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De onde dizem que nem mesmo a luz consegue escapar...

Alexandre Beluco

Engenheiro, pesquisador, professor universitário. Especialista em energias renováveis. Apaixonado por motores de dois tempos

a 250 de steve mcqueen e as 250 de ferruccio lamborghini

A Ferrari 250 foi o primeiro modelo de sucesso mais generalizado da marca italiana, mesmo tendo sido produzido em vários modelos diferentes, visando tanto as corridas quanto as versões "de passeio". Entre alguns exemplares notáveis, certamente podem ser listadas pelo menos uma das 250 de Steve McQueen e as 250 de Ferruccio Lamborghini.


A Ferrari 250 foi lançada em 1953 e produzida até 1964 em diferentes modelos e aplicações, tendo sido substituída pela Ferrari 275. A 250 foi a primeira Ferrari a alcançar um sucesso mais amplo e a ser adquirida com certa pompa pelo público não diretamente relacionado com competições, mesmo que (naquela época e ainda atualmente) seja ainda um público bastante restrito.

[As denominações de automóveis sempre envolvem sequências de números e letras. Naquela época, a Ferrari denominava seus esportivos pelo volume aproximado dos cilindros do motor que o equipava. Desse modo, o motor das 250 tinha cilindros com 250 cm³. Como as 250 eram equipadas com um motor em V com 12 cilindros, já se pode depreender que o motor tinha volume total de cerca de 3.000 cm³.]

Entre os compradores, estavam Steve McQueen e Ferruccio Lamborghini.

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O ator Steve McQueen sempre esteve envolvido com o mundo das corridas e foi o ator principal de um filme sobre Le Mans. Durante os anos 60 ele teve algumas Ferrari e uma 250 passou por proprietários cuidadosos e foi restaurada no início deste século. Em 2007, esse exemplar notável foi a leilão pelas Christie's e foi arrematado pela expressiva quantia de US$ 2,31 milhões.

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Esse exemplar era uma Ferrari 250 GT/L Berlinetta Lusso de 1963, com chassis e bloco do motor com a mesma numeração, número de série 4891, com exterior em marrom metálico e interior em bege claro. A carroceria havia sido projetada por Pininfarina e montada por Scaglietti. O motor era um V12 com 2.953 cc, com trẽs carburadores Weber, que gerava 250 HP a 7.000 rpm.

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Qualquer automóvel, mas principalmente os esportivos (e particularmente os clássicos!) precisam de um interior que seja atraente. O condutor deve se sentir atraído pelo interior do carro. As 250 GT tinham um interior que convidava ao uso continuado. O ator costumava usar seus carros no dia-a-dia e contam que ele já fora visto buscando pães na padaria com ele.

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A Ferrari vivia ainda uma fase de auto-afirmação. Já haviam títulos em competições e seus esportivos "de rua" começavam a impressionar seus compradores. A marca Ferrari consolidava-se como uma marca internacional de automóveis esportivos. Nesse período, um fabricante de tratores, que era consumidor de esportivos de várias marcas, comprou sua primeira Ferrari ainda em 1958.

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O empresário Ferruccio Lamborghini aproveitara o ressurgimento econômico da Itália após o final da Segunda Guerra e, já nos anos 50, se tornara um consumidor de carros esportivos. Ele comprava esportivos da Alfa Romeo, da Lancia e da Maserati e sua primeira Ferrari foi uma 250 GT desenhado por Pininfarina, com dois lugares. Depois, entre outras, também adquiriu uma 250 SWB Berlinetta.

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Lamborghini sempre fora crítico em relação aos carros esportivos que comprava. Ele dizia que as Alfas e as Lancias eram esportivos que prometiam mais do que entregavam. E as Maserati, segundo ele, eram pesadas e lentas.As Ferrari já despontavam como carros de exceção e talvez por isso tenham concentrado suas críticas. Segundo ele, eram carros de corrida adaptados para as ruas.

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Ele dizia que eram carros ruidosos e desconfortáveis e que os acabamentos internos não eram apropriados. O engrenamento entre motor e caixa de velocidades não acontecia de modo adequado e ele exigira que os mecânicos da Ferrari trabalhassem para melhorar seus carros. Ele teria insistido com o próprio Enzo Ferrari para que trabalhasse em favor de melhorar seus produtos, tanto em técnica quanto em serviços.

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Por conta de suas insatisfações com algumas Ferrari mas, principalmente, pela sua insatisfação com o atendimento oferecido pela empresa e pelo aparente descaso do próprio Enzo Ferrari, Ferruccio Lamborghini, que antes produzia tratores, decidiu produzir automóveis esportivos que agradassem aos seus próprios critérios de qualidade. E com isso escreveu um capítulo do automobilismo!


Alexandre Beluco

Engenheiro, pesquisador, professor universitário. Especialista em energias renováveis. Apaixonado por motores de dois tempos.
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