mariamariaalice

Cheia de opinião e não muito articulada. Apaixonada por gatos, relações interpessoais, retratos e geleia de maçã. Amo rock, leio clássicos, mas depois da segunda cerveja danço Backstreet Boys e falo sobre astrologia.

Um olhar de carinho sobre os caminhos canhotos

Viver em paz é olhar nossos erros sem pré-julgamentos, entender nossos próprios atos - por mais acidentais que sejam, e apreciar todas as desgraças de um belo caminho errado.


De uns tempos pra cá tenho pensado no meu passado com mais carinho. Cada um de nós, como bons seres humanos, é dono de um sentimento de culpa que já nasce intrínseco a nós. Alguns dão mais voz a isso, tornando-se, às vezes, até escravos de seus próprios arrependimentos. Outros pensam em seus atos, consideram as falhas e prosseguem com os acertos. E alguns poucos aprendem, com o passar dos erros e dos anos, a relevar histórias e manter mente e consciência sempre em paz.

Independente da forma como pensamos em nossas experiências, todos nós erramos, nos arrependemos, entramos em relações que não valem a pena, nos envolvemos com pessoas nem sempre legais. Ocasionalmente somos nós as pessoas não-legais. Também acontece de aceitarmos empregos que não gostamos, tomar atitudes desesperadas e impensadas, optar pelo caminho esquerdo, magoar alguém de quem gostamos sem a menor intenção.

Acontece.

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Mas será mesmo que abençoados são os que esquecem?

Com o passar dos anos, e dos erros, tenho aprendido a olhar minhas próprias falhas com muito mais carinho. Não só elas, mas todos os caminhos aparentemente errados que tomei. Cada um deles me trouxe onde eu estou hoje. Sem idealismos ou visões deslumbradas, estou longe de atingir meu objetivo enquanto pessoa individual nesse mundo louco que tanto nos exige e motiva. Tenho muito chão para andar e muito a conquistar - mil planos traçados, bem longe de serem construídos. Carrego comigo muitas dores também, não sou hipócrita, muito menos masoquista, de dizer que passaria por tudo de novo com um sorriso no rosto. Existem coisas que ainda me magoam, mesmo que os anos tenham passado. Existem decepções que nunca vão ser engolidas. Mas tudo bem. A questão em mim, hoje, não é mais querer esquecer.

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Ainda não entendo a falta de respeito do meu primeiro amor, ou a indiferença do segundo. Ainda dói lembrar do amigo que me passou a perna meses atrás. Às vezes eu penso, sim, como teria sido se eu tivesse escolhido outro curso na faculdade. Também penso no que teria acontecido se tivesse saído antes do meu penúltimo emprego. Continuo achando que insisti muito em alguns dos meus erros, não sou ingênua de achar que tudo bem ter dado tanto murro em ponta de faca. Mas, de novo, hoje eu acho que aconteceu do jeito que tinha que acontecer.

Todos esses caminhos, escolhas, situações e pessoas que conheci entre histórias e desavenças, me colocaram nesse exato momento da minha vida. Se eu tivesse escolhido Letras no vestibular, e não Publicidade, eu não conheceria metade das pessoas mais importantes da minha vida. Talvez, se fosse Letras, eu ainda seria a menininha tímida e quieta que eu era antes de trabalhar com comunicação e aprender a falar ao telefone. Pior, se tivesse sido diferente, talvez eu não tivesse a segurança de despir meus sentimentos em público e mostrar um texto ou outro por aí. Se não tivesse sido Publicidade, eu não teria as oportunidades e experiências que eu tive ao longo da vida. Se não fosse o último término de relacionamento, eu não teria aprendido a ser independente. Se não fosse minha vida toda, eu não seria tão eu mesma.

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Eu sempre peco pelo uso de clichês, mas também os defendo sempre com o mesmo argumento. São fatos que de tão verdadeiros e incontestáveis, viraram quase que verdades absolutas. Então me sinto à vontade pra dizer que as coisas acontecem por um motivo. Se parece ruim hoje, daqui um mês, dois meses ou um ano, as coisas se explicam. De um jeito ou de outro, tudo sempre se explica. E um dia, inevitavelmente, a gente para a pensa: que bom que algo deu errado naquela história antiga. A de hoje é mesmo muito mais bonita.

* Todas as artes de: Nikita Gill


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Cheia de opinião e não muito articulada. Apaixonada por gatos, relações interpessoais, retratos e geleia de maçã. Amo rock, leio clássicos, mas depois da segunda cerveja danço Backstreet Boys e falo sobre astrologia..
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