idees

Meus pensamentos, sua opinião.

Jonas Moura

Uso as palavras para falar ao mundo o que penso.
Observo. Amo. Ouço. Declaro.
Compartilho ideias, quero colher pensamentos.

Ensaio sobre uma distopia claustrofóbica

"Os bons e os maus resultados dos nosso ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprova-lo, para congratular-nos ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade de que tanto se fala.” Saramago, José.


Fotor_148380402903695.jpg

Bem que poderiam dividir o mundo. De um lado, aqueles que ainda acreditam nas pessoas. Do outro, os que decidem as coisas de maneira simplista. Um novo espaço, uma utopia que aproximasse os comuns e incomuns. Cada um em sua tribo. Seria interessante saber quem sobreviveria, quem haveria de ser mais resistente. Os humanos ou os humanos desumanizados.

Talvez, aqui onde vivemos, ande necessitando de uma reformulação. A intolerância com a opinião diferente, agora deu pra dizimar o outro, excluir, tornar-se ódio. Dá medo caminhar no escuro, sem saber onde chegaremos. O veneno de cada dia anda intoxicando e disseminando o mal por aí. Ninguém quer resolver as coisas de outro jeito, e o jeito é matar. Sem mais, sem conversa, mas com aplausos.

Tem até câmeras portáteis para transmitir o espetáculo que tornou-se a desgraça alheia. Tem curtidas, comentários. Bicho virou gente, e gente tá virando lixo. Atrás das cortinas de fé escondem-se os discursos sem fé em ninguém. Uma fumaça mórbida se entranha nos olhos alheios, e cega sem reversão. Parece tão tóxica que atrofia os cérebros, tão densa que tapa os ouvidos.

Bem que poderia existir um universo onde tudo fosse concordância, coerência e compreensão. Se pensas assim, viva por aqui. Se discorda, vai para este. Pensamentos afins, vidas pacíficas. Quanta pretensão pensar num lugar diferente! Quanta asneira! Mas, gostaria. Pois, tá difícil. Tá ficando insuportável, inabitável eu diria. Nem Marte, resistiria a tanta implosão de gente sem trato, sem cordialidade ou compaixão.

Aqui virou uma selfie. Tudo que parece perfeito demais, na verdade esconde a realidade. Artificial e fabricada. Loucos são os que já perceberam isso. Está tudo errado, mas a palavra é de quem já se julga do bem. São muitos com razão, não ouse duvidar. Melhor seria separá-los do joio. São bons demais para conviver com aqueles que vêem as coisas por outro ângulo, outra perspectiva. A solução deles nunca se encontrará no que os outros dizem. Não há outros, só eu.

E, segue esse baile. Segue a dúvida entre aguardar o apocalipse ou continuar sonhando. Houve tempos em que muros não resolveram nada. Mas, houveram as revoluções armadas por um ideal de igualdade. Viraram histórias. Um dia foram vontade. Quem sabe sempre foi assim, nada mudou e tá tudo bem, dá pra levar. Sei lá. É estranho demais, é surreal. O futuro dessa humanidade não anima, assusta. Triste daquele que já se acostumou com essa desilusão.

E, essa tal distopia claustrofóbica ? Não há garantias nesta solução, nesta divisão insana e ideológica. Hoje, somos diferentes e vivemos no mesmo lugar, mesmo não tendo lugar para todo mundo. Amanhã, poderíamos estar iguais, mas nunca em natureza. Visto que, essa tal de natureza humana é um território desconhecido, violento e hostil. É o que corrói o mundo real. Resta lutar. E, quem dera, continuar acreditando que a verdadeira mudança não se resume ao pensamento. Resta sonhar com o paraíso. Ele não é isso aqui.


Jonas Moura

Uso as palavras para falar ao mundo o que penso. Observo. Amo. Ouço. Declaro. Compartilho ideias, quero colher pensamentos. .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @obvious, @obvioushp //Jonas Moura
Site Meter