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De onde dizem que nem mesmo a luz consegue escapar...

Alexandre Beluco

Engenheiro, pesquisador, professor universitário. Especialista em energias renováveis. Apaixonado por motores de dois tempos

o motor "quasiturbine" como uma evolução do motor wankel

O motor denominado como `quasiturbine` é um motor ainda em desenvolvimento que pode ser considerado como uma evolução do motor Wankel. Ele apresenta características positivas como um pequeno volume relativo e uma alta potência específica, porém algumas características o tornam relativamente complexo e certamente limitarão suas aplicações.


O motor denominado como Quasiturbine ou Qurbine é uma ideia relativamente recente dentro da indústria automobilística, já que vem sendo desenvolvido nos últimos 25 anos. É um motor rotativo concebido sem pistões, em configuração bastante semelhante ao motor desenvolvido no início do século XX pelo engenheiro alemão Felix Wankel. É um motor sem pás, mas seu funcionamento lembra o de uma turbina e essa semelhança deu origem à sua denominação.

É um motor de concepção mais lógica que os motores tradicionais com cilindros e pistões, apresentando uma distribuição de espaços e um funcionamento mais orgânicos. Sua concepção garante mais potência e menos emissões ocupando um volume menor que seus equivalentes de cilindros e pistões, mas é bastante mais complexo que o motor Wankel, do qual se origina. Ambos enfrentam as mesmas dificuldades de inserção em um "ambiente de motores de cilindros e pistões".

A figura abaixo (que aparece com baixa resolução, mas mesmo assim permite o entendimento do processo) mostra esquematicamente um motor Quasiturbine em funcionamento, permitindo visualizar seus quatro tempos. Em corte, o corpo do motor não é exatamente cilíndrico, para compor volumes de formas diferentes com os componentes internos para os espaços correspondentes aos cilindros evoluindo ao longo dos quatro tempos de operação do motor.

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Na parte de cima, à esquerda, está a vela de ignição, enquanto abaixo estão uma entrada, à direita, e uma saída, à esquerda, sinalizadas com setas. A injeção da mistura ar-combustível (que aparece como pontinhos vermelhos) ocorre na entrada, abaixo à direita. Essa mistura segue o movimento rotatório do eixo interno que, conjuntamente com o movimento das peças interna móveis, sofre compressão. A faísca proporcionada pela vela provoca ignição da mistura comprimida.

A explosão (representada pela mudança de cor de vermelho para amarelo) ocorre quando o volume destinado ao "cilindro" é aumentado, tanto pelo movimento conjunto das peças móveis quanto pela própria forma do motor. Os restos da explosão, uma mistura de partículas e gases, é eliminada quando esses materiais são levados pelo próprio movimento de rotação do eixo os leva à saída, que aparece na parte de baixo à direita, marcada com a seta de saída.

Um grupo canadense de pesquisadores estão desenvolvendo o motor Quasiturbine, visando sua aplicação principalmente em automóveis, pelo melhor desempenho quanto à consumo de combustíveis e à emissão de gases poluentes, além de permitir a concepção menores em relação aos motores disponíveis atualmente, considerando um determinado valor de potência. A foto abaixo mostra um Quasiturbine instalado no cofre de motor de um automóvel convencional atualmente disponivel.

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A foto mostra o cofre do motor e, um pouco à esquerda, o motor visto de lado, em posição transversal ao eixo do automóvel. O motor aciona por polias e correia o eixo dianteiro do automóvel. Além do motor podem ser vistas algumas conexões para o sistema de arrefecimento do motor, externo ao cilindro que é mostrado na figura anterior. A capacidade de se mostrar compacto deixa o cofre do motor vazio!

É um motor que padecerá provavelmente das mesmas limitações do motor Wankel, que mesmo mais simples que os motores convencionais a base de cilindros e pistões apresenta uma certa complexidade peculiar e exigirá mão de obra especializada. Mesmo assim, os motores Quasiturbine e Wankel devem encontrar aplicações entre automóveis e motocicletas esportivos e aeronaves, que exigem sempre mais recursos e mão de obra mais qualificada.


Alexandre Beluco

Engenheiro, pesquisador, professor universitário. Especialista em energias renováveis. Apaixonado por motores de dois tempos.
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