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De onde dizem que nem mesmo a luz consegue escapar...

Alexandre Beluco

Engenheiro, pesquisador, professor universitário. Especialista em energias renováveis. Apaixonado por motores de dois tempos

veículos autônomos e redução de acidentes de trânsito

Os automóveis autônomos são veículos que podem se movimentar por conta própria, dispensando condutores humanos. Um veículo desse tipo se torna viável quando a sinalização de trânsito é projetada para fornecer informações para sua navegação. É um sonho para quem gosta de modernidades, mas uma das maiores consequências poderá ser a redução dos acidentes de trânsito!


Os automóveis autônomos são veículos equipados com instrumentos que lhe permitem navegar dispensando a ação de um condutor humano. Esses instrumentos embarcados podem ou ler o ambiente em torno para que um processador decida que direção seguir para chegar ao seu objetivo ou receber informações de equipamentos fixos no solo (ou de outros veículos em movimento) que são necessárias e suficientes para que trace a trajetória mais adequada para chegar ao seu objetivo.

As concepções de veículos autônomos podem variar conforme os objetivos pretendidos. Um veículo pode ser completamente autônomo (ou automatizado, como também é denominado neste caso), recebendo radares para identificar as posições de outros veículos e de obstáculos e um computador que processe essas informações e ainda tenha capacidade de orientação para decidir rotas que permitam que viaje até uma determinada posição, estabelecida por seu proprietário.

Um veículo também pode ter capacidade de trafegar de modo autônomo em determinados trechos de avenidas mais movimentadas ou de rodovias com grande afluência de veículos. A rodovia nesse caso seria equipada com dispositivos que assumem a distância o controle dos veículos, estabelecendo suas rotas e as distâncias entre os veículos, conduzindo-os, a partir de sua entrada na rodovia, até uma saída que tenha sido previamente escolhida pelo condutor.

Um exemplo de automóvel autonômo apareceu no filme I, Robot, de 2004, que retratava a cidade de Chicago no ano de 2035. A Audi desenvolveu um modelo especificamente para esse filme. A personagem, em determinado momento, deslocando-se para casa, decide descansar e deixa a condução do veículo a cargo do computador embarcado. Esse veículo traz ainda vários outros elementos de conceito além da capacidade de movimento autônomo.

1024px-Audi_RSQ_2.jpg O Audi RSQ, desenvolvido para o filme de ficção científica I, Robot.

Outro exemplo apareceu no filme Minority Report, de 2002, que retratava a cidade de Washington em 2054 e mostrava várias cenas de tráfego urbano intenso com veículos autônomos. Esse carro foi desenvolvido pela Lexus especificamente para o filme e, em determinado momento, aparece sendo produzido em uma montadora completamente automatizada. Nas cenas de tráfego, várias pistas se confundem com laterais de prédios, por exemplo, para melhor uso dos espaços.

Lexus_2054_Minority_Report_concept1.jpg O Lexus 2054, desenvolvido para o filme Minority Report.

Atualmente, várias grandes empresas do setor automobilístico e algumas das maiores universidades do mundo mantêm projetos de automóveis autônomos. Os sistemas embarcados e não embarcados podem variar bastante de projeto para projeto, conforme a concepção adotada para seus desenvolvimentos.

É o sonho de todos que anseiam por modernidades... entrar no carro e seguir para casa lendo algum jornal, conversando com alguém por algum aplicativo ou simplesmente relaxando ou mesmo dormindo, sem qualquer envolvimento com o stress que caracteriza o trânsito nas grandes cidades.

Os automóveis autônomos atualmente disponíveis não se mostram tão maravilhosos quanto esses que foram desenvolvidos para o cinema. Por exemplo, um VW Passat foi alterado na Stanford University para permitir que o veículo possa trafegar de modo autônomo, dentro de um projeto denominado Hands Free Driving.

1024px-Hands-free_Driving.jpg Um VW Passat foi modificado na Stanford University.

Anteriormente, na Inglaterra, um Citroen DS 19 havia sido adaptado dentro de um processo bastante completo de automatização. Nessa concepção, o veículo poderia inclusive percorrer um determinado percurso sem o condutor. Esse veículo (que aparece na foto abaixo) está preservado no Science Museum, de Londres.

800px_1973_377_Citroen_DS19_automatically_guided_motor_car.jpg Um Citroen DS 19 foi utilizado em projeto de automóvel automatizado.

Esse é outro sonho dos que anseiam por modernidades... sair para uma happy hour com amigos sem o compromisso de retornar para buscar o carro ou podendo retornar de carona com alguém ou mesmo de taxi no caso de consumo de bebidas alcoólicas. O carro simplesmente seria chamado a se deslocar para seu ponto de origem (podendo é claro também levar o próprio condutor).

Uma amostra desses dispositivos já começa a estar ao alcance de muitos condutores que adquirem veículos com capacidade autônoma para estacionamento. Basta situar o veículo em determinada posição próxima a uma vaga que ele próprio sumpre a tarefa de encaixar o veículo na vaga pretendida.

A Tesla apresentou recentemente uma versão autônoma para o seu Modelo S. É um carro elétrico com cinco portas e capacidade para cinco passageiros serem conduzidos com alto nível de conforto e segurança. Atualmente é o carro elétrico com maior autonomia, de 426 km, e ultrapassou em dezembro de 2015 a marca das 100.000 unidades comercializadas.

2013_Tesla_Model_S_(11322176214)_cropped.jpg A Tesla apresentou uma versão autônoma para o Modelo S.

Os sistemas que atualmente mostram as melhores perspectivas são aqueles que incluem algum tipo de instrumentação também nas estradas, para fornecer informações aos veículos. Informações relacionadas ao caminho a ser percorrido além de informações relacionadas também com o tráfego.

Certamente, os condutores que se divertem conduzindo seus automóveis não serão impedidos de assumir o volante. Os trechos apropriados para automóveis trafegarem de modo autônomo certamente serão restritos aos trechos mais movimentados e mais conflagrados e aos horários de tráfego mais intenso.

A melhor consequência desses dispositivos será a manutenção de distâncias mínimas entre os veículos em ruas e avenidas de grande tráfego e em estradas e a determinação de trajetórias mais seguras para os veículos, evitando colisões e tombamentos (no caso de caminhões).

Em outras palavras... a melhor e mais esperada consequência da implementação de dispositivos que viabilizem a autonomia dos automóveis (mesmo que parcial) será uma redução certamente substancial nos acidentes de trânsito!


Alexandre Beluco

Engenheiro, pesquisador, professor universitário. Especialista em energias renováveis. Apaixonado por motores de dois tempos.
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