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De onde dizem que nem mesmo a luz consegue escapar...

Alexandre Beluco

Engenheiro, pesquisador, professor universitário. Especialista em energias renováveis. Apaixonado por motores de dois tempos

carroll shelby e as séries especiais do cobra e do mustang

O norte-americano Carroll Shelby foi piloto de corridas (inclusive da Fórmula Um) e designer automotivo, sendo conhecido principalmente pelas versões super-motorizadas que criou para alguns automóveis. O Shelby Cobra está entre os automóveis mais replicados em todo o mundo e o Mustang Shelby até virou a Eleanor, uma personagem cinematográfica. Durante os anos 60, ele protagonizou um duelo com a Ferrari retratada em documentário.


O norte-americano Carroll H. Shelby nasceu no Texas em 1923 e faleceu em 2012 com 89 anos, tendo exercido várias atividades relacionadas com automobilismo. Em sua juventude, foi piloto de corridas, passando a alterar design e motorização de alguns esportivos a partir dos anos 60. Suas criações mais notáveis foram o Shelby Cobra e as várias versões do Mustang Shelby, como ficaram conhecidos.

Como piloto ele participou entre 1956 e 1959 de algumas provas de turismo e de algumas corridas na Fórmula Um. Era um piloto discreto, tendo participado de oito provas da Fórmula Um em 1958 e 1959, sem ter obtido pontuação, conduzindo carros da Maserati e da Aston Martin. O ponto culminante de sua carreira como piloto foi ter vencido as 24 Horas de Le Mans, em 1959.

O Shelby Cobra é um "brucutu"! É um esportivo pesando cerca de uma tonelada mas sempre, em todas as suas versões, equipado com motores muito potentes. Ele tem linhas bastante simples e fluidas, derivadas de um esportivo britânico um pouco menor e menos potente (na verdade, menos audacioso), o AC Ace, que Shelby encontrou pela primeira vez quando competia em Le Mans em 1959.

A aparência de força do Shelby Cobra é evidente! É como se Shelby, como designer desse esportivo, tivesse simplesmente colocado os músculos do pequeno Ace à mostra. O sucesso do resultado é tão marcante que o Shelby Cobra, produzido em várias versões desde 1962, está entre os três carros mais replicados em todo o mundo (juntamente com o Porsche 550 Spyder e o Jaguar XK120).

cobra-rear.jpg Um Shelby Cobra de 1967.

Um longo capô alberga motores muito capazes. Algumas versões foram equipadas com o motor 289, que tem configuração V8 e volume de 4,7 litros, enquanto outras versões receberam o motor 427, também um V8 com 7,0 litros e rendendo 425 HP em versões "tranquilas" e 485 HP nas versões para competição. A posição do condutor está bem próxima do eixo traseiro, que é o eixo de tração.

SC06_1966_Shelby_Superformance_427_SC_Cobra-1.jpg Um Shelby Cobra 427.

O Cobra é fundamentalmente um conversível, mas houve uma versão "fechada" em uma tentativa para elevar a velocidade máxima. O Daytona Coupe surgiu em 1964 para correr em Le Mans entre os GTs e tentar superar os sucessos alcançados pela Ferrari 250 GTO. O Daytona apresenta algumas diferenças em relação ao Cobra, com correções aerodinâmicas sugeridas por engenheiros aeronáuticos.

2009-Superformance-Shelby-Daytona-Cobra-Coupe-Front-And-Side-c.jpg Dianteira de um Daytona Coupé.

O Daytona Coupé não é exatamente um Cobra em versão "hard top". As suas formas são mais esguias e fluidas e o habitáculo parece mais encorpado que o necessário, com a carroceria terminando em uma traseira "aproximadamente" do tipo Kamm, para garantir uma boa performance aerodinâmica. O Daytona lembra bastante algumas Alfas esportivas experimentais dos anos 60.

2009-Superformance-Shelby-Daytona-Cobra-Coupe-Rear-And-Side-c.jpg Traseira de um Daytona Coupé.

Uma rivalidade se estabeleceu entre os carros de Shelby e os carros da Ferrari no início dos anos 60. Havia um longo trecho retilíneo em Le Mans, a lendária Mulsanne, com 6 km de extensão, na qual os Cobras eram amplamente superados pelas 250 GTO, muito mais rápidas. Esse conflito é retratado em um documentário chamado The Snake and the Stallion, de 2002, dirigido por Richard Simmons.

Já o Mustang Shelby é uma versão elegante para um esportivo que já era interessante! Várias versões dos Mustang ao longo das últimas décadas receberam versões aditivadas por Shelby, mas a que ficou mais famosa foi a verao para os Mustang de 1967. Especialmente as versões para os Fastback, que se tornaram personagem do filme 60 Segundos, de 2000, a "Eleanor".

1967_Ford_Mustang_Shelby_GT-500_Eleanor.jpg Um Mustang Shelby GT500 Fastback, de 1967... a "Eleanor".

Na dianteira, basicamente atampa do cofre do motor e a grade eram alteradas para dar mais agressividade ao conjunto. Além disso, faróis auxiliares eram adicionados em posição inusitada. Na traseira, as clássicas lanternas, três verticais de cada lado, eram substituídas por longas lanternas horizontais. E era adicionado ainda uma aerofólio, para "incrementar" o desempenho aerodinâmico.

1967_Ford_Mustang_Shelby_GT500_coupe_(7708121550).jpg Traseira de um GT500 Fastback.

Em diferentes versões, entre elas as GT350 e GT500 (números que nada tem a ver com potência mas estão relacionadas com efeito publicitário), esses Mustang "envenenados" se tornaram esportivos de culto e figuram entre os mais procurados por colecionadores e entusiastas e entre os mais "adaptados", já que existe um mercado paralelo que fornece componentes para conversões de "modelos comuns".

Em seus últimos anos, atuando já há bastante tempo como um empreendedor no que dizia respeito à comercialização de automóveis Ford Mustang clássicos dos anos 60, alterados conforme a personagem "Eleanor" e vendidos portando essa denominação, ele enfrentou problemas de direitos autorais. Ele não detinha as permissões necessárias para lidar com as características de Eleanor.

Foram produzidos, no período inicial (e que poderia ser denominado como clássico) cerca de 1.000 Cobras e quase 14.000 Mustangs. Entre esses, foram exatamente 348 exemplares do Cobra 427 e exatamente 2.048 Mustang GT500 Fastback de 1967.


Alexandre Beluco

Engenheiro, pesquisador, professor universitário. Especialista em energias renováveis. Apaixonado por motores de dois tempos.
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