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Como tudo começou: expressões populares

Usamos muitas expressões populares nas nossas conversas diárias, certo? Mas, qual a origem delas? Como começaram essas histórias de “João sem braço”, “Quebrar um galho”, “Tirar o cavalo da chuva”, “Fazer uma vaquinha”, “Bicho de Sete Cabeças”, “Casa da Mãe Joana”, “Voto de Minerva”, “Chorar pelo leite derramado”, “Pensar na morte da bezerra”, “Salvo pelo gongo” e “Conto do vigário”? Tá tudo aqui, ó!


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Já repararam que a gente sempre usa expressões populares sem saber sua origem? Eu me peguei aqui pensando, "por que será que nos referimos a uma pessoa que foi enganada como alguém que caiu no 'conto do vigário'?" Ou "por que juntar dinheiro é 'fazer uma vaquinha'?" Aqui vão algumas possíveis explicações:

Conto do vigário

Um vigário é um religioso que substitui algum outro religioso em suas funções por um tempo determinado. Conta-se que certa vez, na cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, houve uma disputa pela imagem de uma santa entre as paróquias de Pilar e Conceição. O vigário da igreja de Pilar sugeriu que amarrassem a santa em um jegue e deixassem o animal entre as duas igrejas. A direção que o burro tomasse, seria a da paróquia destinada a ficar com a santa. Só que o animal pertencia ao vigário de Pilar, portanto, obviamente se locomoveu para o lado da igreja em que seu dono exercia as funções. Essa é a versão mais conhecida do conto do vigário, mas existem outras. Outro conto vem de Portugal. Um grupo de pessoas com uma mala se apresentava para a população como sendo emissário de algum vigário. Diziam que a mala estava recheada de dinheiro e que eles precisavam da ajuda dos cidadãos para guarda-la, para que pudessem seguir viagem. Por causa do peso, a mala não poderia ir com eles. A garantia que pediam para deixar a bolsa com dinheiro na casa de alguém era justamente algum valor em dinheiro para viajarem. Na esperança de realmente ter uma mala cheia de grana, as pessoas davam o que eles pediam, mas na verdade, o conteúdo da mala era outro: várias peças sem valor nenhum.

burro pixabay.jpg Foto por Pixabay

Salvo pelo gongo

A mais provável origem dessa expressão é a de que lutadores de boxe em desvantagem possam ser salvos pelo fim do round, que é anunciado por uma campainha (gongo). Mas existe uma outra versão popular que diz respeito às pessoas com medo de serem enterradas vivas. Diz-se que se instalava uma corda com um sino nos caixões, para o caso de alguém acordar depois de supostamente ter morrido. Assim, elas poderiam avisar quem estava do lado de fora.

gongo pixabey.jpg Foto por Pixabay

Pensar na morte da bezerra

Essa tem várias histórias também, sem poder precisar com certeza sua origem. A versão mais aceitável faz referências aos bezerros ofertados pelos hebreus antigos em sacrifício à Deus. Um rei tinha um filho que possuía uma bezerra de estimação. Acontece que esse rei não poupou o animalzinho do sacrifício. A partir daí, o resto da vida do menino foi dedicado a pensar na morte de sua bezerra.

calf pixabay.jpg Foto por Pixabay

Chorar pelo leite derramado

Você deve lembrar de algum filme ou história onde uma camponesa carregava um balde de leite em cima da cabeça, certo? Conta-se que certa vez, uma dessas mulheres estava distraída, pensando nas coisas que poderia comprar com o dinheiro que receberia em troca da venda do leite, quando tropeçou em uma pedra, derramando o líquido. Daí teria surgido a expressão, que sugere que chorar pelo leite que caiu não traria o líquido de volta para dentro do balde.

Voto de Minerva

Diz respeito à história mitológica do julgamento de Orestes, coordenado por Palas Atena (Minerva, na mitologia romana). O júri era formado por 12 atenienses e terminou em empate. Foi de Atena o voto decisivo (ele foi inocentado).

Casa da Mãe Joana

Essa expressão também tem origem incerta. Uma das versões conta que no século XIV, Joana I, rainha de Nápoles, refugiou-se em Avignon, na França, para fugir de uma invasão. Foi lá que ela tomou a decisão de regulamentar os bordéis que ficaram conhecidos como “casa da mãe Joana”, onde mãe significa “dona da cidade”. A outra, diz que na época do Brasil Império homens importantes, que mandavam no país, se encontravam em um prostíbulo localizado no Rio de Janeiro, onde nenhum deles mandava. O nome da proprietária do lugar era Joana, portanto, "casa da mãe Joana" virou sinônimo de um lugar onde ninguém manda.

Bicho de Sete Cabeças

A lenda de Hércules, filho de Zeus com uma humana, conta que ele passou por 12 trabalhos que seriam quase impossíveis de se fazer, como matar a hidra de Lorne – serpente que possuía sete cabeças. Cada vez que uma de suas cabeças era cortada, duas novas surgiam no lugar.

herculespixabay.jpg Foto por Pixabay

Fazer uma vaquinha

Essa vem direto da torcida do time carioca Vasco da Gama. Os torcedores decidiram que, quando os jogadores vencessem um jogo, receberiam mil réis de incentivo, ou um coelho (valor atribuído a esse animal no jogo do bicho), que seria arrecadado entre os próprios torcedores. Isso em jogos comuns. Quando a vitória era mais importante, o incentivo aumentava para 25 mil réis, equivalente à vaca no jogo do bicho.

cow unsplash.jpg Foto por Unsplash

Tirar o cavalo da chuva

Essa vem de antes dos carros existirem, numa época em que o principal meio de locomoção era o cavalo. Ao chegar em algum lugar, o dono do animal o deixava amarrado do lado de fora, muitas vezes sem proteção. Quando quem recebia a visita queria que o visitante ficasse por mais tempo, sugeria que esse tirasse seu cavalo da chuva.

horse unsplash.jpg Foto por Unsplash

Quebrar um galho

Outra expressão com mais de uma possível explicação para sua origem. A primeira diz que galho no caso é a palavra usada para se referir a um conjunto de riachos que se transformavam em um mesmo rio. Viajantes usariam então a expressão “quebrar um galho” para falarem que navegaram por um riacho que chega a um rio principal. A segunda explicação gira em torno de uma divindade afro-brasileira. Umbandistas supostamente recorrem ao “Exu Quebra-Galho” para conquistar alguém.

river pixabay.jpg Foto por Pixabay

João sem braço

Sobre essa expressão, diz-se que teve sua origem em Portugal, durante a guerra. Pessoas feridas ou sem um dos membros não poderiam participar das batalhas. Então, algumas pessoas mentiram sobre suas condições, fingindo que não tinham um dos braços (amarrando-os sob as roupas), para conseguir dispensa da guerra. Há quem diga que a tática servia também para pedir esmola na rua.


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