horizonte de eventos

De onde dizem que nem mesmo a luz consegue escapar...

Alexandre Beluco

Engenheiro, pesquisador, professor universitário. Especialista em energias renováveis. Apaixonado por motores de dois tempos

o supersônico concorde fazia o mundo parecer muito menor

O jato supersônico Concorde contribuiu durante quase trinta anos para fazer o mundo parecer menor. É um produto da engenharia de mais alto nível e suas características impressionam até hoje, quase quinze anos depois de seu último vôo. Ele transportava até 128 passageiros e mantinha velocidade de cruzeiro de 2.180 km/h, tendo servido em apenas duas companhias aéreas.


O Concorde foi desde o começo uma aeronave de exceção. Era o que tinha a carenagem mais afunilada entre todos os aviões comerciais e o que tinha as asas mais estranhas, em um duplo delta um tanto orgânico. Era a aeronave mais rápida entre todas, ainda não superada por qualquer outra aeronave em serviço. E seu nome, que significa "acordo" ou "harmonia", era consequência da intenção de britânicos e franceses de trabalharem em conjunto para seu desenvolvimento.

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O Concorde serviu a apenas duas companhias aéreas no período de 1976 até 2003, em apenas algumas poucas linhas aéreas. Ele serviu à British Airways e à Air France, além de outras duas companhias durante períodos muito curtos. As principais linhas eram as conexões entre Londres e Paris com Nova York e Washington. Outras linhas não se mostraram economicamente rentáveis.

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O Concorde tem 61,60 metros de comprimento e 25,60 metros de envergadura, com 12,20 metros de altura total e 358,25 m² de área das asas. Ele apresenta 78.700 kg vazio e pode carregar 119.500 litros de combustível. A capacidade máxima de carga, incluindo passageiros e bagagens, era de 13.380 kg, a decolagem poderia ocorrer com até 185.000 kg e o pouso com até 111.130 kg.

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A foto acima mostra a entrada de ar das turbinas localizadas à direita, e a foto abaixo mostra a saída das turbinas, também do lado direito. O Concorde era impulsionado por quatro turbinas Olympus 593, fabricadas pela associação entre Rolls Royce e Snecma. Essas turbinas foram idealizadas para que a aeronave mantenha velocidade de cruzeiro igual a duas vezes a velocidade do som.

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As turbinas exigiam pós combustão apenas durante a decolagem, sendo capazes de manter vôo de cruzeiro sem pós combustão e, desse modo, apresentando consumo de combustível compatível com sua operação comercial. Cada turbina, ainda no solo, prestes a decolar, com pós combustores acionados, produzia cerca de 170 kN de empuxo com um consumo de combustível de 38.500 kg/h.

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A configuração usual era de 110 poltronas em fileiras com duas poltronas de cada lado, com uma configuração máxima de 128 passageiros. A cabine de comando refletia seu tempo e apresentava uma grande quantidade de mostradores analógicos, mas o Concorde já dispunha de piloto automático completo, entre outros automatismos, e um sistema de comando precursor do atual fly-by-wire.

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Além da velocidade supersônica, o Concorde também apresentava um alcance extraordinário de 7.200 km! Esse extraordinário alcance poderia ser mantido com um consumo de 13,2 kg de combustível por quilômetro. A sua velocidade de cruzeiro era de 2.158 km/h e a altitude de cruzeiro era de 18.300 metros. A pista de decolagem deveria ter 3.600 metros de comprimento.

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O famoso acidente com a linha Air France 4590, em 25 de julho de 2000, além das exigências de segurança impostas pelo atentado de 11 de setembro à aviação comercial e das dificuldades com a manutenção específica exigida pelo modelo, magnificadas pelo surgimento da AirBus (em substituição à British Aircraft Corporation e à Aerospatiale), levaram à retirada de serviço em 2003.

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O Concorde teve concorrentes que foram desenvolvidos aproximadamente na mesma época e que não chegaram a representar uma ameaça ao seu domínio no que dizia respeito à aviação comercial supersônica. Houve uma concorrência norte-americana, que levou ao Boeing 2707 (que nem chegou a voar), e houve uma iniciativa soviética, que levou ao Tupolev Tu-144 (visto na foto abaixo).

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Inicialmente, uma longa lista de interessados se formou, mas ao longo dos anos ocorreram várias desistências. Poucas linhas aéreas apresentam volume de passageiros realmente interessados em pagar mais para chegar mais rápido. A falta de linhas aéreas supersônicas viáveis no mundo soviético foi a razão do fracasso de seu maior concorrente, o Tu-144, que foi operado por pouco tempo.

Apenas vinte aeronaves foram construídas e, como seis delas foram utilizadas como protótipos e como exemplares de teste, apenas catorze delas prestaram serviço. Atualmente, um grupo de entusiastas europeus pretende colocar um último Concorde (mantido ainda em condições de vôo) novamente em operação. O mundo poderá então voltar a se tornar menor!


Alexandre Beluco

Engenheiro, pesquisador, professor universitário. Especialista em energias renováveis. Apaixonado por motores de dois tempos.
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