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Jonas Moura

Uso as palavras para falar ao mundo o que penso.
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Malleus Maleficarum

Fanatismo religioso, heresia, fato ou criação demoníaca ? Nem você, em determinado momento, saberá responder. O triunfo de "A Bruxa", consiste não só na sua fuga do lugar comum, reincidente no gênero. Seu êxito é na proposta de conduzir seus súditos ao pensamento medieval, e depois confundi-los. Malignamente.


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Era uma vez no século XV. Na Idade Média e suas peculiaridades sombrias. Um período da história marcado por transformações sociais e econômicas, mas também, e sobretudo, por transformações religiosas. Da radicalização do cristianismo nasceria a inquisição.

Entre, os macabros episódios dessa era, lembremos de 1484. Ano, em que o Papa Inocêncio VIII, declarou oficialmente a caça às bruxas. Em dezembro deste ano estaria instituída a bula "Summis desiderantes affectibus” que juntamente com o "Malleus Maleficarum", dos inquisidores Heinrich Kramer e James Sprenger, tornariam explícitas, as teorias e justificativas contra as superstições e feitiçarias que eram praticadas.

O fenômeno "antibruxismo" estava autorizado , e mataria em nome de Deus milhares de pessoas. Acredita-se que cerca de 200 mil foram perseguidas, torturadas e sacrificadas. Mas, alguns historiadores ampliam este número para até 9 milhões, em toda Europa.

Sinistro, Macabro ou tudo pelo bem da fé e humanidade cristã ?

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O Martelo das Feiticeiras (Malleus Maleficarum) denominava bruxa(o) qualquer um que praticasse magia com fins malignos, e ajuda do demônio. Aliás, essa obra, foi uma das responsáveis pelos inúmeros delírios relatados sobre os rituais.

Acreditava-se em muita coisa. Realidade satânica ou alucinações histéricas ? Eis a questão. Independente da veracidade dos fatos, as lendas estavam vivas. E, principalmente mulheres pobres e camponesas eram perseguidas. Na Europa Cristã, o domínio da bruxaria era feminino.

Algo explicado, pela exclusão das mulheres da vida eclesiástica, neste período. Em muitos vilarejos, elas acabavam tornando-se experientes curandeiras, donas de um vasto conhecimento de ervas medicinais, e rituais nem sempre comuns. Um bem, que durante 400 anos, acabou tornando-se sombrio.

A perseguição rendeu boatos. Falavam em banquetes canibalescos, os sabás. Feitiços com animais. Bodes pretos, coração de crianças, orgia com Satanás. Porções mágicas, venenos, maldições, vassouras voadoras. Missas malignas em florestas ou colinas desabitadas. Qualquer mulher, jovem ou velha, que morasse só a beira de um rio, era suspeita. Seu destino: a fogueira.

Nessa ambiguidade, entre realidade e alucinação construiu-se um tempo de terror e medo. E, nesse clima, o filme "A Bruxa" (2016) surge enfeitiçando o espectador. Sem velhos clichês ou pretensões mirabolantes. Simples e cruel, como manda os manuais inquisidores.

A obra reproduz uma ambientação magnífica. Do figurino a fotografia, das atuações a trilha sonora. Somos transportados para o universo místico e oculto, de tudo o que provavelmente já ouvimos falar, sobre bruxaria. Não à toa, ouve tantos murmúrios sobre o filme. Sobram elementos satânicos e capazes de remeter ao terror, sem necessariamente dar sustos. O medo é subjetivo, e se esconde no que ainda pode ser revelado.

Fanatismo religioso, heresia, fato ou criação demoníaca ? Nem você, em determinado momento, saberá responder. O triunfo de "A Bruxa", consiste não só na sua fuga do lugar comum, reincidente no gênero. Seu êxito é na proposta de conduzir seus súditos ao pensamento medieval, e depois confundi-los. Malignamente.


Jonas Moura

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