ideias aleatórias

O usuário tem o poder

Jeronimo Molina

Administrador com MBA em Marketing e Vendas. Atua como professor nos cursos de Administração e Marketing. Ativista político e colunista do Jornal Sete.

E se tivesse sido...


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Adoro ler textos sobre amor, eles me fazem pensar nos amores que tive, naqueles que me deixaram nas nuvens, ou até naqueles que foram tão rápidos quanto um carro na auto-estrada. Mas, o que me faz ler textos sobre amor é a forma como estes amores são descritos, todos no tempo presente, ou seja acontecendo.

Quando falamos de amor falamos sempre no tempo presente porque não estamos acostumados com ideia que poderemos não ter mais aquele amor. A mínima percepção de perda nos torna reféns dessa premissa que será para a vida toda, que será eterno, que será como um conto de fadas.

Linda-paisagem-com-Casal.jpgUma relação igual à um conto de fadas

Ao começarmos um relacionamento com alguém criamos expectativas, ideias, sonhos. Esses sonhos acabam por diferenciar o relacionamento que estamos com outros passados ou de outras pessoas. Muitas vezes temos a sensação que estamos indo bem. Isso faz parte de qualquer namoro ou casamento.

O planejar uma relação a dois é normal para qualquer casal. Pode parecer estranho, mas nessa fase se constrói a ideia de como será essa relação por muitos e muitos anos. É como construir uma casa: primeiro começa as fundações, depois as paredes e por último o telhado.

Com o passar do tempo as relações acabam se desgastando, o que também é natural, mas o amor retorna ao relacionamento como um raio, lembrando das fundações do início da relação. Quando não há mais retorno, quando não há mais volta, a relação acaba. relacionamento-entre-tapas-e-beijos-sere-que-vale-a-pena-insistir-3.jpgBrigas, discussões e a relação acaba

Ao término de uma relação primeiro vem a mágoa, a raiva, quiçá até o ódio pelo tempo que se perdeu ao lado de uma pessoa. Mas, de forma implacável passa o tempo, e sentimos um vazio que aquela pessoa deixou em nossa vida. A dúvida se torna frequente, e começamos a nos perguntar o que fez nosso sonho ter ruído.

Posso ser grosseiro para o romântico inveterado, mas o pior dos amores são aqueles que não foram, que há uma sensação de que não acabara, que o vazio do fim inesperado deixou mais que mágoas ou rancores, mas uma enorme cratera de dúvida: "o que devia ter sido?". Essa dúvida corrói até mesmo o de coração do mais forte, do mais bravo ou corajoso.

Ao perder um relacionamento por aquilo que não aconteceu, vivemos no passado perdido, como uma história que lemos em um livro, sempre pensando nas páginas em branco que poderiam ter sido escritas, mas não foram. Erros e acertos de ambas as partes deixaram uma lacuna que não se preenche mais. Até mesmo se cogita um recomeço, uma retomada - muitas vezes acertada - mas em sua grande maioria o vazio da dúvida é muito maior e nada pode ser feito.

A busca implacável por um amor arrebatador se torna costumas, pois temos a plenitude de querer aquilo que não aconteceu, seja um passeio de mãos dados, uma viagem inesquecível ou até mesmo o casamento na praia paradisíaca. Temos a necessidade de viver um tempo que não aconteceu, algo que não chegou, uma história que não teve um final.

Para amarmos novamente e nos entregarmos à outra pessoa de forma plena, temos que romper com o passado que não houve, assim enxergaremos novamente o nosso futuro ao lado de outra pessoa. Somente assim poderemos evitar o vazio e até projetarmos aquilo poderá ser um eterno conto de fadas, sem páginas em branco.


Jeronimo Molina

Administrador com MBA em Marketing e Vendas. Atua como professor nos cursos de Administração e Marketing. Ativista político e colunista do Jornal Sete..
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