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Jonas Moura

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Manchester à beira mar: dias frios podem ser eternos

O mundo inteiro pode te julgar, mas nada é mais cruel que sua própria consciência. Ela pode congelar seus dias, para sempre.


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Passado alguns meses de todo "burburinho" que envolve a festa e também a lista dos premiados e indicados ao Oscar 2017, finalmente, começo a assistir aos filmes. Na minha lista particular de interesses, já havia elegido Manchester à beira mar como um dos primeiros, e é justamente com este filme que iniciei minha longa jornada.

Para começar, devo lembrar que a obra foi muito aclamada pela crítica e saiu do prêmio vencedora de dois Oscar´s — melhor ator e melhor roteiro original — e que se você também tem interesse em vê-lo, não hesite.

Mas, saiba que esta é uma obra densa, fria (em todos os aspectos) e complexa, sem pretensões de alcançar o grande público, mas comprometida em dá um choque de realidade em quem realmente está disposto a conhecer sua estória.

Um caso que de verdade é muito triste, mas verdadeiro. E dispensa eufemismos, porém de alguma maneira não segue direto ao ponto, embora há quem discorde.

Sobre uma dor tão profunda que não há como ser diferente

Manchester a beira mar é um filme para atores. Seu roteiro valoriza isto, e não à toa Casey Affleck ganhou o prêmio,sua interpretação é visivelmente digna de aplausos. Em pouco tempo de filme você consegue perceber que algo está errado, que alguma coisa muito ruim atormenta aquele personagem.

A forma como o ator captou a dor de Lee Chandler é transmitida como se fosse ele mesmo aquele homem.Não há sorrisos, o que há é um olhar sempre distante, anestesiado, que desperta um sentimento de compaixão e curiosidade sobre o que está por vir.

E quando, finalmente, descobrimos o motivo, tudo faz sentido. Toda aquela amargura e tristeza são justificadas, não haveria de ser diferente. Quem saberia suportar ou conviver com tal peso, tal culpa?

Manchester a beira mar e a frieza de um coração despedaçado

O que afastou Lee Chandler daquela cidade fria e cinzenta é o que o faz não querer ter de voltar a viver naquele lugar. Todavia, quando ele se ver obrigado a reviver algumas lembranças, seu coração parece congelado demais para se abrir a uma nova chance.

A morte do seu irmão e a missão que lhe foi submetida pode ser uma oportunidade de viver diferente. Mas, até que ponto ele estaria preparado para isso? Quando e como voltar a confiar em si mesmo, se as consequências dos seus atos sempre estarão ali para lembrá-lo do que ele não foi capaz?

O filme pode ser sobre a capacidade de se perdoar ou de perdoar os outros, mas principalmente sobre como recomeçar, reagir diante das dores de uma vida sem sentido, ter fôlego para acordar todos os dias e conviver com alguém que não acredita mais nos dias, só que esse alguém é você mesmo.

Criar expectativas ou aceitar a própria dor

A fotografia e a trilha sonora são um ponto forte do filme, elas são responsáveis pelo clima sombrio e congelante da estória. Assim como, as interpretações harmoniosas e irretocáveis que cada ator imprime ao seu personagem. Mas, não há nada de tão extraordinário ou inesquecível, embora essa seja uma opinião pessoal, apenas e só.

Por fim, ficam boas reflexões e, certamente, o desejo que nunca precisemos passar por tal situação. Não, nunca, em hipótese alguma.

Talvez, seja esse o grande segredo deste filme. Pois, mesmo que seu fim caminhe para o lugar comum, ele imita a realidade, sem grandes expectativas. Mas, com uma bela certeza: tudo continua, tudo pode mudar, faça sua escolha. Porque a vida nunca acaba, independentemente da sua opção ou da sua dor.


Jonas Moura

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