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Graziele Lima

Meditar ou não, eis a questão

A meditação é uma prática muito antiga, que persiste até os dias de hoje. Muito se ouve falar sobre seus benefícios, mas,existem pessoas que questionam isso.


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Temos que admitir que vivemos dias caóticos. A correria do trabalho, os estudos, as várias notícias negativas nos jornais, a situação política, o trânsito complicado, as doenças dos tempos atuais, tudo contribui para o aumento da ansiedade, do mau humor, da irritação. Muitas pessoas procuram técnicas para acalmar a mente e, entre essas alternativas, está a meditação. Sobre a origem da meditação, não conseguimos ter certeza de nada, porque várias culturas fizeram o uso dela durante a história, embora nem sempre com o mesmo nome.

Willard Johnson, Ph.D. em Estudos da Religião pela Universidade de Wisconsin, escreve em seu livro Do Xamanismo à Ciência - Uma história da meditação, que foram encontradas descrições das técnicas de meditação em textos taoístas (na antiga China, em 300 a.C) e hindus (1500 a.C). Mas Johnson acredita que a prática pode ter se originado muito antes, há 800 mil anos, através da chamada “indução espontânea”, que produzia alteração natural da mente. Essas alterações se dariam por causa de experiências como a visualização em silêncio durante horas do fogo, quando este foi descoberto, ou traumas da época antiga, como doenças, o que pode ter conduzido o desenvolvimento de novas maneiras para afastar a dor. Mas o que realmente se sabe é que a meditação é a mais antiga técnica para o controle da mente e a observação do agora.

Existem várias maneiras de meditar, assim como existem várias finalidades para a meditação. Alguns meditam pela religião, outros, para alcançar maior controle emocional ou autoconhecimento, outros ainda visam a melhora de sintomas físicos. As técnicas também são diversas, como focar na respiração, visualizar imagens e ficar em silêncio ou proclamar mantras. Impossível enumerar todas as razões e técnicas aqui.

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O que a ciência diz?

Existem estudos que falam sobre o bem que a meditação pode trazer. Um deles, feito na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, coordenado pelo professor Madhav Goyal, constatou que meditar durante 30 minutos todos os dias alivia sintomas de algumas doenças crônicas, ansiedade e até depressão. Foram analisados 47 estudos sobre meditação com 3.515 participantes no total. Outra pesquisa feita na Wake Forest Baptist Medical Center, na Carolina do Norte, contou com 15 pessoas meditando em 4 aulas de 20 minutos, com a atividade cerebral sendo monitorada. Todos os participantes apresentaram alteração na área do cérebro que regula as emoções, derrubando os níveis de ansiedade em cerca de 39%.

Na Universidade do Novo México, 28 enfermeiras com sintomas de estresse pós-traumático foram divididas em dois grupos: metade passou por sessões de meditação e a outra metade não. As que meditaram tiveram duas sessões durante a semana. Seus níveis de cortisol baixaram 67%. As que não passaram por essas sessões não apresentaram mudanças nos níveis.

No Northwestern Memorial Hospital, em Illinois, cinco pessoas de 25 a 45 anos, com insônia crônica, foram testadas. Elas meditaram durante 2 meses e com isso passaram a dormir duas horas a mais por noite.

Na Universidade da Califórnia meia hora de meditação por dia, com duração de oito semanas, reduziu casos de depressão em idosos. 20 pessoas na melhor idade participaram do teste. Mulheres com câncer de mama, acima de 55 anos, participaram de um teste monitorado pelos médicos do Saint Joseph Hospital, em Chicago. O grupo de 130 mulheres foi dividido em duas partes: uma fazendo meditação e a outra não. A metade que meditou resistiu mais às dores da quimioterapia.

Alberto Chiesa, Rafaella Calati e Alessandro Serretti fizeram um estudo, pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade de Bologna, na Itália, em que descobriram que a meditação pode reduzir o consumo de álcool, a pressão arterial, as dores crônicas e o estresse, além de melhorar o funcionamento cognitivo.

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O outro lado da moeda

Mas há controvérsias para todos os possíveis pontos positivos da meditação. Há casos de pessoas que, após um longo período de meditação, começaram a ter crises de pânico. Tim Lomas é um psicólogo da Inglaterra, que publicou um artigo acadêmico sobre homens sem problemas clínicos que meditam. Desses homens, 25% tiveram dissoluções de identidade. Eles criaram consciência de seus sentimentos negativos, mas não souberam como lidar com isso.

Quando o assunto é religião, esse estado de se perder de si ou de experimentar sentimentos ruins pode fazer parte de um caminho para a iluminação. Mas e quando usamos a meditação para acalmar a mente, ou para efeitos terapêuticos, como agir? Muitos acabam tendo que procurar tratamentos psiquiátricos para aprender a lidar com isso.

Embora muito se fale sobre os efeitos positivos da meditação, vale lembrar que ela pode ter sim esse lado ruim. Eu, particularmente, medito antes de dormir. Isso me ajuda a acalmar minha mente e pegar no sono, além de dormir melhor. Mas talvez, se eu descobrisse um mundo de sentimentos ruins dentro de mim, não seria tão bom assim. Vale a pena pensar. E não esquecer que: estudos surgem, amanhã são complementados, depois podem ser “desmentidos”. Resta esperar e ver o que a ciência nos reserva para o amanhã.


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