Marco Ribeiro

"A vida não é um poema."

Porque fujo daquilo que me atrai?

Porque fujo dos prazeres imediatos e porque não acredito que a felicidade está naquilo que todos escolhem como sua forma de prazer.


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Das coisas da vida, há certa quantidade de ofertas daquilo que para muitos é primordial: desejo imediato de satisfação e prazeres momentâneos.

Não possuo pretensões de um anômalo, que faz distinção entre o belo e feio com base em critérios enviesados. Apenas não procuro obter prazeres naquilo que não me levará a um objetivo específico e que não deixará marcas positivas em minha memória.

Entendo que é natural buscarmos por aquilo que nos traga respostas imediatas de prazer, para logo em seguida partir em direção a outras formas de prazeres infinitos e repetidos. Como se a vida fosse uma brincadeira de pular pedras sobre um riacho. Não gosto das coisas fáceis e da futilidade dos prazeres momentâneos. Eles me soam entediantes. Gosto de curtir os momentos como quem saboreia uma bala até o fim e não como um chiclete, que tão logo perca a graça será descartado para dar lugar a outro.

Entretanto, não encaro isso como uma crença, prática ou filosofia de vida na qual deva me apoiar e aceitar como algo imutável, pois entendo as motivações que levam alguém a essa sanha por novidades que se tornarão alvo de desprezo posterior. Entendo também que toda busca pela satisfação pessoal vem atrelada a uma boa dose de frustração, tão logo que deixe de ser novidade.

Pessoalmente, gosto de viver a vida e encará-la da mesma maneira com a qual degusto um bom vinho; lentamente e saboreando cada gole como se fosse a última gota, da último taça, da última garrafa daquele vinho caro que só podemos comprar uma vez na vida.

Prefiro enxergar a vida com os olhos de criança em festa de aniversário, que à espera do bolo, senta-se pacientemente e aguarda sua vez, para enfim degustá-lo com imenso prazer, sentindo cada textura, sabor e ingrediente colocado, para ao final raspar o prato com a língua e os dedos e que ao chegar em casa, eufórico, compartilhará com seus pais o fato de ter saboreado o melhor e mais bonito bolo de sua vida.

Gosto de sorver a vida sem pressa e sem propósito algum que não seja o de aproveitar cada momento de maneira pensada, tranquila e que possa tirar disso boas experiências, sem apostar tanto nas expectativas e sim poder futuramente lembrar deste momento como algo especial e que foi vivido em sua intensidade.

Eventos fugazes no mais puro estilo "rapidinha de estacionamento" não me atraem, pois me causam a impressão de que estamos fugindo da vida e deixando para trás o que há de mais importante, que é aproveitar aquela oportunidade única e que certamente jamais se repetirá - ao menos não da mesma forma e com a mesma intensidade.

Hoje, depois que alcancei um certo nível de maturidade, entendo que nem todos os prazeres da vida se restringem a poucas horas ou minutos e com a pressa de fugir como se estivesse cometendo algum crime. Isso é atropelar a percepção de tempo e acelerar nosso passo rumo ao fim da vida e por enquanto nem cogito tal possibilidade.

Marco Ribeiro


Marco Ribeiro

"A vida não é um poema.".
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