heteronímia

Uma construção de seres

Cacau Barros

Ariana, estudante de cinema e dona de vários apelidos, acredita que foi abençoada com um grande coração e em contrapartida um pavio bem curto. Sua melhor definição são os excessos

Desculpe o transtorno, preciso falar da Rachel Green

Das dez camisas de grife que mais gosto, sete foi ela que me mostrou. As outras três foi ela que me deu de presente, inclusive um suéter vermelho. Aprendi quem era Marc Jacobs, Raph Lauren e também o que era o circuito internacional de moda, além de outras marcas e estilistas que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve a sorte de ter namorado com ela. Um dia demos um tempo. E não foi fácil. Choramos mais que no final de "Days of our Lives". Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que eu não tenha que dizer para alguém “We were on a break!”


[ATENÇÃO: Tudo não passa de uma brincadeira para divertir os fãs de friends, diversas piadas internas no texto.]

rachel green.png

Para entrar no clima leia ouvindo esse som:

Conheci ela enquanto estava na faculdade, ela no colegial. Essa frase pode parecer romântica se você imaginar alguém mais velho chegando com a garota mais popular do colégio num subsolo esfumaçado em Nova York no dia do baile de formatura. Mas o baile em questão era aquele que ela já tinha par e todas as garotas também –onde ouvia-se tudo sobre o que aconteceria naquela noite. Ela estava lá. Minha irmã, Monica, estava lá. Eu estava sozinho mas ia esperar minha irmã no baile terminar de comer todos os kit kat's que havia sobre a mesa. Ela estava lá dançando. Nunca vou me esquecer: a música era "I'll Be There for You", dos The Rembrandts.

Quando as meninas se jogavam no chão, ela ficava no alto. Quando iam pra ponta dos pés, ela girava. Quando se atiravam pro lado, ela trombou com uma que se lançou pro lado oposto e ela machucou o nariz. Olhos, sempre imensos e verdes, deixavam claro que ela iria aproveitar a situação e fazer uma rinoplastia. Foi paixão à primeira vista. Só pra mim, acho.

Passei algumas madrugadas perguntando por ela no ICQ ao som de "With or Without You" do U2 para a Monica. De lá, migrei pro MSN. Do MSN pro Orkut, do Orkut comecei a frequentar o central perk, onde a reencontrei no dia que era pra ser seu casamento. Começamos a namorar quando ela tinha em média 25 e eu 28, mas parecia que a vida começava ali. Vimos todas as palestra de paleontologia. Algumas eu vi várias vezes enquanto ela dormia. Ela aprendeu a lavar roupas comigo, cortou seus cartões de crédito e arrumou um emprego. Queimamos algumas panelas de comida, provamos pave de carne. Formamos exatamente meia dúzia de amigos e junto com eles o Sitcom de maior sucesso do mundo.

Fizemos mais de 50 episódios só nós dois, enquanto casal —acabei de contar. Sofremos com minhas listas no começo. Das dez camisas de grife que mais gosto, sete foi ela que me mostrou. As outras três foi ela que me deu de presente, inclusive um suéter vermelho. Aprendi quem era Marc Jacobs, Raph Lauren e também o que era o circuito internacional de moda, além de outras marcas e estilistas que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve a sorte de ter namorado com ela.

Um dia demos um tempo. E não foi fácil. Choramos mais que no final de "Days of our Lives". Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que eu não tenha que dizer para alguém “ We were on a break!”, em algum momento: cadê ela? Parece que, pra sempre, ela vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse tido Emma antes, eu penso. Levaria pra sempre ela comigo sem ter que ter passado por três divórcios.

Essa semana, pela primeira vez, vi o último episódio da série que a gente fez juntos —não por acaso uma história de amor e de amizade. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido um grande amor na vida. E de ter esse amor documentado em um seriado amado por todos. São tantos tantos vídeos, músicas e reprises. Não falta nada.

Ps, Dr. Ross Geller


Cacau Barros

Ariana, estudante de cinema e dona de vários apelidos, acredita que foi abençoada com um grande coração e em contrapartida um pavio bem curto. Sua melhor definição são os excessos.
Saiba como escrever na obvious.
version 6/s/cinema// @obvious //Cacau Barros