heteronímia

Uma construção de seres

Cacau Barros

Ariana, estudante de cinema e dona de vários apelidos, acredita que foi abençoada com um grande coração e em contrapartida um pavio bem curto. Sua melhor definição são os excessos

(500) dias com ela: O amor não tem idade, mas estações

Algumas vezes, por medo de ficarmos sozinhos, nos colocamos em relações não frutíferas e que no final das contas, apenas nos atrasam, além de deixarem profundas cicatrizes. Summer Finn é uma belíssima jovem que possui um magnetismo extraordinário e que atinge todos por onde passa, ação conhecida como “efeito summer”. Ao conhecer o romântico Tom não é diferente. Ele atribuía um significado cósmico a coincidência de Summer ter ‘ido parar’ no mesmo escritório que ele. Ele chamava esse significado cósmico de: Destino.


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500 Dias com ela é um filme que foge do clichê básico do romance. O filme conta a história de Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt) que se apaixona pela bela Summer Finn (Zooey Deschanel). Até aí tudo bem, porém, se engana quem pensa que o filme retrata apenas mais um romance tradicional. (500) dias com ela fala sobre etapas, sobre altos, baixos e acima de tudo sobre o amadurecimento de cada um, independente de serem um casal ou não.

Summer Finn, é uma belíssima jovem e que possui um magnetismo extraordinário que atinge todos por onde passa, ação conhecida como “efeito summer”. Com Tom não poderia ser diferente. Tom atribuía um significado cósmico a coincidência de Summer ter ‘ido parar’ no mesmo escritório, entre tantos outros, que ele. Ele chamava esse significado cósmico de: destino.

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É bom esclarecer que em alguns países o inverno é muito rigoroso e a população só tem certeza de que o verão (Summer) irá durar 120 dias, logo, ele é extremamente valorizado. É exatamente o que acontece na relação de Tom e Summer, ela, que é intencionalmente comparada com o verão exerce sobre Tom um encantamento utópico.

Durante o filme e em um dos primeiros diálogos do futuro casal podemos entender que ambos possuem uma opinião bem distinta em relação ao amor. Tom acredita fielmente, enquanto Summer, acha que tudo não passa de fantasia. Inclusive, deixa claro que em nenhum dos seus relacionamentos anteriores pôde descobrir o que significava a palavra/sentimento amor.

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Com o passar do tempo, é possível observar os olhares cada vez mais apaixonados do Tom para a Summer, que por sua vez, além de não querer assumir nenhum relacionamento sempre tem um olhar amigável para ele. Ela gosta dele, mas não se sente totalmente envolvida e isso começa a fazer pressão sobre ela em relação ao casal e aos sentimentos de ambos.

Em uma das idas e vidas de tempo durante o filme, na cena do cinema em que Summer fica bastante emocionada, ouso dizer que ela se reconhece como o casal que está assistindo. Eles estão juntos,rindo, mas no primeiro minuto de silêncio entre eles o vazio toma conta dos olhos dos dois e simplesmente não há o que se dizer, não há emoção, não há amor, não há nada além de um vazio sonoro. Exatamente como ela, infelizmente, sente-se em relação ao Tom.

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Summer não é aquele perfil comum de garotas que acredita em contos de fadas. Ela não idealiza, ela vive. O diretor, Marc Webb, fugindo do comum nas comédias românticas, o estilo "boy meets girl", coloca aqui um cenário contrário em relação aos gêneros, retratando bem a equidade atual, mas ainda assim deixando um lado mais sonhador e o outro mais pé no chão. Porém, não engessando cada um na mesma perspectiva sempre. É lindo reconhecer que ambos crescem em suas idealizações, ou na falta delas, quando anteriormente eram limitadas ao excesso de um e falta falta de crença do outro. São os excessos que os define na primeira metade do longa.

Após o término, Tom passa por todas as fases que qualquer um mortal que já acreditou exacerbadamente no amor passa. Os questionamentos, a negação, encontros cheios de tédio. Eis que surge um reencontro inesperado e junto com isso a expectativa surreal de que ali ainda vive uma chance para o casal. Só após um grande impacto que ele passa a internalizar que não há mais possibilidades de reaproximação. Summer seguiu em frente, está noiva.

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Tom entra em um processo de auto destruição, mas que em um segundo momento mostra-se totalmente necessário para fazer com que ele saia da zona de conforto e dê passos maiores na vida pessoal e profissional. É dentro do sentimento de falta que nasce nele a vontade de se reinventar. (Já passou por isso?!).

Ele não aceita o fato de que a Summer tenha seguido em frente e ao se encontrarem no local favorito dele, no final do filme, ela aparentemente sente a necessidade de algum tipo de justificativa e é colocado em prática o último diálogo deles. Neste momento você irá perceber uma ligação com o primeiro, já citado aqui. Porém, nesse momento eles são outras pessoas e fica claro na conversa que as experiências de cada um, dele com ela e dela com o atual, foram o suficiente para equilibrar a visão contrária e exagerada de ambos sobre o amor.

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Ambos crescem e saem do casulo mostrando para o espectador que toda relação traz algo para ser acrescentado. Temos a concepção real de que o amor pode doer algumas vezes, mas ainda é o que nos mantém em movimento. Por fim, acredito que a lição em maior destaque foi a do Tom:

"Não podemos atribuir um significado cósmico a algum evento terreno. É coincidência, tudo é coincidência. Não existem milagres, nada está destinado a ser. A única certeza é que todo final de verão traz um Outono consigo."

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Cacau Barros

Ariana, estudante de cinema e dona de vários apelidos, acredita que foi abençoada com um grande coração e em contrapartida um pavio bem curto. Sua melhor definição são os excessos.
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