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De onde dizem que nem mesmo a luz consegue escapar...

Alexandre Beluco

Engenheiro, pesquisador, professor universitário. Especialista em energias renováveis. Apaixonado por motores de dois tempos

alguns roadsters ingleses e a arte de rodar a céu aberto

É difícil estabelecer um significado exato para 'roadster', já que seu significado de certo modo acompanhou tendências de mercado. Sendo objetivo, roadster significa 'esportivo aberto'. E alguns dos melhores roadsters foram feitos pelos ingleses, que também atribuíram uma certa arte ao ato de rodar a céu aberto!


O termo roadster inicialmente era associado a esportivos abertos, sem qualquer proteção para o condutor e seu passageiro. Exatamente, apenas dois lugares. E esse significado inicial para roadster fazia dele também um sinônimo para spyder. Com o tempo o termo roadster passou a ser associado a conversíveis com vocação esportiva ou mesmo que fossem apenas muito motorizados.

Certamente pelas condições climáticas reinantes na Inglaterra e no Reino Unido de um modo geral, transformando os poucos dias de sol disponíveis por ano (ou mesmo disponíveis durante o verão) em dias absolutamente festivos, os ingleses produziram (ao longo de algumas décadas) uma grande quantidade de modelos roadsters.

Italianos, franceses e mesmo alemães também produziram conversíveis esportivos, mas poucos eram conversíveis em sua origem ou mesmo conversíveis sem outras alternativas de carroceria. Os italianos talvez tenham sido os mais dedicados aos roadsters, chamados por eles como spyders.

morgan-4.jpg Morgan Plus 4 de 2016, celebrando o 80° aniversário do modelo.

A Morgan é uma das últimas fabricantes de automóveis no Reino Unido e, de fato, uma das últimas indústrias ainda ativas no arquipélago. Acima, aparece um Morgan Plus 4 comemorativo aos 80 anos de fabricação desse modelo, quase sem alterações. É talvez um dos maiores ícones dos roadsters ingleses.

O Reino Unido experimentou uma profunda mudança em sua economia desde os anos 80, quando passou a incentivar uma espécie de otimização de suas indústrias, que acabaram sendo negociadas com estrangeiros, transferidas para países com menores custos operacionais ou tendo suas atividades encerradas. Fabricantes tradicionais como a MG e a Triumph foram fechadas e a Jaguar foi vendida.

mg-b.jpg MG B de 1971.

A foto acima mostra um MG B e a foto abaixo mostra a versão 'fechada' desse mesmo modelo. A comparação entre os dois mostra que o modelo 'nasceu' para ser um esportivo aberto. O modelo foi produzido entre 1962 e 1980 em várias versões, alcançando uma produção total de pouco mais de 500.000 exemplares.

mg-b-hardtop.jpg MG B hardtop de 1974.

Uma característica comum aos roadsters ingleses é a posição do condutor, usualmente muito próxima ao eixo traseiro. Essa característica se soma a um longo capô do motor, à configuração com motor dianteiro e tração traseira, além de algumas semelhanças também na características estéticas.

triumph -tr-4.jpg Triumph TR4 de 1965.

O Triumph TR4, que aparece na foto acima, integra uma série de roadsters produzidos pela Triumph e foi produzido entre 1961 e 1965. mesmo fabricado durante um curto intervalo de tempo, ultrapassou as 40.000 unidades produzidas. O modelo foi idealizado pelo italiano Giovanni Michelotti e alcançou um relativo sucesso em competições nos Estados Unidos.

1974-Triumph-Spitfire.jpg Triumph Spitfire de 1974.

O Triumph Spitfire, que aparece na foto acima, foram produzidos entre 1962 e 1980 e totalizaram mais de 310.000 exemplares entregues, entre vários modelos. O Spitfire foi projetado originalmente como um roadster (também pelo italiano Giovanni Michelotti) e, mesmo contando com carroceria sobre chassis, teve sua carroceria projetada para apresentar maior rigidez estrutural.

1024px-Jaguar_XK150-thumb-800x535-166896.jpg Jaguar XK 150.

O Jaguar XK 150 dispensa apresentações e sucedeu o XK 120 e o XK 140 como um dos modelos de esportivos mais rápidos em seu tempo. Ele não foi projetado como um roadster ou um conversível mas os desempenhos técnico e comercial de suas versões conversíveis contribuíram para que o termo roadster passasse a incluir também as versões conversíveis de esportivos de sucesso.

Com tudo isso, os ingleses também atribuíram ao ato de rodar a céu aberto um significado que pode ser considerado extraordinário. É o gosto insistente por rodar a céu aberto que levou ao hábito de rodar sem capota ou com capota aberta, com os vidros elevados e com o sistema de ar quente aquecendo o pequeno micro clima que se forma em torno do condutor.


Alexandre Beluco

Engenheiro, pesquisador, professor universitário. Especialista em energias renováveis. Apaixonado por motores de dois tempos.
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