heteronímia

Uma construção de seres

Cacau Barros

Ariana, estudante de cinema e dona de vários apelidos, acredita que foi abençoada com um grande coração e em contrapartida um pavio bem curto. Sua melhor definição são os excessos

Questão de tempo: E se cada momento da sua vida viesse com uma segunda chance?

Já pensou na possibilidade de voltar no tempo e alterar o rumo da sua vida de acordo com as suas escolhas? Tim (Domhnall Gleeson), acaba de descobrir que tem esse poder e mostra no longa “Questão de tempo” que essa vantagem nem sempre será necessária se olharmos a vida com sensibilidade e disposição para aproveitar cada detalhe que essa incrível passagem nos proporciona.
Aqui, listamos 05 (cinco) das muitas lições que o filme apresenta.


[Possíveis Spoilers]

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Parece incrível poder voltar no tempo e refazer nossas escolhas, não é mesmo? E é! Questão de tempo (About time) aborda esse tema através da história do jovem - e ruivo - Tim (Domhnall Gleeson), um garoto que ao completar 21 anos recebe do seu pai (Bill Nighy), a notícia de que todos os homens da sua família tem o poder de viajar no tempo. Este poder, claro, tem algumas regras: O viajante só pode ir para locais que já esteve, não pode ir para o futuro e a viagem está limitada ao seu nascimento. Sendo assim, Tim, resolve usar essa “vantagem” para ajudá-lo a arrumar uma namorada.

Na primeira tentativa, a primeira decepção e primeira lição:

1. “Nenhuma viagem no tempo faz alguém amar você”.

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E como todo “Pé na bunda” que se preze serve pra sacudir nossa vida, com o personagem principal não é diferente, sua primeira atitude depois da primeira lição foi sair da casa dos pais, no interior da Inglaterra, e ir morar em Londres, tanto para advogar, quanto para a sua grande busca: FIND THE BIG LOVE.

Tim chega a Londres e vai morar na casa de um antigo amigo do seu pai, o excêntrico e um tanto cômico Harry (Tom Hollander). Seu dia a dia segue sem maiores acontecimentos, até que Jay (Will Merrick), seu amigo de infância, convida-o para uma experiência no mínimo inusitada. Durante essa experiência ele conhece Mary (Rachel McAdams), os dois parecem se apaixonar desde o primeiro encontro mas devido aos acontecimentos desastrosos de outros no seu cotidiano, Tim resolve voltar no tempo e dá um jeito nas coisas, porém, essa viagem ao passado recente faz com que Mary e Tim não se encontrem na volta dele para o presente.

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Idas e vindas começam para, enfim, Tim reencontrar Mary e fazer com que ela se apaixone por ele, e acreditem, o espectador mergulha nessa conquista junto com o personagem. É nessa reviravolta que entra a grande oportunidade de usar seu poder de viajante no tempo para, além de conquistar, surpreendê-la de vez. Segundas chances viram a solução para cada pequeno erro, cada tropeço e, é claro, para proporcionar uma primeira noite de amor perfeita.

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Trazendo isso para a realidade, para as nossas jornadas diárias e nossos desafios, o pensamento é arrebatador. Poder voltar no tempo já sabendo o resultado de determinada ação e ter a oportunidade de uma nova escolha, pequenas escolhas, essas que nos deixam com cara de bobo diante de alguém interessante ou de uma situação sem graça deve ser maravilhoso, e deveria está disponível para todos, já! Porém, é de uma forma simples e mágica que o longa nos leva a mudar de opinião durante seus 123 minutos.

Logo, conhecemos a segunda lição:

2. “Ninguém pode prepará-lo para o amor ou para o medo.”

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Por mais que ter a oportunidade de refazer nossas escolhas, desfazer nossos “erros” e tentar outra vez seja atraente, o próprio suposto ERRO é o que nos traz parâmetro ao longo da vida para conseguir acertar. É a partir do erro que ganhamos a certeza de estarmos tentando. É a partir das adversidades, de cada detalhe que a vida nos proporciona, que descobrimos o quão valioso é cada momento. E aí a terceira lição entra em vigor:

3. “A viagem no tempo torna-se desnecessária porque todos os momentos da vida são prazerosos.”

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Nessa altura do filme as demonstrações de afeto entre a família de Tim é algo bonito demais de se vê e ganha um destaque especial, como por exemplo, o cuidado e admiração com a sua irmã, Katie – Kit kat (Lydia Wilson), fã da cor lilás e como descreve o próprio Tim: “Um ser da natureza”. A história de Kit kat é um drama a parte (Ponto para o roteiro: Realizar mais de uma narrativa dentro do mesmo cenário e sem perder a qualidade), excêntrica e inexplicavelmente doce, Kit kat, como muitas de nós, se apaixona alguém que não vale a pena, um canalha. Alguém sexy e que ajuda você a se afundar cada vez mais. Sendo assim o decorrer dos acontecimentos nos apresentam a quarta lição, retirada diretamente da música “Sunscreen” do Baz Luhrmann:

4. “Se preocupar com o futuro é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação mascando chiclete. Os seus verdadeiros problemas sempre serão coisas que nunca passaram pela sua mente preocupada.”

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Diante do desenvolver da história Tim se pega em conflitos que envolve diferentes tipos de afeto, igualmente intensos, mas que fazer qualquer alteração no passado irá implicar em alguma consequência desastrosa para ele e/ou para os familiares. É aí que a gente percebe que deixar a vida correr com todos os tropeços e fardos das nossas escolhas é fundamental para o nosso crescimento pessoal, mais uma vez, digo, é a oportunidade de criarmos parâmetro sobre outras escolhas. É a oportunidade de entender que precisamos de tempo para aceitar que nossas ações, independente do “certo e errado”, é o que nos sugere quem vamos nos tornar e o que iremos ganhar ou perder. A importância de fazer escolhas saudáveis e valorizar cada momento que as consequências trazem é o grande presente que a vida nos proporciona de conhecer a dor e a delícia de sermos quem somos.

Uma película que carrega como maior pretensão exaltar a sensibilidade das relações e o olhar singelo sobre a simplicidade da vida. Sendo assim, deixo com vocês a última lição, retirada de uma das músicas tema do filme “How Long Will I Love You”:

5. “Estamos todos viajando através do tempo juntos todos os dias de nossas vidas. Tudo o que podemos fazer, é fazer o nosso melhor para apreciar este passeio extraordinário.”

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Cacau Barros

Ariana, estudante de cinema e dona de vários apelidos, acredita que foi abençoada com um grande coração e em contrapartida um pavio bem curto. Sua melhor definição são os excessos.
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