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De onde dizem que nem mesmo a luz consegue escapar...

Alexandre Beluco

Engenheiro, pesquisador, professor universitário. Especialista em energias renováveis. Apaixonado por motores de dois tempos

o dkw monza e alguns recordes impressionantes nos anos 50

O Monza foi produzido na Alemanha de modo independente entre 1956 e 1958. Ele tinha carroceria de fiberglass e mecânica fornecida pela DKW. E um design aerodinâmico que lhe permitiu ser muito rápido. A produção foi muito pequena e passou pelas mãos de três fabricantes. Seu nome veio do circuito onde ele estabeleceu marcas respeitáveis em seu tempo.


Os automóveis da DKW sempre tiveram um certo apelo esportivo, e vinham alcançando um relativo sucesso em competições automobilísticas na Europa, no início dos anos 50. Esse panorama positivo era devido, principalmente, à relativa modernidade de seus produtos (quando comparados aos concorrentes) e às características próprias dos motores de dois tempos.

Dois engenheiros alemaẽs então planejaram uma carroceria leve e aerodinâmica que, colocada sobre a mecânica DKW, poderia render resultados ainda melhores. Foi assim que os engenheiros Gunther Ahrens e Albrecht W. Manzel, com o apoio do "encarroçador" Dannenhauer & Stauss, chegaram a um esportivo produzido em fiberglass e com desenho bastante incomum e elegante.

A denominação inicialmente pretendida para esse novo esportivo era Solitude, que perdeu espaço para a denominação Monza quando algumas marcas importantes e surpreendentes foram estabelecidas no autódromo localizado em Milão. O Monza, como passou a ser conhecido, tem formas que lembram o Mercedes 300 SL, do início dos anos 50, seu contemporâneo, bastante maior e mais potente.

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Os faróis em posição não tão baixa nos para lamas eram uma tendência da época, quando a maioria dos carros ainda traziam o capô do motor em posição mais elevada. A entrada de ar era larga e baixa e o para brisa era amplo e encurvado, para garantir bom desempenho aerodinâmico ao conjunto.

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É um típico cupê, com apenas dois lugares, com a traseira em desenho harmonioso com o conjunto central da carroceria. Como o carro é bastante baixo e próximo do solo, os para lamas se ressaltam, ficando mais nitidamente visíveis na traseira. O vidro traseiro se projeta para a frente, garantindo ampla visibilidade em todas as direções.

O Monza passou por três "encarroçadores" no curto período em que foi produzido. Primeiro, foi produzido por Dannenhauer & Stauss, de Stuttgart, em 1956; depois por Massholder, de Heidelberg, entre 1956 e 1957; por fim, foi produzido por Robert Schenk, de Stuttgart, em 1957 e 1958. O exemplar das fotos acima é um Schenk.

O Monza tem largura de 1.660 mm, comprimento total de 4.090 mm, altura de 1.350 mm e distância entre eixos de 2.350 mm, correspondentes às medidas básicas dos DKWs em produção. O Monza pesava apenas 780 kg, contra 895 kg dos DKWs de linha de produção na época.

O motor DKW de dois tempos e três cilindros com 900 cc rendia apenas 40 HP. Com esse impulsor, o Monza chegava aos 140 km/h e fazia de 0 a 100 km/h em 22 segundos, contra velocidade máxima de 125 km/h e arrancada até 100 km/h em 31 segundos cravados pelos DKWs em produção na época.

Uma versão com motor de 980 cc e 55 HP alcançava 150 km/h e fazia de 0 a 100 km/h em 18 segundos. Esse motor aliás tinha especificações muito semelhantes aos motores que foram usados anos mais tarde nos DKWs produzidos no Brasil. A potência de 55 HP poderia ser obtida com pequenos ajustes.

Esse melhor desempenho em relação aos DKWs usuais saídos das linhas de produção é devido a um menor peso, a um preparo cuidadoso do motor e principalmente a um projeto aerodinâmico adequado.

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A parte dianteira do Monza é baixa e mais próxima do solo, apresentando uma área frontal pequena para a época e menor que a apresentada pelos DKWs de linha. Além disso, a entrada de ar favorece o arrefecimento nas velocidades mais elevadas.

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A lateral tem forma de garrafa de coca-cola, que sempre favorece a redução do arrasto aerodinâmico. A parte traseira também é pensada para conduzir a movimentação do ar de modo favorável.

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A denominação Monza não veio sem motivo! Em 1956 esse carro estabeleceu marcas impressionantes. Em um único evento com 72 horas de duração, um Monza estabeleceu recordes para as médias de velocidade para 4.000 milhas, para 5.000 milhas, para 10.000 km e para 48 horas e para o trecho total de 72 horas.

As marcas estabelecidas superavam em mais de 10% as marcas anteriores. As marcas foram de velocidade média de 140,839 km/h para 4.000 milhas; de 138,656 km/h para 5.000 milhas; de 139,453 km/h para 10.000 quilômetros; de 140,961 km/h para 48 horas e de 139,459 km/h para as 72 horas de duração do evento.

Essas marcas se tornam ainda mais impressionantes sabendo que nenhum carro percorreria essas distâncias sem algum re abastecimento ou sem trocas de pneus ou mesmo sem eventuais serviços de manutenção e, principalmente, sabendo que nenhum piloto aguentaria mais que algumas horas sem uma "paradinha". Quer dizer... essas médias incluem tudo isso!

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A produção do Monza foi encerrada no início de 1958 quando a DKW decidiu não mais fornecer componentes mecânicos. Eles não queriam alimentar um concorrente de seu mais novo lançamento... um esportivo (obviamente a dois tempos) inspirado no Ford Thunderbird! Mas essa é outra estória!

Foram produzidos menos de duzentas unidades!


Alexandre Beluco

Engenheiro, pesquisador, professor universitário. Especialista em energias renováveis. Apaixonado por motores de dois tempos.
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