homo atlanticus

Homo Atlanticus

Alexandre Bazenga

Português, Engenheiro Agrónomo, em Lisboa. Apaixonado irremediável e doentiamente por Livros e leituras, procurando a cura pela Escrita, num jorro de ideia em busca de disciplina. A Pintura, a Fotografia, a Culinária, e esta dispersão toda dando uma vida rica, preenchida, mas difícil de encaixar no tempo disponível. A Escrita é, definitivamente, um caminho sempre me parecendo em início de caminhada. Uma busca sim, mas, afinal um prazer pessoal com que espero contagiar mais alguém. Se ao menos contribuir um pouco para trazer mais alguém ao amor pela Cultura e Leitura, o esforço foi compensado.

À procura de um mundo novo

Num mundo que parece ter andado demasiado perdido, durante demasiado tempo, parece que hoje se fala e procura cada vez mais entender os sentimentos que nos fazem humanos, o amor e tudo o que se lhe associa, no centro das nossas demandas, no encontro um tanto desesperado de uma vida saudável e mais feliz.


002S001u6Ta.jpg

O mundo que hoje conhecemos parece a muitos como em grande confusão, um mundo e um planeta inteiro à procura de "si mesmo". No Ocidente, a grande hegemonia cultural sente-se perdida, porque a criação de um novo Oriente, uma obra desejada por uma Europa em crise concorrencial com a América, parece ter escapado ao controlo do criador. O Ocidente, gigante na construção de um mundo mais acelerado, com ritmos de trabalho alucinantes, desde a Revolução Industrial na Inglaterra e, bem mais tarde, com o Taylorismo e a produção em massa, e e cadeia de Ford, nas suas fábricas do Modelo T, foi perdendo um controlo das novas formas de organização do Trabalho, como das novas organizações familiares, e das suas sociedades impreparadas.

Muito se tem escrito, e bem, com obras fantásticas, cheias de lucidez, sobre as grandes revoluções nas sociedades, a Ocidente, como a Oriente, onde hoje domina a produção mundial, num desequilíbrio que ainda a Europa, mas também os Estados Unidos da América, não se ajustou e não entendeu cabalmente. Mas parece que um factor comum a muitas sociedades, no grande Ocidente, é a desilusão com este Mundo, a inadequação das nossas capacidades a uma adaptação a estas novas realidades, com ajustamentos no trabalho que não eram esperados. As depressões são hoje doenças da modernidade, e pessoas e famílias parecem sentir uma nova necessidade, de se voltarem para dentro das suas micro-organizações familiares, e sobre si mesmas, procurando uma compensação e um conjunto de soluções que lhes permita entender, primeiro, e sobreviver, depois.

Desiludidas com o mundo do trabalho, em grande parte, mas sempre necessitando, ou mais ainda, de se agarrarem a ele como fundamental bastião da sobrevivência, o equilíbrio saudável das pessoas, quer nas sociedades em crise, económica, social e até cultural, mas também, porventura, nas sociedades emergentes, parece ter de vir de um interior ainda tão desconhecido. Da nossa mente, e dos nossos tantas vezes esquecidos, ou menosprezados, sentimentos.

Começa a sentir-se, a tornar-se notória a preocupação com a procura do equilíbrio interior, com o reencontro com os grandes sentimentos, que parecem ter andado um tanto perdidos, nos 50 anos do passado recente. A própria Ciência procura dar o seu contributo, a Filosofia a andar ainda meio perdida entre a explicação de outra desilusão, com as economias e, principalmente com as ideologias, que num derradeiro esforço, qual canto do cisne, tentar recuperar formas de organização política e social antigas demais para entenderem este novo que muda tão depressa. A Ciência, nunca como antes, procura respostas sobre a Felicidade humana, procura entender porque uns parecem não sofrer com essa incessante busca em serem felizes e outros insistem numa desesperada saga sem, provavelmente, encontrarem a paz e serenidade e o sucesso e satisfação a tempo. A tempo, antes de desaparecerem. As novas neuro-ciências, onde se mistura a Psicologia, a Bioquímica, a Sociologia e a Medicina, entram hoje em fascinantes pesquisas sobre a Felicidade humana, como sobre os grandes sentimentos que nos distanciam dos animais.

A procura das respostas sobre a nossa Felicidade, e sobre o entendimento do Amor e dos sentimentos próximos ou similares, não são objecto apenas dos investigadores, mas um pouco também, de cada um de nós. No fim do caminho de tantos séculos de crescimento económico, de concorrência internacional, de criação e queda de impérios, de geração de ideologias de insucesso e mesmo de injustiça ainda maior, as pessoas parecem querer voltar-se sobre os sentimentos, talvez durante demasiado tempo esquecidos, na senda da compensação perante as desilusões sucessivas com o mundo do trabalho, com a política, e com as suas sociedades que nunca encontram elas mesmas a serenidade, o saudável encontro com o crescimento sustentado e o bem-estar dos seus cidadãos.

Nunca tanto se escreveu sobre o encontro com o nosso interior, nunca tanto se falou de amor, nunca tanto se discutiu sexo. Não se sabe onde nos leva um novo caminho, não se está seguro sobre uma maior justiça social, ou um mundo do trabalho mais complacente com as necessidades humanas e, em simultâneo, com as necessidades de uma sociedade e um país. Não sabemos hoje, meio perdidos que andamos, onde desembocarão os nossos países e como será o futuro do nosso trabalho. Talvez por isso se procure tanto o outro lado do nosso equilíbrio interior, a saudável mente de que tanto necessitamos e, no fundo, pretendamos reencontrar os sentimentos mais humanos, a amizade com certeza, mas finalmente e de novo, o amor, e o papel das sensações com as que o sexo nos pode trazer.

O novo mundo que um dia podemos (re) encontrar pode ser um outro, onde amor, sexo, harmonia pessoal e social se encontrem e os dias se tornem distintos, com o trabalho e a nossa subsistência a beneficiarem desta redescoberta dos sentimentos mais nobres


Alexandre Bazenga

Português, Engenheiro Agrónomo, em Lisboa. Apaixonado irremediável e doentiamente por Livros e leituras, procurando a cura pela Escrita, num jorro de ideia em busca de disciplina. A Pintura, a Fotografia, a Culinária, e esta dispersão toda dando uma vida rica, preenchida, mas difícil de encaixar no tempo disponível. A Escrita é, definitivamente, um caminho sempre me parecendo em início de caminhada. Uma busca sim, mas, afinal um prazer pessoal com que espero contagiar mais alguém. Se ao menos contribuir um pouco para trazer mais alguém ao amor pela Cultura e Leitura, o esforço foi compensado..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// @obvious, @obvioushp //Alexandre Bazenga