Erick Morais

Um menestrel caminhando pelas ruas solitárias da vida

Quando a ditadura é um fato, a revolução é um dever

"Chega sempre a hora em que não basta apenas protestar: após a filosofia, a ação é indispensável."

— Victor Hugo.


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Se restava alguma dúvida de que a corrupção política no Brasil é um caso generalizado, e não inerente à apenas um partido, acredito que com os últimos desdobramentos da operação lava-jato, ela acabou. Está mais do que evidente que a corrupção atinge estruturalmente a classe política, sobretudo, os grandes partidos que há décadas comandam o país.

Todos possuem o direito de acreditar em uma ideologia, uma ideia de mundo, um projeto político e na democracia representativa isso se consubstancia em acreditar em um partido político. No entanto, continuar a acreditar que os partidos em tela nos noticiários são capazes de fazer jus à soberania popular é no mínimo uma grande ingenuidade. Do mesmo modo que continuar a defendê-los apenas contribui para a sua manutenção.

Estamos em um momento em que é preciso romper com as amarras que veneramos e encontrar o laço que nos une, como disse Milton Santos. O estado de ódio que se instalou no país é tão somente mais um subterfúgio utilizado pelos saqueadores da nação para que estejamos cada vez mais fragmentados e incapazes, por conseguinte, de nos organizarmos e nos unirmos.

O Brasil é um país extremamente desigual, então, obviamente existem grandes diferenças sociais, econômicas, ideológicas, etc., entretanto, precisamos ter a capacidade de compreender que a própria manutenção dessa estrutura desigual e, portanto, desumana, é fruto de um projeto político que busca continuadamente a manutenção de uma minoria gozando dos confortos da casa grande, enquanto a grande maioria “vive” nas pelejas da senzala. O que, em outras palavras, significa provocar, como fez Bauman recentemente – “Se a riqueza de poucos beneficia todos nós?”.

Sendo assim, é necessário que estejamos conscientes de que o modus operandi da política tupiniquim precisa ser alterada. Isto é, que as bases precisam ser modificadas, para que possamos ter condições reais de cobrar da classe política que ela exerça as suas funções de forma democrática, cumprindo com a carta magna – tirando-a da sua ficção jurídica – e agindo incisivamente para que a estrutura desigual supracitada seja superada, já que é a partir da miséria e da ignorância, principalmente, que os sanguessugas se proliferam.

Entretanto, por mais que a maior parte das pessoas pareça esclarecida e preocupada com o desenvolvimento como um todo do país, e não somente da sua classe, o que ainda falta para que tomemos as ruas? Será que o que ocorre agora é menos grave do que na época do impeachment? Ou apenas preferimos permanecer com as nossas alienações políticas? A realidade é que se nós ainda permanecemos fragmentados, certo é que a classe política tem procurado se unir, a fim de costurar “acordãos” e impedir que suas siglas sejam dizimadas e nas próximas eleições estejam a todo vapor na conquista de mais um caneco, digo, mandato.

Dessa maneira, a meu ver, já há mais do que motivos para que a sociedade como um todo se una, tome as ruas e exija mudanças estruturais na organização do Estado. Todavia, a maioria das pessoas, contrariando a ideia de que são “esclarecidas”, acreditam que a simples troca de jogadores resolverá o problema de um jogo totalmente equivocado. E, assim, os jogadores poderão até mudar, mas o público desse “espetáculo” continuará sendo ludicamente enganado.

Posto que chegamos à conclusão de que as bases em que a política do país estão hoje assentadas são incompatíveis com um regime que se pretende democrático, torna-se imprescindível, então, também entender que vivemos na ditadura do capital, em que classe política e poder empresarial imbricam-se para construir muralhas de proteção ao redor do seu poder e riqueza, enquanto nós lutamos pela nossa sobrevivência fora desses muros fortificados. Contudo, ainda que eles sejam fortes, se nós realmente tomarmos consciência da nossa condição enquanto brasileiros e formos constantes, podemos tomar o castelo, porque o poder emana do povo e é o povo que não o tendo deve buscá-lo, pois como disse um certo poeta: “Quando a ditadura é um fato, a revolução é um dever”.


Erick Morais

Um menestrel caminhando pelas ruas solitárias da vida.
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