Erick Morais

Um menestrel caminhando pelas ruas solitárias da vida

O amor só é lindo quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser

O amor é para quem tem paciência. É para quem tem coragem de ser a razão do sorriso do outro. É para quem se esforça para ganhar mais sorrisos, pois os sorrisos de um amor são como poemas na alma.


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Amar. Verbo difícil de ser conjugado. Difícil de aprender, mais difícil ainda ensinar. Mas precisamos dele e, assim, não temos como deixá-lo de lado. Apesar de ser difícil entender tudo que ele faz conosco. Noites perdidas, choros, soluços e uma porção de coisas que não conseguimos nem definir. Tudo parece tão bonito quando se ama e se é assim, por que não amar?

Eu digo. Porque amar traz dor de cabeça. Amar dá trabalho. E quem está disposto a se esforçar? Queremos um amor do tipo mala com rodas, daqueles que não nos demandam força. Talvez, seja por isso que nos encontramos em relacionamentos tão vazios e sem vida.

Queremos alguém que se encaixe perfeitamente em nossas vidas. É como se estivéssemos em uma entrevista analisando o melhor currículo. Se o candidato aparenta algum problema, logo tratamos de dispensá-lo. Afinal, não queremos ficar com alguém que nos traga problemas. Queremos, como diz o povo, “uma árvore com sombra”.

Mas, e aí? O que isso garante? Um relacionamento estável? Uma troca de conveniências? Provavelmente, mas nada substitui o amor. Amor de verdade, não desse tipo. Daqueles que tiram o sono, que nos faz renegar a vida sem o ser amado, que provoca choros e soluços. Pois, o outro é cheio de defeitos e erros. E ainda assim o amamos.

Amamos, como diria Nietzsche, porque estamos habituados a amar. Mais que isso. Porque reconhecemos no outro as nossas fraquezas. Quem ama é humilde para reconhecer que possui inúmeros defeitos e, ao contrário do que pensam, enxergar os pormenores dos defeitos do outro.

Enxerga e não se conforma com a situação. Pelo contrário, busca melhorar. Se livrar dos vícios que o afastam do ser amado. Reconhece que tem defeitos e que o outro também tem, mas não se dobra a eles. Tenta fazer deles seus escravos. Uma vez que a beleza do amor está em torna-se alguém melhor para o ser amado. Isto é, extinguir todas as barreiras que o afastam do outro.

Não é prepotente para dizer me aceite como eu sou. Tem coragem para amar e estar ao lado do outro como o melhor que pode ser. Portanto, se esforça. Sem medo mergulha em águas profundas a procura da beleza que só o fundo do oceano pode ter.

Não tem medo de ligar de madrugada, se for para dizer eu te amo. Sabe que a cada dia pode melhorar e melhora. Não porque existe uma obrigação, mas porque a vida nos dá oportunidades e não é pela preguiça e conformismo que devemos deixá-las passar. Deixar passar a oportunidade de ser importante para alguém de verdade e em cada suspiro ter o seu eu junto.

Amar é superar os obstáculos unidos. É saber caminhar de mãos dadas, e quando necessário, carregar o outro no colo. Amar não é ter alguém pronto ou perfeito. Amar é estar disposto a se tornar perfeito para o outro. É não ter orgulho para pedir desculpas e chorar se for necessário. Amor é muito mais do que um contrato ou uma seleção.

Amor é para quem não tem medo de sustentar sua existência além de si mesmo. É para aqueles que gostam de mochilas sem rodas. É para que tem no abraço do outro um refúgio que livra de todos os medos. É para quem não tem medo de se envolver, de estar junto e lutar dia a dia lado a lado. É para quem entende que o amor tem beleza própria, a qual nos faz belos.

Amar é um desafio, a qual nem todos conseguem passar. E por isso procuram opções mais fáceis, mais rápidas. Mas, o amor é para quem tem paciência. É para quem tem coragem de ser a razão do sorriso do outro. É para quem se esforça para ganhar mais sorrisos, pois os sorrisos de um amor são como poemas na alma. É para operários que não têm medo de se sujar, pois

“O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.”


Erick Morais

Um menestrel caminhando pelas ruas solitárias da vida.
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