girafa de gavetas

artigos e textos diversos sobre artes

Mara Paulina Arruda

Mádiosanto como esse homem trabalhou!!

Anita malfatti e a coragem de ser

Análise sobre Anita malfatti e sua pintura Expressionista. Análise de um dos maiores fenomenos da Arte brasileira da década de 1920 e de uma mulher corajosa num tempo em que tudo dizia para ela ser comum, como todas as outras mulheres.


A pintora Anita Malfatti nascida em São Paulo em 1889, falecida em 1964, não conviveu com Simone de Beauvoir e muito menos com as discussões a cerca da questão de gênero mas, certamente, era uma delas. Conviveu e fez parte do grupo que deu o primeiro passo a uma arte sobremaneira que retratasse o Brasil. Uma artista excepcional e feminista num tempo de transformações no país e de preconceitos em relação a sua postura independente de mulher e artista. Anita Malfatti iniciou os estudos de pintura com 13anos. Aos 17 anos ensinou pintura ás crianças. Em 1910 foi para a Alemanha e conheceu o Grupo Die Brucke famoso por suas exposições Expressionistas.Sentiu na própria carne o assombro e o desespero da primeira guerra. Em 1915 de volta ao Brasil conseguiu uma bolsa de estudos e partiu para Nova York e lá se encantou com a exposição -A Armony Show- organizada por Robert Henry. Matriculou-se no Independent School of Art e ali foi expandindo sua visão de arte, de pintura e de mundo. Em 1916 Anita Malfatti voltou para o Brasil trazendo telas que escandalizaram o público. Com uma vertente expressionista, extremamente colorida e fora dos padrões clássicos: movimento,olhares, cabelos e fundos totalmente diferentes dos vistos até aquele tempo. Títulos originais, irônicos: A boba, A estudante russa, O homem amarelo, Mulher de Cabelos verdes... Em 1922 participou da semana de Arte Moderna com Mario de Andrade, Oswald de Andrade e outros poetas e artistas. Monteiro Lobato, escritor, fez artigos desvalorizando a arte de Anita deixando-a triste por alguns anos. Em 1921, Mario de Andrade que foi o seu grande amigo e correspondente escreveu sobre a pintura de Anita Malfatti fazendo com que ela retornasse a pintura. E, ela retribuiu, retratando-o com diferentes expressões. Em 1930 ajudou a fundar a SPAM –Sociedade Pró-Arte Moderna, montou a primeira exposição de arte com trabalhos dos seus alunos e elaborou um curso de História de Arte no Rio de Janeiro. Anita Malfatti além de ser teve a coragem de ser. Pensemos na década de 1920, de um Brasil que vivia o início da República onde a colonização européia era o ápice das elites. Pensemos nas mulheres que bordavam e esperavam os maridos, pensemos nas artes que eram retratadas ao modo clássico sob medidas e padrões. Pensemos no ponto de vista dos homens sobre a coragem destas se exporem ao público... Pensemos nesta artista que participou da I Bienal Internacional de Artes de São Paulo e viveu até os últimos dias de sua vida uma vida independente, moderna e consciente de sua postura, corajosamente feminina, no mundo das Artes e da história.


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