graziele lima

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Graziele Lima

Moda em terceira dimensão

As impressões em 3D vêm revolucionando muitas esferas de nossas vidas. Em meio a infinitas possibilidades de imprimir objetos, órgãos, móveis e imóveis, comidas e milhares de outras coisas, a moda não poderia ficar de fora e também mergulhou de cabeça nessa onda. O resultado são produtos inovadores. Quer conhecer alguns?


3dprint.jpg Crédito: pixabay.com

Em 1984, Charles Hull, engenheiro físico, criou a primeira impressora 3D, possibilitando a impressão de objetos através de camadas. Apesar de sua descoberta ter acontecido há mais de 4 décadas, os preços da impressora tornaram-se mais acessíveis apenas nos últimos anos. Por esse motivo tomamos essa máquina como novidade, sua popularização deu-se por causa do valor de compra. Embora estejam mais acessíveis, os preços ainda não se igualam às impressoras de papel, por isso não é tão simples produzirmos peças em nossas próprias casas. No início cada impressora custava entre 30 mil e 1 milhão de dólares. Hoje já podemos encontrá-las por valores próximos a mil dólares. Fora isso, ainda existem os custos de impressão, como o cilindro de plástico, que custa cerca de 28 dólares cada.

O passo-a-passo das impressões em terceira dimensão

Primeiro um software próprio para a impressora é usado para criar o que será impresso (chamado modelagem) e então, como nas impressoras de papel que temos em casa, o computador envia as informações para a máquina. O material é aquecido e começa a desenvolver o objeto, montando camada por camada.

Infinitas possibilidades

Nós já estamos familiarizados, pelas notícias a fora, com as várias possibilidades de impressão 3D. Desde comidas, casas, veículos, até produtos para uso medicinal (como órgãos, ossos e próteses), quase tudo que pudermos imaginar pode se tornar realidade com essas máquinas. E a moda não ficaria de fora dessa, obviamente.

Na moda

Os estilistas investem nessa ideia desde 2010. Inicialmente os materiais de impressão eram escassos, mas aos poucos vêm aparecendo novas possibilidades. A estilista holandesa Iris Van Herpen foi uma das primeiras a usar a impressão 3D em julho de 2010 com a “Crystallization Show”. E em janeiro de 2013, ela apresentou duas peças criadas juntamente com Neri Oxman, Karen Oxman, Prof. Craig Carter e a arquiteta Julia Koerner, impressas pelas empresas Stratasys e Materialise. Iris afirmou na época: “acho o processo de impressão em 3D fascinante, porque eu acredito que será apenas uma questão de tempo antes de vermos as roupas que vestimos hoje produzidas com esta tecnologia”. A iniciativa ficou entre as “50 melhores invenções” da revista Time.

IrisVHerpenSS11-557.jpg Crystallization Show (Crédito: site oficial)

No início de 2014, o estilista e arquiteto Francis Bitonti criou a programação de um vestido em 3D e disponibilizou a peça para que qualquer pessoa pudesse baixar e personalizar da maneira que preferisse. A roupa foi feita em conjunto com o estilista Michael Schmidt e a empresa Shapeways – responsável pela confecção. A Shapeways recebe os projetos feitos pelos internautas via web e imprime, porém, é necessário mandar junto a programação. Para a criação do vestido foram necessários 4 meses. A impressão levou 3 semanas, ligadas 24 horas por dia, com 5 impressoras trabalhando. Imprimir esse vestido em casa não é possível, pois as máquinas caseiras são feitas a base de líquido e esse tipo de veste especificamente, com movimento e detalhes vazados, é impressa a base de pó de nylon. Confira aqui!

francis.jpg Fotografia: Chris Vongsawat. Cabelo e maquiagem: Aviva Leah

O designer finlandês Janne Kyttänen criou todas as peças que você precisa para fazer uma viagem curta e também disponibilizou digitalmente. O projeto “Lost Luggage” propõe que você viaje sem malas e só imprima as coisas quando chegar ao seu destino. Apesar de ainda ser apenas um conceito, tudo indica que logo fará parte de nossas realidades. Veja os itens inclusos:

A arquiteta Behnaz Farahi criou, junto com a Pier 9 e a Autodesk, o projeto “Caress of the Gaze”. É um pulôver com uma câmera acoplada que consegue rastrear os olhares fixos de outra pessoa. Já pensou que legal você não ter mais que lidar com gente invasiva, que te “seca” na rua? Sua roupa já constrangeria a pessoa, como demonstra o vídeo abaixo:

Caress of the Gaze from Pier 9 on Vimeo.

As impressões em 3D no ramo da moda já vêm evoluindo. Até pouco tempo atrás, era necessário imprimir todas as partes da roupa e depois costurar tudo a mão. Mas uma equipe de desenvolvedores de software do estúdio de design Nervous System criou uma técnica para imprimir a peça inteira de uma só vez, mesmo que essa seja maior que a impressora. A solução foi imprimir a roupa já dobrada. Dessa ideia surgiu um vestido feito em nylon com 2.279 triângulos unidos por pequenas dobradiças. Veja o vídeo:

Outra nova tecnologia que vem sido estudada e desenvolvida no Vale do Silício, Estados Unidos, pela Carbon3D Inc., faz com que, ao invés de camadas, a impressora 3D consiga imprimir inteiramente a peça por um meio líquido. O nome dado foi CLIP, que significa “líquido em interface de produção contínua” e é de 25 a 100 vezes mais rápida que a impressão em camada. Inventada por Joseph M. DeSimone, professor de química e de engenharia química, Alex Ermoshkin, diretor de tecnologia e Edward T. Samulski, professor de química.

Aqui no Brasil

O estilista Pedro Lourenço foi o primeiro a lançar uma coleção com acessórios impressos em 3D, apresentados durante a São Paulo Fashion Week de 2014. Ele garante: “pretendo seguir utilizando a tecnologia de impressão 3D em outros trabalhos”.

Obs.: Esse texto é uma adaptação de outro texto escrito por mim, em 2015, postado em meu blog pessoal.


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