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Graziele Lima

A semelhança cultural e a indumentária dos incas, maias e astecas

A Era pré-colombiana diz respeito à história das Américas antes do aparecimento dos europeus, abrangendo os povos do Paleolítico Superior até a colonização que ocorreu na Idade Moderna (ou seja, o termo inclui a história das culturas indígenas americanas até sua conquista de fato). Vamos focar aqui em três famosos povos pré-colombianos (maias, incas e astecas), comparando suas semelhanças.


Breves introduções a esses povos

Os maias habitavam onde hoje fica a região central do México e destacaram-se por sua escrita hieroglífica, arquitetura, matemática e sistemas astronômicos. Eles já entendiam o conceito do número zero como o usamos hoje. Foram uma das primeiras civilizações meso-americanas da História (junto com os olmecas), começando por volta de 2.600 antes de Cristo. Das civilizações que veremos aqui, essa é a única que não foi exterminada, ainda hoje existem cerca de 4 milhões de descendentes dos maias na América Central.

piramide.jpg Pirâmide maia

Os incas viveram aproximadamente de 3.000 a.C a 1.533 d.C, com seu maior território no Peru, englobando partes do Chile, Bolívia e Equador. Seu soberano era considerado o “filho do Sol”. A cidade de Machu Picchu reúne famosas construções incas e é ponto turístico no Peru (embora boa parte tenha sido reconstruída). O principal destaque desse povo foi a criação de um complexo sistema para cálculo de números, onde distribuíam nós em uma corda e não foi totalmente decifrado até hoje pelos pesquisadores.

machu-picchu-1674143_960_720.jpg Machu Picchu

Os astecas vinham de uma tribo pequena que assumiu o poder, também no México, depois de 1.200. Eram separados em classes sociais (nobres, sacerdotes, guerreiros, comerciantes e escravos). Uma curiosidade sobre esse povo: eles preferiam apenas ferir em vez de matar seus inimigos em batalhas, para poder usar seus corpos em sacrifício aos deuses. Criaram um calendário do ano solar (com 365 dias, mas diferente do que usamos hoje) e um sistema de contagem tendo como base o número 20. Sua medicina tratava ossos quebrados e seus dentes já eram obturados.

asteca.jpg Escultura asteca

Semelhanças

Embora nunca tenham tido contato entre si, os três povos possuíam muitas semelhanças curiosas. A primeira delas é a religião. Todos eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses. E todos esses deuses eram o que hoje chamamos de fenômenos da natureza: sol, trovão, arco-íris, chuva, lua, etc. Em comum, também tinham os sacrifícios humanos como oferenda. Os maias, ofereciam seus inimigos em sacrifício. Já os astecas eram talvez os mais cruéis, pois ofereciam, além dos prisioneiros de guerra, crianças. Eles acreditavam que a terra devia ser alimentada com sangue humano. Enquanto os incas preferiam oferecer animais e recorriam ao sacrifício humano apenas em situações muito graves ou no início de um novo reinado.

Outro ponto em comum entre os três era a economia baseada na agropecuária, com foco na plantação de milho e de feijão. Os maias já possuíam em sua época algumas técnicas para o plantio, como o uso de adubo e a construção de canais de irrigação. Uma curiosidade aqui: os maias achavam que a matéria-prima do ser humano era o milho. Esse povo também plantava mandioca, abóbora, batata, tomate, cacau, algodão e frutas como abacaxi, maracujá, banana e caju. Já os astecas plantavam em pedaços de terras drenados, conhecidos como chinampas. Também cultivavam tomate, melão, baunilha, algodão, agave, tabaco, mandioca, pimenta e cacau. É deles o primeiro chocolate que se tem notícia, que era uma bebida quente à base do cacau.

As semelhanças não param por aí. Os três povos alcançaram um elevado nível no artesanato, nas esculturas e em suas arquiteturas. Todos podem ser destacados por suas roupas coloridas e seus bordados. Seus templos eram muito bem arquitetados. Eles também tinham em comum centros políticos e religiosos: para os incas era Cuzco e Machu Picchu; para os astecas era Tenochtitlán e os maias possuiam Chichén Itzá, Tikal, Copán e Palenque. Os três tinham hierarquias: soberanos dominavam, seguidos por sacerdotes, altos funcionários e a classe de guerreiros, que eram sustentados pelo trabalho de artesãos, camponeses e escravos. Além disso, não se pode negar a grande inteligência e conhecimento desses povos, em áreas como matemática e astronomia.

mascaramaya.jpg Máscara maia

A vestimenta dos incas, astecas e maias

Os maias tinham até uma deusa, chamada Ixchel, que além de ser considerada responsável pela gravidez e fertilidade, era também a protetora das tecelãs. Tinham um intenso comércio de tecelagem, sendo seu principal produto o tecido feito de algodão, muitas vezes bordados. Vendiam também conchas, pérolas e plumas de pássaros tropicais como a arara e o colibri. Na hora das batalhas, os guerreiros vestiam capacetes em forma de cabeça de animal, composto de escamas e penas, colar de conchas, tanga e um disco com grandes plumas. As mulheres usavam saias longas e camisas largas confeccionadas de algodão, que podiam ou não serem bordadas. Cobriam-se com lenços coloridos. Os homens usavam calças coloridas e bordadas e deixavam o tronco nu. A nobreza trajava peças decoradas com pedras preciosas e plumas, combinando com grandes cintos e sandálias. Todos, independentemente da classe social, usavam acessórios como lenços e chapéus.

Os incas aceitavam peças de vestuário como moeda de troca. Os tributos podiam, inclusive, ser pagos com roupas. Também tinham criação de alpacas - lã que era usada para produzir roupas para toda a população. Havia também a vicunha, lã de excelente qualidade, reservada para o vestuário de seus superiores. As fibras eram tingidas com corantes naturais e os incas já usavam uma versão primária de teares, existentes até os dias atuais nos Andes. A roupa servia como uma espécie de medalha para esse povo: como mérito de sua sujeição ao seu soberano, podia receber dele, além de algum título de honra, o direito de usar trajes específicos, separando-os assim em um determinado grupo com mesma honraria. O poncho andino tem design e cores bem definidas, isso o difere de outros ponchos e demarca bem seu local de origem.

glifomaia.jpg Hieróglifos maias

Dizem que o imperador inca Atahualpa, com a chegada dos espanhóis, antes de virar prisioneiro, demonstrou maior raiva por causa das vestes sagradas de seu povo, acima de todas as outras preocupações provenientes da guerra. A atividade têxtil era tão importante para os incas, que dentro do Templo do Sol funcionava uma espécie de oficina têxtil.

Os astecas trajavam roupas com muitas cores, de preferência mais vibrantes, enfeitadas com figuras geométricas. Para incrementar, usavam pedras preciosas. Os homens usavam tangas com túnicas ou camisas por baixo, enquanto as mulheres trajavam uma espécie de corpete em conjunto com saia. Seus guerreiros tinham uma túnica ajustada ao corpo e estofada com algodão, com calças compridas. O interessante desses guerreiros, era o uso de capacetes feitos de madeira, com plumas e papel, representando águia, jaguar ou serpente – figuras de seus animais-padroeiros. Esse povo também comercializavam tecidos, além de cordas e sandálias, pluma, peles e pedras preciosas. A curiosidade aqui é que nas batalhas uma de suas armas eram atiradeiras feitas com lã de lhama.

Tanto os maias, quanto os astecas, estampavam imagens divinas nos escudos de guerra e seus soldados fantasiavam-se de divindades, cobertos com peles e capacetes para intimidar seus inimigos.


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