homo atlanticus

Homo Atlanticus

Alexandre Bazenga

Português, Engenheiro Agrónomo, em Lisboa. Apaixonado irremediável e doentiamente por Livros e leituras, procurando a cura pela Escrita, num jorro de ideia em busca de disciplina. A Pintura, a Fotografia, a Culinária, e esta dispersão toda dando uma vida rica, preenchida, mas difícil de encaixar no tempo disponível. A Escrita é, definitivamente, um caminho sempre me parecendo em início de caminhada. Uma busca sim, mas, afinal um prazer pessoal com que espero contagiar mais alguém. Se ao menos contribuir um pouco para trazer mais alguém ao amor pela Cultura e Leitura, o esforço foi compensado.

A viagem que vale

Há momentos propícios a encontrar quem nos arrebata de forma definitiva e nos faz vibrar pensamentos e hormonas e tudo baralha, como num jogo novo, para de novo dar cartas e tudo recomeçar.


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Sempre há um momento. Num momento, damos um pequeno passo, ou entramos de rompante. Nem sabíamos ao que íamos. É o momento de partir. Partir não tem de ser sair. Pode ser chegar. Não tem de ser ir de si para outro lado, mas de si para outro alguém. Pode ser uma viagem dentro de si, para ser fora de si. Há esse momento, ou nunca há.

Uns têm essa sorte, que não é mesmo sorte alguma. Há acasos, o resto fazemos nós. E mesmo que assim não seja, acreditem que é um bom início de pensamento.

O momento chega com a alteração de um ritmo e rotina interior, pelo acelerar do ritmo do órgão dito do amor, pelas palpitações ou ansiedade em dizer algo e, principalmente em ouvir, ou ler, algo que é esperado sem mesmo se ter tido consciência. Mas o momento chega. Quase, quase sempre. O segredo é entende-lo, e saber segui-lo.

O segredo seguinte e maior é o da coragem, que começa com a vontade que essa também começou com o desejo. É o desejo o início. Desejo de ser entendido, respeitado, ouvido, cheirado, tocado, copiado até, seguido, confrontado com o desejo igual, de idêntica força, mas sentido contrário. Sentido, na nossa direcção. Esse desejo desencadeia tudo. Mas não resolve por si só. É preciso ter a vontade. E não chega alguma, tímida e frágil e susceptível a vontades mais firmes. Há que a ter determinada e sem peias. Há que a saber e fortalecer com tudo o que temos. E enfrentar o que houver para ser enfrentado. Antes, a paixão já podia e devia existir. Mas de que servia sem a firmeza com que o desejo e a vontade a espessara?

O momento chega e é preciso saber ler os sinais. Não estão em nós apenas. Estão no objecto do nosso desejo e da nossa paixão. Depois, é o que já se sabe, desejo alimentado e vontade determinada e não hesitante.

Então sim, as palpitações e os olhos a brilhar que nem sóis humanos fazem sentido. A ansiedade inexplicável e tudo, afinal, inexplicável, física e emocionalmente. A melhor definição reside provavelmente na incapacidade de explicar quase coisa alguma. Todas as sensações e as nossas próprias incompreensões do momento, terão razão de vida. A predisposição é o alicerce. A sabedoria é a ciência. Do amor.

Não é para todos, nem todos sabem amar. E poucos sabem ser amados. Porque, enfrentados os desafios, as dificuldades e obstáculos, saber ser amado é saber respeitar a forma de amar do outro, mas ter de ser efectivamente sentida e inequívoca. São estes e muitos outros ingredientes os que podem tornar uma atracção numa paixão e uma paixão num grande amor. Sem algum deles...

Amar exige coragem e uma determinação sem recuos. E exige, antes, saber. Saber dar, mas saber receber. É um desafio, constante, permanente e com o tempo, mais exigente ainda. O desgaste é para os sábios do amor.

Tudo conquistado, nada se lhe compara. E chega o momento, mas há tanto que saber fazer, que muitos pelo caminho ficam e há que partir de novo. Por vezes, chega-se, de novo. Outras vezes, nunca mais há destino e a viagem nunca terá fim.

Saber amar e ser amado é entrar numa viagem onde a partida e chegada é totalmente entendida por dois, não por um apenas.

E vale a pena. Uma vez a bordo, nunca mais se quer sair.


Alexandre Bazenga

Português, Engenheiro Agrónomo, em Lisboa. Apaixonado irremediável e doentiamente por Livros e leituras, procurando a cura pela Escrita, num jorro de ideia em busca de disciplina. A Pintura, a Fotografia, a Culinária, e esta dispersão toda dando uma vida rica, preenchida, mas difícil de encaixar no tempo disponível. A Escrita é, definitivamente, um caminho sempre me parecendo em início de caminhada. Uma busca sim, mas, afinal um prazer pessoal com que espero contagiar mais alguém. Se ao menos contribuir um pouco para trazer mais alguém ao amor pela Cultura e Leitura, o esforço foi compensado..
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