nomes pré-definidos. Para a área do Caribe, golfo do México e norte do Atlântico existem seis listas, cada uma delas com vinte e um nomes. Organizados em ordem alfabética, não incluem palavras começadas com as letras q, u, x, y e z e são alternados nomes masculinos e femininos. Por ser a região um tipo de “point” dos ventos, daí vem os nomes dos furacões que mais ouvimos falar.

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As listas são rotativas e de seis em seis anos os nomes se repetem. Contudo, furacões que excedem a média de danos e causam tragédias inigualáveis e feridas irremediáveis tem seu nome de batismo banido da lista. Talvez, porque tenhamos esperanças de que um Katrina, um Andrew ou um Patrícia jamais passe por nossas vidas novamente.


Mary Olliveira

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