Marco Ribeiro

"A vida não é um poema."

Sobre a discriminação

Em tempo de repercussão dos casos de racismo pelo mundo afora, acho justa e legal a luta pelos direitos de todo cidadão negro. Mas é difícil aceitar que para isso se faça necessário usar de métodos perspicazes de ludibriação social, com o objetivo de adquirir vantagens.


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Acho interessante observar o nível de fundamentalismo imposto por alguns representantes do movimento negro, assim como outros movimentos sociais no país. Não estou generalizando, mas sim justamente apontando os exageros.

Tenho reparado que toda esta movimentação em prol do "social", tem arregimentado cada vez mais jovens e por conta de sua inexperiência e curiosidade típicas, assumem um papel de destaque nestes grupos, exacerbando aquilo que na verdade era tratado com parcimônia e bom senso.

O discurso verdadeiro por direitos iguais a muito se perdeu e o que me causa certo temor é pensar que isso um dia pode acarretar em movimentos cada vez mais centrados no fundamentalismo e levar pessoas a atos incoerentes como empunhar armas e sair pelas ruas fazendo valer suas políticas de bem social, na base do terrorismo e da violência.

Esta unilateralidade fomentada por grupos autodenominados de movimentos sociais, traz em si uma bagagem de muito discurso político e pouca prática de campo. E justamente esta inexperiência torna toda uma ideologia que possivelmente daria certo, em um mecanismo de defesa social, com base na violência, intolerância e descomprometimento de normas jurídicas.

O propósito de igualidade (equidade como costumam definir), está a muito esquecido, já que o intuito na maioria das vezes é tentar converter pessoas e que não sejam a simpatizantes destas ideologias, ao mesmo tempo em que hostilizam aquelas, que por sentirem-se frustradas com as políticas destes movimentos sociais, optaram por não mais fazer parte, por perceberem que não há futuro nisso.

Entendo que o racismo está presente em nosso cotidiano, mas não podemos esquecer que este tipo de discriminação não é um problema somente entre caucasianos e negros, mas sim a todas as etnias existentes no planeta, já que índios, estrangeiros e até mesmo brancos e ruivos são vítimas de preconceito.

A discriminação por cor não é o maior dos problemas, mas parte de um todo. Existe discriminação em todos os níveis da sociedade, de pobre para rico e vice versa, de negros para índios, brancos e asiáticos, assim como contra obesos, idosos e até mesmo portadores de necessidades especiais.

Então antes de levantar o dedo e querer cotas, pense que se formos por este viés, teremos que exigir cotas não somente para etnias, mas para idosos, deficientes, obesos e todos os seres humanos portadores de alguma anormalidade, seja de origem física ou intelectual.


Marco Ribeiro

"A vida não é um poema.".
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