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Jonas Moura

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Claireece P. Jones, a esperança é preciosa

Poderia resumir "Precious" como um soco no estômago, mas soaria apenas simplista. Suas seis indicações ao Oscar, em categorias não técnicas, poderiam reforçar seu valor junto ao grande público, mas ainda assim não representariam sua verdadeira essência como uma arte além das câmeras. Há vigor humano em sua mensagem, sangue negro alertando que nem só cores claras pintam a sétima arte.


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Ela tem 16 anos. É negra, obesa, humilhada pela mãe, abusada sexualmente pelo pai, tem uma filha com síndrome de Down, é analfabeta, está grávida, e em breve se descobrirá soropositiva. Não há nada de promissor na vida de Claireece Precious Jones, nada além de péssimas perspectivas. "Preciosa" nunca conheceu o amor, suas referências afetivas foram destruídas por quem deveria ser a referência.

O ano é 1987, no bairro do Harlem, em Nova York. Local tradicional da cultura afro-descendente norte americana, que nos anos 20, foi berço da explosão musical do jazz, e posteriormente acolheu milhares de negros nas manifestações de luta pelos direitos civis. Uma região, que na década de 80, era assombrada pela epidemia do crack e da criminalidade. Um cenário sombrio, exato para história.

Preciosa não é um filme alegre, com final feliz ou clichês do tipo. É uma obra densa, com temas complexos e pouco explorados. A própria protagonista é incomum, pelo menos aos padrões que estamos acostumados no cinema americano. Um filme negro, que valoriza atores negros, mas que, com seus dramas familiares, permite o alcance de sua trama a qualquer etnia.

Por ser triste, não se torna depressivo. Um fio de esperança e a maneira como sua personagem cresce na trama, amenizam sua dolorosa exposição da crueldade humana, e o que atitudes de uma sociedade preconceituosa podem causar na vida de um indivíduo. Nos devaneios da vida desejada, que Preciosa às vezes sonha, nos é permitido respirar diante de tanto desamor.

A cinderela, negra e gorda, infelizmente não vive um conto de fadas. Pelo contrário, está longe disso. Mas, o que percebemos não é uma vitimização frente a tantos problemas, e sim uma vontade de revirar a própria história. Talvez, a certeza de que muitos obstáculos são criados por nós mesmos ou também que a ausência de alguns sentimentos, pode nos resumir a seres céticos com os propósitos da vida.

Uma oportunidade excelente de se colocar no lugar do outro, para tentar compreender que julgar certas realidades sem vivê-las é uma balela, fruto da ignorância alheia. O filme não se resume apenas ao sentimentalismo. Há muito da representatividade e da luta negra para se posicionar igualitariamente junto aos brancos. Não é apenas cinema, é um movimento social que deve persistir até quando for necessário.

Poderia resumir "Precious" como um soco no estômago, mas soaria apenas simplista. Suas seis indicações ao Oscar, em categorias não técnicas, poderiam reforçar seu valor junto ao grande público, mas ainda assim não representariam sua verdadeira essência como uma arte além das câmeras. Há vigor humano em sua mensagem, sangue negro alertando que nem só cores claras pintam a sétima arte.


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