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Jonas Moura

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Eu matei minha mãe

"Imagino que, às outras pessoas, odiar a mãe pareça um pecado. É uma hipocrisia. Estou certo de que também odiaram as suas mães. Talvez um segundo ou todo um ano."


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Parece inconcebível crer nessa maldade, mas de alguma maneira ou em algum momento de nossas vidas, nós já cometemos esse crime. Não necessariamente, o tal ato tenha implicado no fato real, assim se espera, mas numa vontade, num desejo ou pensamento automático.

Imagina-se, normalmente, que uma relação entre mãe e filho, seja harmoniosa e perfeita. Pois, a figura da mãe inspira amor, carinho, compreensão, entre tantos outros bons adjetivos. Porém, este é o lado romântico dessa representação. A realidade pode ofuscar alguns desvios ou falhas dessa simbiose.

Somos humanos, e atrelados a nossa humanidade resistem os defeitos. Companheiros indesejados do dia a dia, e que podem perturbar a bela intenção das idealizações. Daí nascerá a desconstrução, o dilema do amor perfeito.

Sai de cena a harmonia e prevalecem outros cenários, muito mais conturbados do que pensamos. Relações entre mães e filhos que não estão preparados uns para os outros, que não estão prontos para aceitarem seus papéis, suas culpas, seus erros, seus comportamentos, suas vidas misturadas.

Nesse contexto, o filme "Eu matei minha mãe"(2009), retrata uma possibilidade de representar uma situação aparentemente surreal, mas bem mais comum do que se percebe. Pelos lares afora, muitas mães sofrem com seus filhos rebeldes, e muitos filhos se irritam facilmente com suas mães caretas ou caricatas.

É um paradoxo onde erros e mea culpas se combatem, se neutralizam ou simplesmente são ignorados. Resta o orgulho ou a ausência de disponibilidade para corrigir as faltas e excessos.

A obra canadense também é autobiográfica. Xavier Dolan (Hubert), dirige e protagoniza, o que seria sua intensa vida pessoal ao lado da mãe. Autoral, o filme mescla o drama com o impacto visual. Tem uma trilha sonora marcante. Além de ser polêmico por abordar tabus ainda recorrentes no nosso mundo moderno.

Ao contrário do que inicialmente sugere, não incita o ódio as mães, mas sim uma reflexão sobre a complexidade das relações familiares. Não se surpreenda se rolar uma identificação. A ideia é compreender que certos assassinatos não ultrapassem os títulos de redações revoltadas. Certos amores não são obrigados a fórmulas impecáveis.


Jonas Moura

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