mariamariaalice

Cheia de opinião e não muito articulada. Apaixonada por gatos, relações interpessoais, retratos e geleia de maçã. Amo rock, leio clássicos, mas depois da segunda cerveja danço Backstreet Boys e falo sobre astrologia.

Minha vida com Meryl

O que Meryl Streep me ensinou ao longo da vida.


Meryl é Mary. Mary Louise Streep. Mais uma Maria, assim como eu. De família alemã, também como eu. Por três dias nos desencontramos na data de nascimento. Eu, dezenove de junho. Ela, vinte e dois. Uma canceriana com um tiquinho de gêmeos, eu arriscaria dizer.

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Nos conhecemos há bastante tempo. Já fica difícil dizer o filme exato em que fomos apresentadas, ou mesmo quem foi nosso amigo em comum. Mas sei que logo me encantei pela sua voz doce, interpretação sublime e bochechas delineadas. Foi admiração à primeira vista.

Meryl resolveu ser uma das atrizes principais do filme baseado em um dos livros do meu coração. Perdida n’As Horas, ela me ensinou que festas e flores não cobrem silêncios e que o amor vence, mesmo que um dia morra. Me ensinou a ser extremamente sensível e silenciosamente forte. E, o melhor de tudo, com ela aprendi a ler Virginia.

Continuei conciliando nossos encontros e meus livros quando ela viveu Desventuras em Série, que foram acompanhadas na minha pré-adolescência. Cresci, e ela foi o Diabo vestindo roupas de grife, me ensinando a ter classe e querendo envelhecer com os cabelos brancos. Também me mostrou que, para o bem ou para o mal, um olhar vale mais do que mil palavras.

Depois nos encontramos em Madison, derrubando pontes em nome do amor. Lá aprendi que nem sempre os maiores romances são aqueles total e plenamente felizes, e que às vezes precisamos esfriar o coração para pensar melhor. Choramos juntas, amamos juntas, sentimos juntas. No filme, e depois dele.

Meryl me acompanhou na minha formação universitária. Em Manhattan, me inspirei nela para escrever meu primeiro artigo científico, sobre o papel da mulher nos filmes dos anos 70 comparado aos filmes atuais. Indiretamente, ela me ensinou a fazer trabalhos acadêmicos mais por prazer do que por obrigação. Diretamente, sua personagem me deu ideias sobre a vida, eu quis começar a escrever.

Ela foi Julia Child e me fez querer aprender a cozinhar, foi Thatcher e me despertou o interesse pelo feminismo. Foi Sofia em sua decisão, foi uma freira em Dúvida, uma eterna apaixonada falando Ao Entardecer, uma mulher cheia de vida deitada em um Divã Para Dois, uma divorciada em uma vida Simplesmente Complicada.

Recentemente nos encontramos em uma Terapia do Amor, que eu teria feito questão de não comparecer se não fosse seu nome estampado no cartaz - e, quem diria, aprendi a apreciar uma comédia romântica de vez em quando. Em Mamma Mia, aprendi a gostar de Abba e de musicais. E me inspirei a escrever esse texto, após ver o filme duas vezes seguidas no mesmo dia.

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Meryl foi tantas, e é um pouquinho de si mesma em cada uma delas. Me tornei uma detetive quase compulsiva para saber tudo que suas personagens liam, ouviam ou apreciavam. Eu quis ser mais que apenas ela, eu quis ser todas elas. Obrigada, Mary, pela companhia em todos esses anos. Você me ensinou muito desde que fomos apresentadas. Além de tudo isso, foi também com a sua ajuda que me apaixonei por cinema. Paixão essa que se faz presente no que hoje é minha profissão. Ainda existe muita coisa sua que eu não conheço, mas acredito que ainda temos bastante tempo. Espero um dia ter competência para opinar sobre cada único filme que compõe todo o seu sucesso.


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