horizonte de eventos

De onde dizem que nem mesmo a luz consegue escapar...

Alexandre Beluco

Engenheiro, pesquisador, professor universitário. Especialista em energias renováveis. Apaixonado por motores de dois tempos

o porsche 550 spyder, o motor fuhrmann e infinitas réplicas

O 550 Spyder foi o primeiro modelo produzido pela Porsche especificamente para corridas, com uma parte da produção dedicada ao consumidor final. A grande parte dos exemplares recebia o motor Fuhrmann, que rendia 110 HP e tinha quatro comandos de válvulas. Com poucas dezenas de exemplares de linha de produção, é um dos mais replicados em todo o mundo.


O Porsche 550 Spyder foi lançado pela Porsche durante os anos 50 idealizado para competições, tendo sido produzido entre 1953 e 1956. O número 550 de sua denominação é devida ao simples fato de que foi o quingentésimo quinquagésimo projeto do escritório de Ferdinand Porsche e seu filho. A denominação Spyder surgiu no início dos anos 50 para denominar pequenos roadsters que não tinham capotas removíveis nem janelas retráteis.

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Com o 550 Spyder, a Porsche obteve sua primeira vitória em competições, na Targa Florio de 1956. O sucesso do 550 em competições foi devido à sua estabilidade, principalmente por ser muito baixo, muito próximo do solo, ao seu baixo peso e ao seu motor excepcional, competindo em igualdade de condições com Ferraris e Jaguares, bastante maiores e mais pesados e muito mais potentes. O substituto do 550 Spyder, o 718, competiu e pontuou na Fórmula 1 até 1963.

Por ter sido idealizado para competições, tendo entretanto unidades colocadas à venda para uso cotidiano, ele fez muito sucesso, principalmente porque o motor para ambas as versões era o mesmo. A única diferença entre eles era o ajuste para uso em competições! Esse sucesso contribuiu para a construção do mito esportivo que existe em torno da marca, contribuiu para que ele fosse adquirido por vários famosos de sua época (entre eles, James Dean, que morreu em um acidente com um deles) e contribuiu para que se tornasse um dos carros mais replicados do mundo.

É um carro de design muito simples. Idealizado para ser muito baixo e para ficar muito próximo do solo, a carenagem central tem forma suficiente para esconder o motor na parte traseira, para guardar o tanque de combustível e alguma bagagem na parte dianteira, e para abrigar (sem muita proteção, é verdade) o motorista e um passageiro em sua parte central. E a carenagem se molda em torno dos rodados para protegê-los do ar que se movimenta em torno do carro.

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Na dianteira, acima, aparecem os faróis, as sinaleiras, pequenas entradas de ar para arrefecimento dos freios dianteiros e a entrada de combustível no meio da tampa do porta malas. Na traseira, abaixo, aparecem as sinaleiras mescladas com luzes de freio e as entradas de ar para o motor, com as grades, reforçadas por duas entradas suplementares colocadas na altura dos carburadores. Os freios a tambor (nas quatro rodas) e as rodas são as mesmas do sedã da VW.

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A versão inicial, com poucas unidades produzidas, carregava um motor muito similar ao do sedã Volkswagen, o Fusca, e a mesma caixa de com quatro velocidades. A versão colocada em produção contava com o motor muito melhorado pelo engenheiro Ernst Fuhrmann, com quatro comandos de válvulas, e uma caixa com cinco velocidades. Esse motor era relativamente complexo mas permitia um aumento considerável de potência sobre uma plataforma muito semelhante à do Fusca.

O motor Fuhrmann era bastante semelhante ao motor Volkswagen europeu do início dos anos 60. Ele foi desenvolvido entre 1952 e 1953 a partir do mesmo conjunto do motor da VW. Ele tinha 1498 centímetros cúbicos e desenvolvia 110 HP em sua primeira versão. Versões posteriores com essa mesma cilindrada alcançaram 135 HP. A velocidade máxima do 550 impulsionado por esse motor era bem superior aos 200 km/h, com aceleração de 0 a 100 km/h bastante inferior a 10 segundos.

O motor Fuhrman era bastante avançado para sua época e bastante mais complexo que seu equivalente da Volkswagen, exigindo aproximadamente oito horas para uma regulagem completa de seu sistema de comando de válvulas. Eram quatro comandos dispostos dois sobre cada cabeçote, contra apenas um disponível em seu predecessor. Além desses comandos, o motor Fuhrmann também dispunha de um sistema diferente para ventilação, mais eficiente que o original.

Além dos 550 Spyder, uma versão do motor Fuhrmann desenvolvida sobre o motor Volkswagen de 1587 centímetros cúbicos também esteve presente, considerando apenas automóveis de rua, na rara versão 356 Carrera (disponível apenas em 1958). Mas é claro que vários Porsches de competição foram impulsionados por motores montados com essa concepção entre 1952-1953 e o início dos anos 60.

Em suas versões mais agressivas, um Fuhrmann com 1496 cc produzia 190 HP, impulsionando o Porsche 804 na Fórmula Um, em 1962, e um Fuhrmann com 1587 cc produzia 180 HP, impulsionando o Porsche 904 em competições européias de turismo, em 1963. Ambos ultrapassavam os 260 km/h e permitiam acelerações de 0 a 100 km/h da ordem de 5 segundos a 6 segundos. O motor do Porsche 904 havia sido desenvolvido sobre um motor com 1966 centímetros cúbicos.

1024px-1955_Porsche_550_Spyder_engine.jpg Motor Fuhrmann com 1498 cc em um Porsche 550A Spyder.

A foto acima mostra um Fuhrmann "de passeio" em um 550 Spyder e a foto abaixo um Fuhrmann "para competições" em um 904. Para quem conhece o motor de um Fusca, ficam evidentes algumas diferenças. O sistema de ventilação é diferente e parece (mas não apenas "parece") mais eficiente. Também podem ser vistos os comandos de válvulas sobre o cabeçote da esquerda.

1024px-Fuhrmann-Motor_im_Porsche_904_(2009-08-07).jpg Motor Fuhrmann de 1966 cc em um Porsche 904.

O Porsche 550 Spyder é considerado como um dos modelos mais replicados em todo o mundo. Foram apenas 155 exemplares da linha de produção, entre aqueles que foram usados em corrida e aqueles destinados ao consumidor final, como carros de rua, e estimam-se mais de dez mil réplicas (dez mil!) em todo o mundo desde os anos 50. Entre todas as réplicas, algumas em metal e a grande maioria em fiberglass, algumas produzidas no Brasil encontram-se entre as melhores.


Alexandre Beluco

Engenheiro, pesquisador, professor universitário. Especialista em energias renováveis. Apaixonado por motores de dois tempos.
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