ideias aleatórias

O usuário tem o poder

Jeronimo Molina

Administrador e blogueiro

Faça sua revolução

Uma mudança sempre gera bagunça. E quem gosta de bagunça? Ninguém. Porém para sermos pessoas mais maduras e melhores precisamos mudar e enfrentar os riscos que a mudança causa: o caos.


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Outro dia pensei em mudar os móveis do meu quarto de lugar. Seria uma ótima ideia, até porque poderia aproveitar e limpar melhor o chão, organizar meus livros, e fazer umas arrumações de ordem elétrica - extensões - para plugar meus gadgets. Mas como disse, pensei e só. Desisti de tal arrumação porque para gerar tal arrumação primeiro teria que desarrumar.

Sempre que queremos colocar algo em outra ordem primeiro temos que tirar a ordem original e mudar. Talvez seja por isso que detesto mudança. Na verdade todos nós detestamos mudanças. Sempre que precisamos mudar algo não podemos contar com nada além de nosso esforço, ou seja, nós mesmos.

Principalmente em empresas quando se fala em mudança em algum setor sempre dois ou três saltam já esbravejando: "tu está maluco?! Mudar para quê?", isso porque temos enraizado em nossa cabeça que "time que está ganhando não se mexe". Dizer que a manutenção do status quo é benéfica pode - em termos práticos - demonstrar que não estamos dispostos a modificar-se. E isso tem um sentido bem humano: a mudança dói.

dorolhos.jpgA mudança sempre dói

A mudança por si só deveria não doer, mas dói. Sair da zona de conforto é cruel para todos nós. Não por comodismo, mas porque nós - seres humanos - precisamos nos sentir seguros, protegidos. Veja só um exemplo: pense que você está em sua casa e sente um desejo incompreensível de saltar de bungee jump. Existem duas opções: ficar em casa ou saltar. Porque preferimos a primeira? Medo do risco.

Correr riscos é sairmos de nossa segurança e proteção. É mudarmos nosso rumo e partirmos para uma jornada que não detém um caminho pré definido. Essa nossa necessidade de segurança e proteção nos faz admirar pessoas que largam tudo e viajam o mundo sem dinheiro, ou aqueles vivem na floresta sem nenhum conforto, ou ainda quem faz uma tatuagem enorme.

hei.jpgIr atrás dos riscos

A habilidade de correr riscos não está ligada ao ser humano. Desde os primórdios de nossa espécie vivemos sob a égide de vivermos em grupo e protegidos contra as intempéries do meio onde vivemos. Não é diferente hoje em dia: quem se arriscaria por exemplo a caminhar de madrugada pela rua? Ora, porque temos receio de ser assaltados! E quem diz que seremos assaltados com toda a certeza? Não se sabe. Isso é o risco.

Se pensarmos bem podemos ver que em diversas vezes de nossa vida ficamos paralisados diante de uma situação de extremo risco. O nosso medo tomou conta de nós e por - quem sabe - fração de segundos não sabíamos que direção tomar. O medo paralisante da tomada de decisão sob a pressão do risco nos faz perder oportunidades jamais pensadas.

Os grandes magnatas de nosso tempo sempre conviveram de mãos dadas com o risco, para eles viver sob o risco é normal, pois não se importam com a mudança repentina das situações. Eles sabem trabalhar com as mudanças e com aquilo que elas geram: o caos. Saber lidar com o caos é fundamental para qualquer pessoa: primeiro porque no caos conseguimos desenvolver habilidades que em situações normais não conseguiríamos; segundo porque no caos temos que analisar e contabilizar informações de forma rápida, sem medo de cometer erros.

Normalmente acabamos não tomando decisões arriscadas porque tememos que este risco irá nos levar ao erro. Quando erramos acabamos sempre acreditando que somos fracassados, derrotados. E este erro que nos deixa ficarmos em nossa zona de conforto. Seria mais como um adolescente em busca de um par para ficar na balada: ele prefere não ficar com ninguém a ter que se arriscar e levar um fora. Pode ser banal, mas é bem isso que acontece.

chamado-machucar-motivar-pessoa-crescer_ACRIMA20110502_0065_21.jpgTer medo de se arriscar é normal, mas dói

Mesmo que o ditado diga "errar é humano", ainda temos a necessidade de acreditarmos na consequência do erro. Essa consequência nos paralisa, nos congela. É essa consequência que não nos deixa agirmos a mudança que precisamos. A mudança está atrelada literalmente com a possibilidade de erro, mesmo que essa possibilidade seja de cinquenta porcento, nos recolhemos em nosso casulo de segurança.

De toda forma, existem situações que somos compelidos a mudar, talvez por força do destino ou das circunstâncias, mas temos que mudar na marra. Como disse antes, se a mudança dói, imagina se for uma mudança obrigatória. A mudança obrigatória acaba nos levando para "as cordas", ou reagimos ou perdemos a luta. Não tem alternativa. E é nesses momentos que vemos o nosso verdadeiro potencial, quando estamos acoados e amedrontados e não temos saída. Como diz o ditado popular: ou vai ou racha.

Kaizer Mabuza nas cordas - Marty Rosengarten.jpgQuando se está nas cordas não tem jeito, tem que reagir

De toda forma não podemos negar que temos que trabalhar com a mudança desde cedo. Negar a existência da mesma, seguir a vida com um fluxo infinito de mesmice - além de ser chato - é no mínimo ficar alienado. Mudar a rota faz parte da vida, nada adiantaria permanecer sempre na mesma. Lembro de diversos episódios de casais que brigam anos à fio porque tem medo de separar, ou, de jovens que tem medo de mudar de profissão porque não sabem se vão dar conta ali na frente. Temos que nos arriscar!

Se a mudança gera o caos, toda a revolução nos faz crescer. Somente o caos faz com que cresçamos como pessoas e possamos enfrentar novos desafios, nem que seja ao menos arrumar um quarto.


Jeronimo Molina

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