ideias aleatórias

O usuário tem o poder

Jeronimo Molina

Administrador e blogueiro

Quero deixar de ser peça; quero jogar!

Vivemos tempos nebulosos. Mas enquanto alguns olham pela janela e esperam que "eles" resolvam o problema, outros querem fazer a diferença e resolver o problema (ou ao menos tentar). Isso que torna alguém deixar o status de "peça no jogo" e se tornar jogador.


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Nos tempos de faculdade tínhamos por hábito no Diretório Acadêmico jogar xadrez. Era algo tão tradicional no DA de Administração da Universidade de Caxias do Sul que até mesmo os trotes eram um enorme xadrez humano: além de divertido - para quem jogava com os pobres calouros - era lúdico até certo ponto.

A questão que levava, no início deste século, o xadrez misturar-se com a administração era a estratégia que o jogo medieval promovia. O jogador, ou enxadrista, deve ter a habilidade de jogar com maestria para não ter seu rei capturado pelo inimigo (ou adversário) e assim perder a partida.

Logicamente o jogo de xadrez é uma simulação simplista de um campo de batalha medieval, com seus peões, torres e bispos, além do rei e da rainha. Dessa forma poderiam obter através de um simples jogo, uma ideia de como iriam se comportar no campo de batalha, ou seja, na arena real da guerra. Muito se fala em guerra na Administração, a começar por Sun Tzu e seu livro quase antológico "A Arte da Guerra", que por sinal inspira muitos gestores, mas nada substitui o velho e bom xadrez. o-SUN-TZU-facebook.jpgSun Tzu: é o suposto autor de A Arte da Guerra

Por sorte meu pai me ensinou xadrez com apenas 8 anos de idade. Algo impensado para a época, mas que foi de grande valia no futuro para observar os detalhes de estratégia que são as coisas da vida. É assim na vida das pessoas, como se fosse um grande jogo de xadrez: as peças se movimentam, precisamos observar com atenção, e quando menos esperamos estamos em posição de cheque-mate; seja sofrendo ou tendo a possibilidade de um.

Talvez seja por isso que gosto de política. Apesar de muitos disseram que a "política não traz benefícios", o que em parte é uma verdade, a política ensina muito como podemos usar as pessoas para melhorar a condição de vida de um bairro, cidade, estado ou país. Essas condições podem ser econômicas, sociais, culturais ou educacionais; porém todas fazem parte da construção de um novo lugar para se viver.

Portrait_of_Niccolò_Machiavelli_by_Santi_di_Tito.jpgNiccolo Machiavelli (ou Maquiavel): autor de O Príncipe, pura estratégia

Agora, para conseguirmos chegar aos patamares de melhoria precisamos primeiro movimentar as peças do tabuleiro, usando de estratégia, ousadia e perspicácia, pois nem sempre encontraremos pela frente pessoas imbuídas nos mesmos objetivos que aqueles que queremos. Muitas vezes teremos que reavaliar o caminho percorrido, a forma de conseguir algo, a maneira de chegar a algum lugar.

Porém para usar esses atributos não podemos ser peças no tabuleiro - como fui na época de calouro da faculdade - precisamos ser os enxadristas, usar de ousadia e perspicácia para conduzir o jogo a nosso favor e a favor dos objetivos que temos para o lugar onde moramos. A necessidade de ter as rédeas do jogo nas mãos é o que move o político (ou aquele que gosta da política); poder mudar o rumo da situação, construir alianças, organizar coligações, ficar nos bastidores para se tornar protagonista.

A ideia que detemos da política que corrompe, destrói, manipula é um desvio de conduta de alguns que se usam da população para benefícios pessoais. O verdadeiro político não quer obter ganhos financeiros, quer o poder para mudar o status quo, virar o jogo para aquilo que julga correto e com isso alterar o destino de milhões e milhões de pessoas em determinado lugar.

Quando me perguntam porque passo horas procurando artigos sobre economia; porque leio Maquiavel, Platão, ou Norberto Bobbio; que posto frases sobre aquilo que vivemos hoje; porque projeto o futuro dos meus filhos; é simplesmente porque não consigo viver como "peão", quero ser protagonista, quero ser o enxadrista. E assim como eu, existem outros tantos que querem ser os enxadristas do destino de nosso povo, de nossa nação.

Quem sabe não consiga atingir meu objetivo, quem sabe ninguém que também tenha essa vontade consiga, mas terei certeza que no futuro poderei dizer: "sai do tabuleiro, para me tornar o jogador".


Jeronimo Molina

Administrador e blogueiro.
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