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Jonas Moura

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Ferrugem e Osso: desmistificando o romance

O que uma relação entre um lutador de rua e uma adestradora de baleias pode nos ensinar ?

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Toda nudez será permitida, assim como toda brutalidade e toda violência desconhecida, para explicar o amor. Pois, embora o incomum seja diferente, aos olhos dos que acreditam conhecer esse sentimento, há o não usual, aquilo que não é óbvio, mas que também justifica as formas de sentir.

O primitivo incomoda, provoca sensações impertinentes, que parecem não se pertencer, não serem pares, não serem umas das outras. Porém, muito do que se sente tem mais haver com onde nasce o sentir do que para onde ele vai. Para quem observa, resta o julgamento alheio, justo ou insensível as possibilidades.

O cinema é uma arte, e dizem que a arte imita a vida. Neste caso, pode ser muito próximo ou bem distante do real, mas quase nunca, livre de qualquer sentido lógico das filosofias da existência. A verdade é que é preciso estar atento e aberto as experiências cinematográficas que exigem o desprendimento de certos clichês.

Desenferrujar a mente para não tornar-se duro como o osso. Um trocadilho clichê para se aproximar (do nada clichê) filme francês "Ferrugem e Osso". Um romance? Bom, não me arriscaria impor esse rótulo. Arriscaria distancia-lo do corriqueiro para torná-lo mais atraente.

Aliás, essa minha ferramenta seria redundante, pois o filme em si, dispensa mais sedução. "Ferrugem" é corpo, sexo, instinto, sentimento pulsante sob pressão. Amor nas entrelinhas, sensibilidade sob à pele.

Há um realismo chocante, uma realidade dura, mas não menos atraente. A fotografia poética ilumina a trama. O brilho do sol incendeia os olhos. As câmeras captam os corpos, as sombras, as expressões intensas dos atores. São atuações impactantes de Marion Cotillard e Matthias Schoenaerts.

Cinema francês em excelente estado de ebulição. Uma abordagem das relações humanas que se apega ao que não é previsível. O filme é a ausência presente de certos sentimentos. É brutalidade e desejo, transformação e superação. Mudança a partir das dores da vida.

A ideia é rever conceitos. Entender que as coisas não se resumem a estados operacionais. Compreender, que não a toa, precisamos passar por certas situações para aprender a valorizar o que segue invisível as nossas prioridades.

O que uma relação entre um lutador de rua e uma adestradora de baleias pode nos ensinar?

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