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Meus pensamentos, sua opinião.

Jonas Moura

Uso as palavras para falar ao mundo o que penso.
Observo. Amo. Ouço. Declaro.
Compartilho ideias, quero colher pensamentos.

Com quantos golpes se faz um Brasil?

Soubessem bem do seu passado, os outros ainda bateriam panelas?  Ainda culpariam toda essa sujeira, a apenas um determinado partido?
A resistência não deveria ter lados. Talvez, falte consciência política. Falte interesse mesmo. Sobra ódio e ignorância. A ausência de um retrovisor cegou alguns. Que seja reversível ! Pois, o tempo não espera, e a revolução bate a porta.


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A História do Brasil é marcada por diversos desvios de condutas, políticas e sociais. Difícil é convencer os próprios brasileiros a olharem para trás, para seu próprio passado histórico, e fazê-los entender que quando tratamos de assuntos relevantes, esse olhar não deva ser ignorado.

Trata-se de uma necessidade. A história não é apenas a cronologia dos fatos.  É um instrumento, que também permite, a contextualização de situações presentes à partir de experiências já vivenciadas. Quando a ignoramos, corremos o risco da farsa ou redundância de graves erros, já cometidos.

Nosso país, talvez não se conheça historicamente, ou talvez, ignore seu acervo de equívocos históricos. Em pouco mais de 500 anos, já nos repetimos tanto,  que por vezes, condenamos o nosso futuro a involução, ao retrocesso democrático que ameaça gravemente a liberdade social.

Ao contrário do que prega o eurocentrismo, sofremos o primeiro golpe quando nossos ancestrais, os índios, foram obrigados a servirem aos seus colonizadores. Não fomos descobertos, fomos invadidos. De fato, não seriamos o Brasil de hoje sem esse acontecimento, mas a verdade precisa ser repetida fidedignamente.

Quando em 1808, o imperialismo francês de Napoleão Bonaparte afugentou, a covarde família real portuguesa, para sua principal colônia na América do Sul, nosso território tornou-se reinado. Pela primeira vez uma colônia era sede de um governo, o que não era previsto em decreto. Alguns anos se passam, D. João VI vê-se obrigado a retornar para Portugal, e deixa no comando seu filho. D. Pedro I. Um rei pressionado e desobediente as ordens portuguesas.

Na época, as elites brasileiras, já haviam tomado gosto pelo poder, e manter o Brasil como eterna colônia já não era viável, muito menos a melhor opção. Resistindo ao retorno à Portugal e cedendo as pressões do poderio tupiniquim, em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I, deu o famoso grito da independência. Num episódio, nem tão glorioso, como se conta nos livros escolares.

Já no Brasil Império, quando viviamos o período regencial, após a abdicação do trono, entre 1831 e 1840, em meio a crise polítca, e constante disputa de poder dos progressistas e regressistas, partidos elitistas e farinha do mesmo saco, apreciamos mais um "atalho" governista. A instabilidade sócio-política ameaçava o modelo monárquico. A centralização do poder também estava em risco, coube aos interessados, burlar a constituição de 1824. E, o golpe da Maioridade, deu a D. Pedro II, o direito de reinar aos 14 anos, e não a partir dos 21, como era previsto constitucionalmente.

Segue a história. Durante 40 anos, entre a estabilidade e a decadência imperial, nosso segundo rei governou com certo brilhantismo. O poder moderador exitou até que as ideias republicanas ganhassem força e apoio. As demandas do país, ao longo do tempo, haviam mudado. A força econômica, o abolicionismo e os interesses militares, já não mais vislumbravam uma monarquia para o Brasil.

Democraticamente não haveria chances de derrubar o modelo monárquico, a saída era um golpe de estado. E, no dia 15 de Novembro de 1889, mais uma vez, venceram os meios inconstitucionais. Com a força de tropas e sem participação popular, o movimento republicano assaltou os rumos políticos do Brasil.

Nascia, sob as sombras, a República. Marcada inicialmente pelo domínio econômico e político do café com leite. Com uma constituição que excluía mulheres e analfabetos do cidadanismo. A elite dominava a vida pública sem rodeios. A politicagem se encarregava da manutenção do poder, entre Mineiros e Paulistas.  Até que provando do próprio veneno, a ambição, experimentou a "Revolução de 1930". Um movimento que discordava dos resultados das eleições presidenciais, e que com ajuda dos militares, levou ao poder Getúlio Vargas.

O Estado Novo sobreviveria por 15 anos  (1937-1945). A democracia seria oprimida por uma ditadura presidencialista. Que só, em 29 de outubro de 1945, seria interrompida. Militares e civis conspiraram contra um regime, e só um golpe sob outro golpe, pode reverter a história.

Getúlio foi deposto. Mas, os fantasmas anti democráticos ainda vagavam. Na década de 60, no contexto da Guerra Fria, pós II guerra mundial, com o mundo bipolarizado, João Goulart vice-presidente de Jânio Quadros, sofria resistência dos conservadores do país para assumir a presidência, após a renúncia do titular.

Na era da revolução cubana, com as intervenções americanas implantando ditaduras por toda a América Latina, uma figura que promovia debates sobre as reformas de base, era uma ameaça à segurança nacional. O socialismo/comunismo não poderia vingar por aqui. O Brasil não poderia ser a nova Cuba.

Com esse discurso, na madrugada de 31 de março de 1964, as tropas militares tomaram as ruas. Jango se exilou no Uruguai e o regime militar estava instalado. Era o inicio de um golpe de estado que duraria 21 anos. Até a promessa da redemocratização do país quando as "Diretas Já" marcaram o começo de um novo ciclo.

Em três  décadas, voltam as eleições diretas, acontece  um impeachment, duas reeleições, e a primeira presidente mulher é eleita pelo povo. De 2002 até os dias atuais, ou ate alguns dias, um projeto esquerdista, acabou transformando o Brasil. Do Lulismo a Dilma Rousseff, as ações afirmativas do governo botaram no mapa político e econômico, uma camada social antes ignorada.

Nascia um país para todos. O triunfo do partido dos Trabalhadores ofuscou a oposição que não mais obteve  vitórias eleitorais para a presidência. A derrota nas urnas, em 2014, gerou um descontentamento capaz de mobilizar uma conspiração, que apoiada por setores privados e a imprensa, se disseminou país afora.

A presidente Dilma Rousseff foi acusada de crime de responsabilidade. Numa votação histórica no congresso, em abril de 2016, o processo de impeachment seguiu para o Senado. O vice Michel Temer assumiu como interino, e também conspirador. Em 29 de agosto, senadores e o Supremo Tribunal Federal decidiram pela saída da petista. A direita estava de volta. Três dias após a decisão, uma lei foi revogada, e transformou o crime que afastou Dilma, em ato legal.

Assim, sem consultar a população,61 votos sobressairam aos 54 milhões das últimas eleições realizadas no país. Sem excluir os erros e desgovernos que emergiram numa crise parlamentar, a democracia brasileira demondtrou-se frágil. Um presidente foi julgado politicamente, e não pelo que realmente interessava. Na grande mídia, mais uma vez, o silêncio que escondeu, os reais interesses, foi instrumento de uma pantomina.

Soubessem bem do seu passado, os outros ainda bateriam panelas?  Ainda culpariam toda essa sujeira, a apenas um determinado partido? A resistência não deveria ter lados. Talvez, falte consciência política. Falte interesse mesmo. Sobra ódio e ignorância. A ausência de um retrovisor cegou alguns. Que seja reversível ! Pois, o tempo não espera, e a revolução bate a porta.


Jonas Moura

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