mariamariaalice

Cheia de opinião e não muito articulada. Apaixonada por gatos, relações interpessoais, retratos e geleia de maçã. Amo rock, leio clássicos, mas depois da segunda cerveja danço Backstreet Boys e falo sobre astrologia.

A pureza no belo

A forma com que a fotógrafa Mihaela Noroc retrata mulheres pelo mundo inteiro, e como isso afetou minha percepção sobre a beleza da essência humana.


Sou uma apaixonada por pessoas. Me encanta a autenticidade dos indivíduos e as divergências entre personalidades distintas. De uns tempos pra cá, descobri nisso mais que uma paixão. Decidi que seria meu objeto de estudo, quase minha obsessão, e comecei a tentar entender o porque desse meu interesse.

Em paralelo, comecei a colecionar retratos. Criei um arquivo pessoal recheado com fotos de pessoas que eu não faço a menor ideia de quem são, o que fazem, onde vivem. Gosto de imaginar suas histórias ou criar em minha cabeça um enredo novo para elas. Em todas as fotografias há algo que me acende a curiosidade, algo de misterioso. Seja em um olhar, em um sorriso de Mona Lisa, em uma roupa diferente. Todos os retratados se mostram autênticos em suas próprias personalidades. Um cabelo colorido, um olhar meio perdido.

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A vida age de um jeito curioso. Enquanto tudo isso – o interesse, o estudo, a coleção – acontecia, me deparei com Mihaela. Romena, 29 anos, vivendo o tipo de vida que eu mais admiro. Ela trabalhou e se dedicou muito, por anos, guardando dinheiro para se dar ao direito de “largar tudo” e viajar o mundo fazendo o que ama.

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Fotógrafa, passou por 37 países retratando a beleza das mulheres em sua forma mais pura, livre de padrões ou produções. No projeto The Atlas Of Beauty, ela diz que a beleza vai muito além de ser magra ou estar na moda. Ser belo quer dizer manter viva a sua própria origem e cultura. É ser natural, sincera, autêntica. Mihaela tem nela um pouco daquilo que eu enxergo em mim mesma. A dualidade de gostos, versatilidade na vida, alma inconstante - no melhor sentido da palavra. Gosta dos prédios altos de Tokyo mas também sabe ter paz em uma comunidade distante da África.

Em resultado dessa somatória de coisas semelhantes que aconteceram simultaneamente em minha vida, entendi finalmente a verdade por trás do clichê de que o que importa é a beleza interior. Não tem a ver apenas com o sentido básico, de que caráter é mais importante do que aparência física. Ser bonito envolve ser espontâneo. Ser espontâneo envolve ser seguro de si. E segurança só se tem quando se confia em sua própria origem, seja ela qual for.

Porque, no fim, se libertar de amarras e padrões é a forma mais sublime de ser belo.

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* Todas as fotos são de Mihaela Noroc. Para quem se interessar, a minha coleção de retratos é essa aqui: humans.


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