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Jonas Moura

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Entre Abelhas: A (des)polinização do homem

Mas, se não fossem as abelhas que estivessem sumindo? Se a ausência das flores, na verdade fosse a ausência das pessoas? Sim! Não são as abelhas e as flores, são as pessoas que estão sumindo. Constantemente desaparecendo da minha, da sua, das nossas vidas


" Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara." José Saramago

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As abelhas estão sumindo. Um vírus, que altera os genes destes insetos, está produzindo esse estranho fenômeno. Só nos EUA, 40 milhões de abelhas desapareceram desde 2006. Elas vão e não voltam mais, não deixam vestígios.

A desordem do colapso da colônia faz com que sumam, e comprometam o equilíbrio da flora da terra. O futuro planeta sem flores.

Mas, se não fossem as abelhas que estivessem sumindo? Se a ausência das flores, na verdade fosse a ausência das pessoas? Sim! Não são as abelhas e as flores, são as pessoas que estão sumindo. Constantemente desaparecendo da minha, da sua, das nossas vidas.

Essa metáfora é apenas uma sacada inteligente, que o filme Entre Abelhas se utiliza para delicadamente refletir sobre o assunto. Porém, no caso de nós, os humanos, não há exatamente um vírus causando os desaparecimentos, mas sim, algo que nem sempre percebemos.

Durante toda uma vida, convivemos e dividimos momentos com amigos, familiares e colegas de trabalho. Tanta gente, tanto movimento. O tempo flui e mudamos. Nos buscamos e seguimos rumos diferentes.

Nem sempre, essas pessoas estarão ao nosso lado. E, consequentemente elas podem se tornar invisíveis. Não porquê sumiram de verdade, mas porquê para nós, não mais existem. Seja pela importância que lhes dispensamos, seja por qualquer outro motivo que insistimos em torná-las imperceptíveis.

Somos assim, e quase sempre não nos damos conta. Temos o dom de pintar o invisível, de acordo com nossas expectativas e interesses. Já se perguntou quantos já fizeram parte do seu passado e você nem se lembra mais? Quantos estão no seu dia a dia, e você nem percebe?

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A síndrome que nos afeta tem muito mais haver com o que queremos ver, do que com o desaparecimento físico. Ver nem sempre é enxergar. Reparar a alma exige algo além do ato de olhar. Podemos estar cegos, mesmo com o pleno funcionamento de nossos olhos.

"Entre Abelhas" é sensível por captar essa emoção. O ato de enxergar o outro, ou mesmo, a incapacidade disso. Surpreende por ser dirigido (Ian SBF) e estrelado por um time de humoristas, Fábio Poerchat e a trupe do Porta dos Fundos, que extraem do espectador o riso e a lágrima.

O resultado é a delicadeza à flor da pele. A explosão da mente buscando explicações possíveis para a filosofia aberta do roteiro. Uma observação sobre como enxergamos o que está ao nosso redor. A sensação é curiosa. Não só por vermos um Fábio incomum ou Irene Ravache dominando completamente as cenas. Mas, porquê não somos abelhas, e sim humanos.

Certamente, no final, lembrarás de algumas coisas, continuarás resistindo a outras e poderás querer enxergar o que até então ignoravas... Experimente. Ensaiar sobre a própria cegueira renovará sua visão sobre tudo. Até mesmo sobre você.


Jonas Moura

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