Marco Ribeiro

"A vida não é um poema."

O choro contido e a ferida que não cicatriza

Rir, chorar e expressar sentimentos são formas humanas de comunicação e disso não podemos abrir mão. Mas e quando não conseguimos botar para fora o que sentimos e em vez disso, acumulamos tristezas e até mesmo alegrias?


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Antigamente, era comum aos pais dizer a criança chorona, que engolisse o choro, numa tentativa de conter o excesso de manha e assim manter algum controle sobre a criança que chorava compulsivamente e as vezes sem motivo aparente. Isso de certa forma funcionava como freio contra maus hábitos e o excesso de liberdade, pois desde cedo a criança aprendia que nem tudo era no tempo de seus desejos imediatistas.

Até certo ponto dou razão aos pais, pois isso tem sua razão de ser e funciona quando aplicado de forma comedida. Mas há terapeutas que condenam essas atitudes por entenderem que forçar a criança a suprimir sentimentos, pode repercutir em distorções comportamentais, já que ela se tornará um adulto com certa dificuldade em expressar sentimentos. O que não é saudável, pois rir frouxamente de uma piada ou chorar melanconicamente durante uma filme são comportamentos naturais e não há nada de errado nisso.

Reprimir sentimentos nos torna rígidos com nossa própria existência, uma vez que não sabemos como lidar com eles e por isso não entendemos muito bem o que, como e quando fazer algo em relação aquilo que sentimos num determinado momento. Pode parecer estranho afirmar isso mas existe uma parcela da população que não consegue chorar em público ou mesmo sozinho e não consegue expressar alegria de uma forma natural, como as demais pessoas. Só que antes de qualquer diagnóstico superficial do tipo: "Ah... ele é um sujeito tímido!", é bom saber que nem sempre as coisas são o que aparentam. Não quero entrar no mérito do diagnóstico, pois este não é o objetivo do texto, mas é preciso cautela ao afirmar algo.

Outra questão que envolve suprimir sentimentos é a forma como quem luta permanentemente contra si mesmo, vivendo momentos de angústia por não conseguir se enquadrar e achar que por ser assim, isso o torna um anormal e que não há lugar para ele em meio à sociedade, o que o torna arredio e o faz optar pelo isolamento não por opção e sim por sentir-se deslocado.

Prender o choro equivale a manter feridas abertas, pois chorar é justamente o jeito que nosso cérebro entende como forma natural de liberar sentimentos e assim aliviar a carga emocional. Se chorar equivale a esvaziar a lixeira da alma, rir seria semelhante a adubar o espírito.

Então quando sentir aquela comoção ao assistir um filme, ouvir aquela música emocionante, assistir vídeos de bebes ou receber algo que o emocione, chore sem vergonha de ser ridículo ou fraco. Seu cérebro agradece. O mesmo equivale para o ato de rir. Sorria sempre que tiver vontade e se for uma gargalhada, que doa sua barriga e suas bochechas, pois expressar sentimentos é parte da essência humana e disso não podemos abrir mão.

Afinal o que nos resta na vida, senão sentir e expressar o que sentimos?


Marco Ribeiro

"A vida não é um poema.".
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