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De onde dizem que nem mesmo a luz consegue escapar...

Alexandre Beluco

Engenheiro, pesquisador, professor universitário. Especialista em energias renováveis. Apaixonado por motores de dois tempos

o motor stelzer é um boxer de dois tempos a pistão livre

Os motores a pistão livre permitem a concepção de motores mais leves e com menos demanda por ações de manutenção, já que contam com um número muito menor de peças móveis. Um ciclo com dois (ao invés de quatro) tempos garante simplicidade de operação. O alemão Frank Stelzer patenteou um motor revolucionário, resultado de seu trabalho como inventor, em 1983.


Os motores a pistão livre exigem muito menos peças móveis, levando a menores problemas com manutenção. A geometria plana, com pistões opostos sem um eixo de manivelas, permite uma operação muito mais regular e equilibrada. O ciclo com dois tempos (ao invés de quatro tempos) garante simplicidade de funcionamento. A concepção desse motor foi criada pelo alemão Frank Stelzer, um autodidata que se apresentava como um "inventor livre".

Frank Stelzer nasceu em 4 de fevereiro de 1934, em Görlitz, e faleceu em 12 de maio de 2007, em Oberursel, tendo vivido vários anos na Irlanda por causa de complicações com o fisco alemão. Stelzer continuou o trabalho iniciado pelo professor Hugo Junkel no desenvolvimento de um motor a pistão livre com cilindros opostos. O desenvolvimento foi em parte financiado pelo governo irlandês e levou a uma patente de invenção em 1983.

A concepção do motor é simples, com um bloco apropriado para pistões dispostos em geometria dois a dois opostos entre si. A figura abaixo mostra os seus dois principais componentes: uma parte fixa e uma parte móvel. A parte fixa, mais abaixo nessa figura, consiste de três câmaras, sendo as duas mais externas para os dois pistões, e uma mais interna, uma câmara de pré combustão, que também conta com um pistão. A parte móvel tem um eixo central e os dois pistões externos.

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A próxima figura mostra o funcionamento do motor através de uma animação. Em azul, aparecem os gases na entrada, em vermelho o momento da explosão e em marrom claro os gases que surgem após a combustão sendo expelidos. Essa figura permite entender claramente as funções desempenhadas pelos dois pistões externos e pelo pistão interno e mostra também que não há peças móveis como um eixo de manivelas ou válvulas e que o eixo central é a única peça móvel.

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A câmara central serve para admissão de mistura ar-combustível e para uma pré compressão. Um túnel central permite a passagem da mistura pré comprimida para as câmaras externas, alternativamente, em um lado após o outro. Quando, ao longo do movimento da parte móvel, as câmaras externas encontram-se próximas de seu ponto morto inferior, ocorre a explosão, provocada por faísca originada por vela de ignição. A expansão provocada pela explosão empurra o pistão para fora.


Alexandre Beluco

Engenheiro, pesquisador, professor universitário. Especialista em energias renováveis. Apaixonado por motores de dois tempos.
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