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Jonas Moura

Uso as palavras para falar ao mundo o que penso.
Observo. Amo. Ouço. Declaro.
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Você é o que você sente

Defino-o como uma experiência. Em seus personagens, que buscam algo que ainda nem sabem o que é, podemos enxergar a necessidade humana de viver para depois descobrir, se erraram ou não. A juventude em sua essência, desprovida do compromisso com o que virá. Uma lição sobre amigos, riscos, o amor e os excessos. A vontade de sentir, do perigo ao êxtase.


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Se somos tudo o que sentimos, somos sede eterna. Uma vontade insaciável, busca incansável pela vida plena. Pela experiência de provar do proibido, ou de tudo aquilo que nos dê prazer. Quando jovens, inconsequentes. Quando maduros, conscientes das reações. O ritmo é esse, a entrega é uma decisão pessoal.

Essas escolhas podem criar universos paralelos. Paraísos tão efêmeros quanto dolorosos. Entre o mundo real e a fantasia fabricada, há uma linha tênue. Uma corda bamba que pode nos fazer cair, algumas vezes sem chances de levantar de novo. Derrapando, mas ainda assim, tendo uma oportunidade de conhecer, se autoencontrar, desistir ou virar o jogo.

Conspire ou não, o universo a nosso favor, a vida é movimento. Encontros e desencontros, abraços e despedidas, ou tudo ao mesmo tempo. Para o futuro, as lembranças. Para o passado, a necessidade de se recriar, a certeza de que não há desperdício, quando se sentiu o que foi desejado viver.

Esse é o delírio, da DJ Érica ( Nathalia Dill) e do playboy Nando (Luca Bianchi) em Paraísos Artificiais, primeiro longa do diretor Marcos Prado. Uma alucinação psicodélica e sensorial pelo mundo das drogas e da música eletrônica. Também, uma bela homenagem visual aos amantes das raves, dos paraísos sintéticos aos reais.

O filme capta com êxito a atmosfera dos festivais e das baladas do gênero. Impressiona pela fotografia apurada e cheia de cores. É competente quando se propõe a traduzir todo o ambiente e a áurea que emana nessas festas. Talvez, exagere no que diz respeito ao uso abusivo das drogas, mas isso se justifica quando sabemos o fim.

Paraísos Artificiais é uma obra interessante. Tem uma trilha muito bacana, principalmente pra quem curte o som eletrônico. Elementos cinematográficos, como o sexo, é trabalhado de maneira delicada e muito próximo do que seria a instigação dos nossos sentidos. Viaja, entre o contato com a natureza selvagem e o encanto de Amsterdã.

Defino-o como uma experiência. Em seus personagens, que buscam algo que ainda nem sabem o que é, podemos enxergar a necessidade humana de viver para depois descobrir, se erraram ou não. A juventude em sua essência, desprovida do compromisso com o que virá. Uma lição sobre amigos, riscos, o amor e os excessos. A vontade de sentir, do perigo ao êxtase.

Embora, o filme não seja um boom of mind, soa curioso refletir sobre essas sensações. É do Mark (Roney Villela), personagem guru, quarentão e transcendental, as melhores filosofias existenciais da história. Dele, ecoa a fala que resumiria bem qualquer análise sobre os conflitos do enredo. Alimente sua curiosidade:

- Você é o que você sente.


Jonas Moura

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